quinta-feira, 20 de julho de 2017

PARTEIRINHAS SACANAS, VIU?






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Olá, gente,
Tenho falado aqui da loucura que é escrever. Habitou-se, dançou. Não se livra mais. Parece coisa feita. Vejam. Escrevi quatro romances. Cada um mais cada um, entenderam? Leitores dos livros e do blogue? Conto nos dedos. Mas isso não conta. O que conta é o prazer de criar. Então! Vou escrever o quinto romance. Começa aqui embaixo. Vou criando e postando, compreenderam? Vocês quatro (tenho quatro leitores cativos) serão testemunhas do parto. Se o romance já tem título? Não. Espero que me ajude a criá-lo.
Vejamos a abertura do livro. Três laudas do word.

PARTEIRINHAS SACANAS, VIU?

Estávamos na terceira caipirinha quando a Silvana suspendeu o blá-blá-blá e olhou-me fixamente. Vem coisa aí, pensei, acionando a prudência verbal.
Essa prevenção há tempos me acompanha. De tanto tomarem-me a palavra, terminei me disciplinando para não me comportar de maneira semelhante. Não apenas não corto a palavra de ninguém, como demoro uns segundinhos para me pronunciar. Além de manifestar respeito, estou dizendo ao interlocutor que a fala não foi de afogadilho, porquanto sopesada. Algumas vezes me desvio dessa norma, mas nunca perante olhar tão perscrutador quanto aquele da Silvana.
Olha só, TC. Vamos botar as cartas na mesa. Sou assídua leitora de seu blogue. Amava seus textos, cara. Tanto que passei a recomendá-los para as amigas. De postagem em postagem, evoluímos dos comentários virtuais para este encontro semanal, aqui, no Boteco 891. Tem ideia de quantos meses a gente bate ponto aqui, Silvinha?
Cinco meses, acho.
Esse tempo coincide com o declínio de suas prosas, TC. Desculpe a expressão, mas seus textos viraram uma bosta, rapaz. Você não mais descreve cenários, aboliu o travessão dos diálogos, fala muito de barzinho e sexo, repete termos em demasia e assim vai enrolando. Ontem nos deixava arrepiadas e aperreadas, hoje nos deixa ensonadas e enojadas. Alguém deve ter influenciado você. Resultado: perdeu a, a... Como é que você fala, Silvinha?
Espontaneidade. Tornou-se técnico, artificial, TC.
Isso mesmo. Desconheço se as estatísticas do blogue refletem essa situação, TC, mas, daquelas amigas, apenas a Silvinha continua seguindo você. Como falei, a qualidade de seus textos afundou tão logo passamos a nos encontrar. Talvez não tenha nada a ver, na nossa cabeça, porém, existe uma explicação para esse declínio. É, é, é...
O reticente é levou-me a estimulá-la.
É... É o quê?
Bom, percebemos a coisa no primeiro encontro. E a partir dali só aumentou. Relevávamos, mas a repetição virou problema e nos fez tomar uma atitude. Sabe, TC, penso assim. Engordamos um problema ao alimentarmos com a omissão. É claro que o problema pode tornar-se barrigudo se a solução não depender da nossa atitude. Mas a maioria dos problemas

sexta-feira, 30 de junho de 2017

BETH, A DESLIGADA






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BETH, A DESLIGADA

Cadê a minha mãe?
Não sei. Deu uma saidinha. Então o bar é de uma mulher! Você é filha dela?
É claro. Não acabei de falar? Como assim o bar é de uma mulher? O senhor não conhece a minha mãe? Quem é o senhor? Cadê ela? Há quanto tempo o senhor está aqui? O senhor...
Calma, moça. Faça o seguinte...
Como ter calma, senhor? Chego ao bar de minha mãe, encontro um desconhecido por dono do bar, cheio de gente bebendo, o estranho não conhece a minha mãe, mas fala de uma saidinha dela, e esse, esse, essa, essa pessoa ainda me pede calma quando quero saber dela. Misericórdia.
Ele é namorado da vovó, mamãe?
Júlio!
É seu filho? Nossa! Teve filho muito novinha, hein? Faça o seguinte. Ligue pra sua mãe.
Tô ligando, não tá vendo? Só faz chamar. Agora me fale. O senhor chegou aqui e...
Não chore não. Perco o raciocínio quando vejo alguém chorando. Escute. Gosto muito de bar de calçada, então, ia passando, achei criativo o nome do bar e...
Me poupe dos detalhes. O senhor chegou e...
Esse é o problema dos jovens. São apressadinhos, detestam detalhes, viram as costas para contextos. Resultado: a comunicação fica capenga. Diga-me uma coisa. Sua mãe tem desafetos, assuntos amorosos, passionais, digamos assim.
Não. Minha mãe é bem resolvida nesses assuntos.
Realmente é preocupante. Bom, procure saber dos vizinhos se notaram algo estranho, se viram sua mãe sair. Enfim, dê uma pesquisada na rua. Enquanto isso, dê-me o número dela. Talvez o meu celular tenha mais sorte.
E teve.
Espere, volte. Está chamando. Tive sorte. Vou botar no viva-voz.
Uma voz limpa e destemida deu o alô:
Alô. Quem é?

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Sétimo Arraiá da Família Buscapé






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Olá, pessoal.
Vou postar uma brincadeira que costumo fazer com amigos e familiares aqui em casa. Curto as festas juninas, gente. Coisa de raiz, de nordestino matuto.
Um abraço.

Sétimo Arraiá da Família Buscapé

Bom minha graça é mião carneiro e fui o saruê mais caçula da família carneiro; o último saruê; o fim de rama é o coroné tião; pois muito bem; o pade e professor sirvo mandou eu e os outro aluno dele, a santana de dona francisca de santana do mato, nenete de joão pacaia e severino de ceição de são rafael e uelton de marinete e jean de dona eliete escrever essa fala como prova da escola da gente pros cumilão e cumilona do arraial; pois muito bem; o pade sirvo passou a prova pra gente e acunhou pra roma pra fazer um cuço de missa de córpulas presente e me incubiu de ler pra voces e pra voces dizer a nota da gente; acho que agente vai tirar um dez; porque agente só tem sobrosso porcausa não ter certeza donde botar o ponto ou a virgula; por isso botamos logo em todo canto o dois sujeitos junto pro mode num errar nunca; o pade sirvo deixou uns recados, vou dar logo os pestes; despois eu falo o discuço; recado pra dona neide beata de valdi pintor; neide o menino de recado da paroqia agora é o alcolotra edilson; aquele que não é casado mas as mulherada nele manda; então avise ao alcolotra que avise aos vigarista da paroqia da vez da semana que porcausa da maldita reforma na igreja eles precisa avisar aos infies que tem filhos e não sabe que agora a sala dos moleque é na copa; avise também pra edilson avisar aos vigarista que ainda porcausa da infeliz reforma o cuço de oração e jejum tá suspenso; vamo orar pra ver se vorta no mês de santana; mas quando vortar o lanche não será mais de graça não; avise tambem as carola tania e vitoria que a escola da fe não tem data pra vortar; os fies tão muito pra baixo; vamo esperar eles e elas se animar mais; o coroné tião também avisou tres aviso; que avise ao povo do arraial que as vezes a garage da quadrilha chove e tambem aparece catita e sapo cururu por  aqui; entonce pra não ter tumuto de correria as dama deve se aliviar por dentro da casa do coroné e os cavaleiro deve evacuar fazendo fila pelo beco do jardim; outro aviso

sábado, 17 de junho de 2017

JULGAMENTO NO TSE – PALAVRAS AO VENTO





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JULGAMENTO NO TSE – PALAVRAS AO VENTO
 O objeto desta questão é muito sensível e não se equipara com qualquer outro, porque tem como ethos, como pano de fundo, a soberania popular. No entanto, o voto de Vossa Excelência, eminente relator, exibiu revoltante desrespeito a tal soberania. Quando votou em algo ausente na petição, Vossa Excelência, além de constranger seus pares, golpeou a sociedade. Golpeou, sim, já que ela foge do desfecho apregoado por Vossa Excelência. Ao votar favoravelmente à parte autora, o eminente relator exagera no fermento sobreposto à palavra central do pedido. Estamos encantados em ouvi-lo, mas suas falácias já nos deixam cansados. Diria que essa fermentação fez do voto de Vossa Excelência um gigantesco bolo, o que me leva a imaginar que a intenção era realmente jogá-lo para a plateia. Palavras ao vento, eminente relator.
Vossa Excelência precisa conhecer o exato valor da palavra numa petição jurídica. Não pode ir além da palavra chave do pedido. Aqui a palavra não tem alma, como a tem na mentalização do poeta. Aqui o “dos” que liga rosa a ventos é tão somente um conectivo e não o elo entre a mulher amorosa e invencível. Aqui a palavra sol ilumina, a palavra chuva molha, a palavra terra é firme, a palavra irmão é carnal, a palavra juro é verdadeira. Em suma, eminente relator, no Direito, a palavra diz. Está casada com ele. Não vive de namorico com o vento.
Na presente demanda judicial, a palavra cronista é cronista, mesmo. Jamais será contista ou romancista. Aqui a palavra chave do pedido

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A MORTE DO DELATOR





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A MORTE DO DELATOR

O que acha que vai acontecer, Cabeça Dura?
A pergunta foi feita por uma amiga do peito. De peito, de boca e de outras anatomias. Mas o “Cabeça Dura” originava-se de minha fama de teimoso. Também, né?
Não tenho ideia, Branquinha.
Tratava-a por Branquinha em razão da pele lanuda. Atributo que lhe trazia temores e tremores, haja a vista o assédio de gulosos lobos, a exemplo daquele que, sem a menor consideração ao pudor, comia-a com os olhos.
Bicho nojento, disse Branquinha, desviando-se do ardiloso olhar e colando-se a mim.
Nunca vi o Planalto tão cheio, Cabeça Dura. Que fauna, hein!
Tinha razão a Branquinha. O ambiente acolhia sotaques para todos os gostos. Alguns soltavam brincadeiras, outros aturavam-se, porquanto inimigos de longas datas, mas a maioria estampava a interrogação no semblante. Não era para menos: havíamos recebido a ordem de estar ali às oito horas da manhã. “Para cientificá-los de uma notícia de extrema gravidade”, dizia a nota assinada pelo chefão. Agora estávamos a esperá-lo.
Olha ali, olha ali aqueles dois, Cabeça Dura. A mocinha e o velhote. A orelhuda impiedosa e o bengaludo impiedoso. De papo, hiena e pantera. Pode um negócio desse? Só acredito porque estou vendo, Cabeça Dura.
Dei a concordância de cabeça. A reunião tinha o mérito de juntar aquelas figuras, cobras criadas, com umas a engolirem outras. Se bem que, aqui acolá, algumas engoliam sapos. É a vida, a lei da selva. É o secular jogo de interesse, em que predadores e presas vivem trocando de posição e ingênuos caindo na conversa de espertalhões. O Homem bem que podia ter bolado uma travinha nessa criação a fim de harmonizar os interesses antagônicos. Brequei a tola reflexão, já que o chefe acabava de chegar.
Não digo silêncio sepulcral porque detesto chavões. Mas o silêncio que se fez era sepulcral, sim. Éramos os vassalos aos pés do rei.
Como a nos lembrar que aquele território era dele, o chefe deu tremenda patada, situou-se no centro dum círculo, olhou-nos ferozmente e abriu o discurso em forma de rugido:
Falta um camarada aqui. Já perceberam? Esse camarada é um infrator da lei. Traidor de nossos princípios. Esse...
Não notamos a falta de ninguém. Será que...
Como ousa me interromper, seu veado?
Vejam. Brigamos por termos a violência em nosso sangue. Isso nunca vai mudar. Matamos exclusivamente para sobreviver. Saciados, cessamos a matança. Isso também é milenar. Pois bem, há dias eu investigava um camaradinha. Não sei como soube, certo é que ontem ele me procurou. Disse que se entregava, mas tinha valiosíssima informação a me dar. Em troca, queria o perdão da pena. Concordei. Concordei, mas vou matá-lo, vou extinguir a sua raça. Odeio delatores. Era isso que eu queria compartilhar com vocês. Agora, a delação dele, camaradas, é gravíssima. Precisamos extinguir também a raça...
Data vênia, majestade. Quem é o...
Porra, caralho! Feche essa matraca, filho duma cadela. Por que não vai coçar o focinho, seu cão sarnento?
Devia ter mais respeito com a gente, seu velho safado, e não ficar estuprando a educação com essa bocarra fedorenta. Não basta esmagar a ética com as suas patadas?
Cadê você? Me respeite. Me chame de majestade.
Respeito uma ova. Você não merece respeito, tampouco o título de majestade. Nem o tratamento padrão de nossa espécie, o amável camarada, você merece mais. Merecia a nossa reverência até ir passear no podre território dos humanos. Divertia-se nos circos e jogava fora os nossos valores. Tanto é verdade

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Deuses vingativos


Os deuses da literatura não perdoam. Escreveu mal, pimba: castigo nele. O meu veio pelo cotovelo e dedos direitos. Com rima e tudo. Mas tô quase bom. Voltarei em breve. Sou teimoso.
Um abraço,

TC
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sábado, 29 de abril de 2017

O DOIDO DO DOIS





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O DOIDO DO DOIS

Ele não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas as outras pessoas do mundo insistiam em dizer que ele era doido. Gostava tanto de números que acabou se apaixonando pelo 2. Depois disso, virou o Doido do 2. Escrevia o 2 em cortes de papelão, colava nos raios da bicicleta e saía pedalando mundo a fora aos berros de 2 é fiel, 2 é fiel, 2 é fiel.
Desculpe, mas não vejo sinais de doidice nessas pedaladas. Normal, normalíssimo. O 2 merece.
Normal, normalíssimo? O 2 merece? Pois diga! Doutor, doutor! Misericórdia! Então o doido era eu, era? Porque eu tinha pena do miserável e ia atrás montado num cambão de guidom torto corrigindo ele: Deus é fiel, Deus é fiel, Deus é fiel. Mas o aperreio só vinha na lua grande, entende, doutor?
Entendo, entendo. Isso durou muito tempo? E o senhor é o que dele?
       Durou até 30 de abril de 1967, quando ele fez 17 anos. Aí ele deu um fora no 2, foi vender os números do jogo do bicho, apaixonou-se pelo 7 e