quarta-feira, 17 de maio de 2017

Deuses vingativos


Os deuses da literatura não perdoam. Escreveu mal, pimba: castigo nele. O meu veio pelo cotovelo e dedos direitos. Com rima e tudo. Mas tô quase bom. Voltarei em breve. Sou teimoso.
Um abraço,

TC
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sábado, 29 de abril de 2017

O DOIDO DO DOIS





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O DOIDO DO DOIS

Ele não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas as outras pessoas do mundo insistiam em dizer que ele era doido. Gostava tanto de números que acabou se apaixonando pelo 2. Depois disso, virou o Doido do 2. Escrevia o 2 em cortes de papelão, colava nos raios da bicicleta e saía pedalando mundo a fora aos berros de 2 é fiel, 2 é fiel, 2 é fiel.
Desculpe, mas não vejo sinais de doidice nessas pedaladas. Normal, normalíssimo. O 2 merece.
Normal, normalíssimo? O 2 merece? Pois diga! Doutor, doutor! Misericórdia! Então o doido era eu, era? Porque eu tinha pena do miserável e ia atrás montado num cambão de guidom torto corrigindo ele: Deus é fiel, Deus é fiel, Deus é fiel. Mas o aperreio só vinha na lua grande, entende, doutor?
Entendo, entendo. Isso durou muito tempo? E o senhor é o que dele?
       Durou até 30 de abril de 1967, quando ele fez 17 anos. Aí ele deu um fora no 2, foi vender os números do jogo do bicho, apaixonou-se pelo 7 e

sábado, 22 de abril de 2017

A ARARA VERMELHA





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A arara vermelha (conto)

Contrabandista não é bandido, é? Nunca roubei, nunca matei. Tenho ficha limpa, pode examinar. Se eu pudesse, tinha feito uma faculdade, ia ser advogado, andava de terno e gravata, como o senhor. Trabalho com quinquilharia paraguaia, mas não sou traficante. Relógio Jean Vernier, Tissot, Girard Perregaux. Sim, sei dizer o nome direitinho, aprendi com uma dona chique. Trabalho perto dos hotéis de luxo, lá na Paulista, e no Teatro Municipal. Tem gente endinheirada que compra de dúzia. Dão de presente? Revendem? Por encomenda, trago máquina fotográfica, computador de bolso, GPS, mas tem que fazer um adivance, me falta capital pra bancar produto muito caro.
Hoje se negocia qualquer coisa, cocaína, crack, rim, fígado. Já me ofereceram uma boa grana pra ser mula, pra carregar pasta de coca, pedra, papelote. Não topei. Tenho os meus limites, lido com muamba, e só. Dinheiro é bom, faz a gente feliz, mas não compra tudo, minha mãe já dizia.
Fui de ônibus, como sempre, a Foz do Iguaçu. Atravessei a fronteira a pé,

domingo, 16 de abril de 2017

JUDAS NO SÁBADO DE ALELUIA DE SÃO MATEUS







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JUDAS NO SÁBADO DE ALELUIA DE SÃO MATEUS

O relógio marcava cinco horas da manhã do Sábado de Aleluia quando o soldado Galdino avistou a majestosa figura sentada num banquinho da praça. De paletó e gravata, óculos escuros, imponente pasta de couro nas pernas, Judas tão elegante jamais fora visto em São Mateus. Galdino bateu uma foto e abriu a pasta. Pensava no tradicional testamento. Não havia testamento. Mas havia cópias da esperada e temida Lista do Juca.
Dali a instantes a imaculada São Mateus fervia de curiosidade e as redes sociais saboreavam as novidades. A Lista do Juca... Bom, preciso justificar o adjetivo imaculada e contextualizar a assustadora lista.
São Mateus, com cerca de três mil habitantes, situa-se no nordeste brasileiro e é conhecida como a mais honesta e autêntica cidade do país. Não que viva com zero de violência. Nada disso. Acontecem homicídios, assaltos, pistolagens. Mas tudo conforme as devidas regras criminosas. O que o matoeense não aceita é pregar uma coisa e fazer outra, o fingimento, o falso moralismo, por assim dizer. A população sente-se orgulhosa com o slogan “São Mateus dez, onde o falso moralismo é zero”. A cidade é tão ciosa dessa pureza

sexta-feira, 31 de março de 2017

A LIÇÃO DE JL






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A LIÇÃO DE JL

(Duas mil e cem palavras, doze minutos de leitura. Vai? Então vamos. Se não for, a amizade é a mesma),

Ainda bem que eram aparas de grama. Algo mais sólido teria machucado o pé e adeus o joguinho de futsal.
Idiota. Se enxergue, menino. Nunca viu mulher não, moleque?
Desculpe, moça. É que...
O humilhado travou a explicação, já que a deseducada não o ouvia: mal calçou a arrogância e já saiu pisando a urbanidade, como se o gesto de encantamento do moleque fosse fugitivo de uma mente maligna.
Que anta é uma, avaliava o moleque, despejando as sobras do jardim numa carroça de entulhos e dirigindo-se para a Sede dos Campeões. Idiota! Idiota se a sacola tivesse caído nos pés dela. Mas seria compreensível, pois dava para ela imaginar que eu não tinha tido a intenção. Foi meu olhar bater nela e a sacola cair junto com o queixo. Fazer o quê? Mas fui idiota por ter pedido desculpa sem necessidade. Mulher ignorante da bexiga. Quem será?

sexta-feira, 17 de março de 2017

O LEILÃO DO EUGÊNIO





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O LEILÃO DO EUGÊNIO

Não estava entendendo por que ainda não havia feito a coisa certa. Dez anos de empresa, funcionário exemplar, deveria, tão logo detectada a disfunção, tê-la levado ao conhecimento do diretor da área. Mas algo lhe roubava a ação, como se disposto a jogar por terra a sua integridade e a provar o dito de que a ocasião faz o ladrão. Pensava assim, apreciava a chuvinha, balançava a terceira dose de uísque.
Nem percebia a dama que se aproximava da mesa dele.
Estou a falar de Eugênio, supervisor do setor financeiro de famosa construtora brasileira. Ocorre que havia um mês, desastrada reforma no sistema contábil/administrativo da empresa deixara tentadora brecha para a chavinha da ladroagem. Por que mexeram num sistema que funcionava tão bem? Eugênio não atinava com a resposta, embora um risinho matreiro desse pistas de que atinava, sim. Eles são eles, eu sou eu. Farei o que me compete, decidiu o íntegro e precavido Eugênio, assim que descobriu a brecha. Em minutos elaborou um relatório mostrando a disfunção e dirigiu-se ao gabinete do diretor. Esperava ser atendido pela secretária quando dos cafundós da mente ia desembarcando a pergunta: por que tanta pressa?
A agenda do Dr. Marcelo está cheia hoje, Dr. Eugênio. Se o doutor...
“Entendo. Virei depois, Marina”, interrompeu Eugênio, lendo o crachá da secretária, afastando-se pensativo. Como a empresa mudara. Mudavam a secretária sem avisar aos mais próximos. Pior. Secretária sem a menor compostura, pois nem aí para os olhares dirigidos ao perdulário decote, que mais parece a casa da mãe Joana. Mas que tem seios apetitosos, ah, isso tem, sorriu, abrindo a sala.
Eugênio sentou-se

terça-feira, 7 de março de 2017

BULA DE MULHER








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Olá, nobilíssimas,
Antes de tudo, parabéns pelo oito de março, Dia de Vocês. Recebam minhas flores.
Beijão, lindas!
Bom, Paulo José publicou uma prosa supimpa no autores.com e deu-lhe o título de “Bula de Homem”. Peço vênias ao Paulo para fazer um contraponto e postar o Bula de Mulher.
Vou colar a Bula do Paulo e em seguida apresentar a Bula de Mulher. São textos gozadores, a exemplo dos constantes no livro Toinho, seu Danado! (Leia sinopse ao lado).  Descontração é a palavra de ordem, garotas.
Leiamos, então, os preceitos da vida. Para satisfazer o paralelismo, andei metendo o bedelho na sua Bula, viu, Paulo? Mas a essência permanece virgem, tá?

BULA DE HOMEM

Princípio ativo: Homo Sapiens
Laboratório: Prudence
Uso adulto: Oral, intravenoso e tópico
Indicações:
Homem é recomendado para mulheres portadoras de SMS (Síndrome da Mulher Solitária). Homem é eficaz no combate ao desânimo, ansiedade, irritabilidade, mau humor, insônia. Posologia e Modo de Usar:
Homem deve ser usado três vezes por semana. Não desaparecendo os sintomas, verifique se o manuseio do produto está sendo feito de forma correta, aumente a dosagem ou agende no site do laboratório uma consulta domiciliar com um especialista.

Precauções:
Homem contém 0,0526% de misticismo e 0,0602% de sensibilidade. Daí ser aconselhável manter o frasco, a bisnaga ou a agulha intramuscular longe de vizinhas acesas, loiras sorridentes, ruivas sonsas, morenas astuciosas. É desaconselhável