segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ESCREVER: CASTIGO OU CONSOLO?





Já falei numa de minhas anotações malucas sobre a impunidade do ato de escrever. A referência não é minha. Li-a não me recordo em qual veículo. A ação de escrever, entendam bem. É dela, da ação, a dispensa do castigo. A punição virá, não tenham dúvida. Um pouquinho mais tarde, mas virá, sim. Não ter seu escrito soletrado, essa, certamente, é a penalidade maior para o escrevinhador. Escrevinhador, disse eu. Escritores são outros quinhentos. Esses, gente, jamais serão punidos.
Bom, devo pedir socorro a vocês. Vocês, no caso, os meus quinze leitores brasileiros. Daqui a pouquinho, explico-lhes a alusão aos brasileiros.
A internet, amigos, é uma doideira. Veja se não é. Antes de criar este blogue, meus escritos eram lidos por 5 atenciosos colegas. Já tinha tido 8, é verdade, porém a anemia das prosas terminou afastando 3. Depois do blogue, esse número pulou pra 11, acreditam? Pelo menos são essas as estatísticas do corre o mundo, o nosso Pocilga de Ouro.
O socorro, gente, é alguém sentir pena de mim e me internar num manicômio. Vejam se a internação não tem sentido. O Pocilga registra 11 consistentes visitas diárias de brasileiros e 39, também consistentes, de estrangeiros. Das duas uma, ou o blogue está malucão, e esses leitores não existem, ou o malucão sou eu, ao ler informações inexistentes. Como a cibernética é isenta de doidice, só me resta o autodiagnóstico de alucinado. Concordam comigo? Ficar vendo visagens é ou não é retrato de abilolado?
Sabem de onde vêm as visitas estrangeiras? 19 da Rússia, 10 da Alemanha, 7 dos Estados Unidos e 3 da Holanda. Dá pra crer em tais números? De qualquer forma, posto a alucinação, mando um abração pra vocês aí do além-mar. Um dia eu pinto por essas bandas, galera. Alguém aí torce pelo Alecrim de Natal? E pelo Fluzão?
Você, meu nobre, pode até pensar assim: Tião nunca vai passar desses 11 leitores. O homem não se esforça a fim de escrever melhor? Tião é muito é do acomodado.  O estilo dele é embaçado, caolho e coisa e tal. Daí ele ter contaminado de miopia os olhos dos desavisados estrangeiros.
Não é verdade, meu nobre. Dou um duro dos diabos pra ver se melhoro a escrita. Vou lhe dar uma amostra dessa boa vontade. Descobri um escritor de verdade, colega nosso, arretado pra burro.  Dá gosto ler as belezuras do danado. Ele não só escreve, como descreve. Não só filosofa, como disfilosofa. Sou viciado na leitura da patota do Substantivo Plural. Leio feito um carneiro doido (carneiro lê, sim), mas não saio do canto. Outra coisa, meu nobre. Ainda não tenho estilo literário, como diria você, tenho maneira de escrever. Mas vou chegar lá, ah, se vou.
Sabe a minha última babaquice, Janice? Ser poeta, menina. Vou escrever poemas. Quer imbecilidade maior? Se o lesado já é ruim de prosa, imagine de poesia? Isso é segredo, amiga velha, mas alimento a birutice faz um tempão. Estou lendo a Marize Castro, a Nina Rizzi e a Carmen Vasconcelos. Essas três mandam bem nas palavras. E as palavras obedecem, acredite. A poesia delas não é aquela assim, assim, como se diz, insossa não. É leitura com ardor, acompanhada do delicioso sal poético entranhando de prazer a alma da gente. São palavras com o frescor de temperos verbais fazendo salgar de gozo a caixa de nossos sentimentos.
Mas a verdade é dura. Nada dessas atitudes, amigos, está atenuando a burrice deste desastrado. A prosa teima em soltar o consolo, a maneira de redigir não se desprega da chupeta, e a imaginação já ficou de bico torto de tanto bicar o bico. Quando o ameninado aqui vai se livrar dessas criancices literárias, só Deus sabe.
Querem uma prova da infantilidade? Estou me dando conta, e espero o devido perdão, de franciscana carência estilística nesta prosinha. Falta-lhe um negocinho pra lá de comum, uma liga morfológica, um ão nosso de cada dia. Todos os textos o usam, mas a obtusa mente deste acriançado o aboliu. Já tinha percebido o aborto sintático, minha nobre?
Não vejam afetação nisso, por favor. Entendam como comportamento de impostor literário e percebam na brincadeira o último suspiro de alguém louco, não digo para adquirir, mas ao menos não perder nenhum dos 50 leitores.
Vamos fazer um trato? Caso tenha descoberto de qual idiotice gramatical estou falando, você deverá rir e me ler mais algumas vezes. Ler outras prosas, quero dizer. Do contrário, deverá me por na lixeira e me mandar praquele canto.
Dou-lhe 2 minutos. Fechado? Então? Escrever é ou não é um ato impune?
Até mais ver.

Tião