sábado, 24 de março de 2012

CHICOTADAS NA - E DA - PROFESSORA


CHICOTADAS NA - E DA - PROFESSORA

“C, h, e... Che; c, h, e... Che; c, h, i... Chi; c,h, i... Chi”.
Apurei as ouças e parei. Ficara seduzido pelo charme daquela voz. Tão limpa e feminina, sensual, até, estava por ver. Ou por escutar. Escutar, porque... Bem, vou explicar.
Moro parede e meia com um colégio estadual. Ontem à noite, estava sozinho em casa, silêncio completo, vou à garagem apanhar um livro que deixara no carro, então ouço aquele galante som professoral. Escoro-me no capô do carro e fico assistindo à aula. Aula de alfabetização, deduzi pelo che e chi. De adultos, percebi pelo timbre de voz dos alunos. De adulto cabido, um deles, ao menos, concluí ao perceber a capciosidade de certas perguntas.
Embevecido com a aula-palestra, pois agora os assuntos estavam transitando por diversas matérias, abasteço-me com caprichada dose de uísque, puxo uma cadeira, sento-me e fico gravando a aula.
“Professora Salomé, a senhora...”
Não escutei a pergunta do aluno atirado,

domingo, 18 de março de 2012

IMPLICÂNCIA


Implicância

            Não atino por que a pestinha da implicância vive a chicotear nossa mente. Só sei que ela chega de fininho, faz-se de brincalhona e tome ferroada. Quando percebemos, lá estamos a implicar com as mais tolas situações. Não me refiro à intolerância depressiva, irracional, mas à birra burlesca, controlável. Se bem que o sujeito precisa estar atento a fim de que a implicância não o contamine em áreas vitais, a exemplo do que aprontou com um amigo. Contou-me ele:
- Tião, cara, preciso de uma porçãozinha de autocontrole.
- Por que, meu nobre?
           - Porque... Veja, estava num evento literário, conheci uma escritora, começamos a papear, saímos para um barzinho. Tião, bicho, a mulher, liberadíssima, um boeing de feminilidade, está entendendo?

quinta-feira, 15 de março de 2012

SIMPLESMENTE LUNA


SIMPLESMENTE LUNA

          Luna não tirava a vista da piscina – tampouco do Bezerra. Da piscina, para ver em que local a Minervina ia aparecer. Do Bezerra, a fim de observar a reação dele quando a Minervina aparecesse. Luna era vizinha da Minervina. As casas se comunicavam por uma passagem localizada perto do bar da piscina. Protegida por um portão de madeira, a abertura encontrava-se livre naquela manhã. O duplo desleixo - da empregada, que a deixara fugir, e dos adultos que deixaram o portão aberto – proporcionou à Luna o interesse pela aventura: chegara à piscina bem na hora do mergulho da Minervina. Quis mergulhar também, foi ao local donde a Minervina pulara, olhou o azulão, balançou-se e... Ouviu o latido do Bezerra.
Bezerra pensa que sou besta. Pensou que eu ia pular. Sou novinha, tô ficando velha, mas doida não, Bezerra.
Ah, a Minervina saiu perto da churrasqueira. Pelo rosnado,

sexta-feira, 9 de março de 2012

BOLO LITERÁRIO


Tenho o costume de levar um bolinho de batata (uma delícia, gente. Encheu a boca d’água, não?) para os colegas de trabalho. O bolo vai sempre acompanhado de um texto, cuja leitura é o ingresso para saborear o bolo. Os avessos a leituras me dão um quinal e comem a guloseima de graça, mas isso é outra história.
Bom, veremos o que escrevi ontem, Dia Internacional da Mulher. Não significa homenagem a elas. São simples e descontraídos microcontos com incursões no universo feminino. Em apologia DELAS, há alguns textos aqui em embaixo. Sugiro CRÔNICOS ASSALTOS E O ASSALTO DA CRÔNICA.
Vejamos agora a brincadeira:

Olá, minhas nobres,
Como sabemos, microconto é uma espécie de conto muito pequeno. Embora a teoria literária ainda não o reconheça como um gênero literário à parte, fica evidente que as características do MICRO são diferentes das de um pequeno conto. Naquele, muito mais importante que mostrar é sugerir, instigar e deixar com o leitor a tarefa de preencher as elipses narrativas e entender a história por trás da história escrita.
Augusto Monterroso, guatemalteco, é apontado como autor do mais famoso microconto, escrito com apenas trinta e sete letras: Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.
O estadunidense Ernest Hemingway é autor de outro famoso microconto. Com apenas vinte e seis letras, ele nos faz pensar numa trágica história familiar: Vende-se: sapatos de bebê, sem uso.
Então! Vamos de bolo literário? Boas mordidas e boa leitura.

1. Pecador – Fizeram tudo no dia 8, em 8 minutos, no maior blá-blá-blá, rindo. Do amor bolaram a paixão, jogaram um balde daquela calda quente em cima de nós e se danaram a rir. Senhor – Vocês não falaram nada? Como? Imobilizados pela chave de braço, pelo mata-leão, pelo jogo de pernas, pela falta de ar? Só nos restava gemer: Ai... Ai... Ai... (Guerra dos sexos, Tião).

2. Cheirosíssima, ameninada, fez um risinho, babou-se, não resistiu... Tascou na boca... Mordeu.  – Ui! Nossa!! E aí? Gostou? – Pois diga! Cadê os dentes? Fez uma careta, todos riram, a mãe beijou-a, botou-a no colo e comeu o pedacinho do bolo. (Reunião de família, Tião).

3. O capim jaz solitário. O pé de Gabiroba olha de soslaio: “caraio!” Por pouco não foi pro balaio. Foice. (Foi-se, Sandra, Recanto das Letras)

4. Lembrou-se da noite anterior, lembrou-se que ele se foi  e disse pra imagem refletida: o amor acabou... Então, pensou... Às favas com ele!   Eu me sou e eu me basto. Pensou mais um pouquinho e resmungou... Só falta eu me convencer disto. E começou a escovar os dentes. (Olhou-se no espelho, Zélia Maria Freire, Recanto das Letras).

5. Santa mãe! Até que enfim! Que solzão é um, meu Deus! Será que as cotoveladas valerão a pena? Espero não me arrepender. Droga! Já? (Abençoada e uterina disputa, Tião).

6. Brigaram tanto que morreram ensanguentados, porém abraçados. – Verdade? - Mentira, meu! Tás nessa! Daí a um tempinho voltaram pro agarra-agarra. (Briga de gente grande, Tião)

7. Casal assistia "Estômago". Ao final, o homem: - A mulher passou o filme comendo e sendo comida. A acompanhante: - Achei que apenas ela comia. (Comida, Luzia, Canto do Escritor).


 8. Senhor, o exame exige imobilidade total. Sua sogra é capaz de ficar sem se mexer? Claro! Ela só mexe a boca quando quer encher o saco. (Exame, Rubo Medina, Recanto das Letras).


9. A coitada se achava... Posava de superior achando que era amada. Mal sabia que a educação que não tinha, os outros usavam para suportá-la. (Pontos de vista, Leila, Canto do Escritor).

Parabéns e beijos pras meninas, as lindas e as extremamente lindas, internacionalmente homenageadas no dia de hoje. Até pela belíssima LUA, já notaram? (Pros marmanchos nem água, ou melhor, só bolo, embora eu não seja machista),

8/3/2012,
Tião
uas




quinta-feira, 1 de março de 2012

O DIA DELAS E A SENHORA DOIS



O DIA DELAS E A SENHORA DOIS

Sabem vocês que mantenho o tolo costume de escrever sobre certos simbolismos. Servem de exemplos: Dia Internacional da Mulher, Dia das Mães, Dia Mundial do Idiota. Os dois últimos podem até ser esquecidos. Mas se nada redigir acerca do Dia Internacional da Mulher, a porca torce o rabo. Não só a porca, tampouco apenas o rabo. Caso deixe o DIM passar em branco, gente, Zizi e Zazá, o indicador e o maior de todos, meus dedos prosistas, ficam emburrados, torcem o nariz, tornam-se avermelhados e ficam pretos de tanto me coçar. Pouco lhes importa se eu não estiver inspirado. Tenho de transpirar a mil, como agora, e prosear qualquer besteirinha a fim de sossegá-los. A primeira vez - e última - que os contrariei, fui tachado de idiota.
A propósito,