segunda-feira, 30 de abril de 2012

SOBREVIVÊNCIA


SOBREVIVÊNCIA

Aquela impressão o tornava tão... Ui!

“Nossa! Venha cá, Miguel. Rápido, rápido”, alarma-se o Fernando, enquanto põe as orelhas do velho nas pernas, beija-lhe a face e abana-lhe o dorso com um jornal amarelado.
“Que foi, que foi, Fernando? Meu Deus! Não podemos deixá-lo morrer. O que faremos, meu mano?”, diz o Miguel, martirizado com a cena.
Nisso, chegam a Lia, o Tói, o Cascudo e a Lice, os irmãos que se encontravam em casa.
“Vá chamar a mãe, Lia. Pare de choramingar, Tói! E você, Cascudo, vê se apaga esse maldito charuto”, ordena o Fernando, assumindo o comando da situação, já que era o irmão mais velho.
- Mãe tá num congresso, Fernando. Vou chamar a vovó. Ela tá batendo roupa no rio.
- Então vá logo, mulher de Nossa Senhora. Peça que a vovó traga uma meizinha pra ele, viu? Oh, Lice! Não chore, minha irmã. Vá com a Lia, vá!
- Mesinha? Pra que mesinha, Fernando?
“Que mesinha que nada, sinha tonta. Meizinha, chá, remédio caseiro”, esclarece o Cascudo.
Enquanto esperam as mulheres, os irmãos ficam na cabeceira do velho e danam-se a bramir contra os tempos modernos. O Tói se afasta e volta com uma vela no preciso momento em que as netas retornam com a avó:
 - Que é isso, que é isso! Guarde essa vela, Seu Tói. Saiam de perto dele. Não veem que tal comportamento só o deixa mais capiongo? E que é exatamente isso que os magnatas querem. Alegrem-se! Esse velho não vai morrer nunca, meus netinhos. Ainda vai prosear muito. Para um bocado de gente, ele pode até ficar deitado, mas aqueles de sensibilidade haverão de mantê-lo em pé.
Alguém me diz como aconteceu o chilique?
- Ele estava na internet, vó, a ler um relatório numérico, aí...
- Basta, Fernando. Já entendi. O dissimulado está tão somente desempenhando o papel dele. Agora me deixem passar essa misturinha na careta enrugada desse sonso.
A senhora embebe a mistura num chumaço de algodão, começa a passar no rosto do velho, mas se volta para o Miguel:
- Que groló é esse, vozinha?
- É água benta com azeite, meu neto.
O Miguel bolina o queixo, revira os olhos, emprenha a bochecha, começa parindo um risinho, torna-o escandalosamente adulto e, quando se dão conta, todos estão numa risadeira só, conquanto apenas o Miguel soubesse da causa. Ele explica, gaguejando:
- Água meus netinhos, azeite senhora vó!
A risadaria dobra, agora com a adesão do antes moribundo Sr. Livro. Abraçados, o Sr. Livro, D. Literatura e os netos fazem uma dança de roda e tome comemoração.
“Entrou por uma perna de pato e saiu por uma perna de pinto”, repetiam, adoidados.
Foi assim, sim!

Tião Carneiro

sexta-feira, 27 de abril de 2012

INTUITOR BIÃO - UM HOMEM DE PALAVRA


Olá, colegas,
Em algumas postagens no http://www.pocilgadeouro.com/, tenho me reportado ao meu segundo livro, o Intuitor Bião – um Homem de Palavra. Pois não é que o bicho acabou de sair? Ou melhor, de entrar? Ele está aqui, ó: http://www.protexto.com.br/livro.php?livro=425.
Se quiser comprá-lo, sinta-se à vontade. Caso prefira, pode adquiri-lo de mim. Mande um imeio para tcarneirosilva@gmail.com ou ligue 8741-1610. Beleza? Pela editora, o livro sai por R$ 73,00, considerando o frete. Comigo, o danadão fica por R$ 50,00, já que estou repassando o desconto que  a editora me dá. Mas fique à vontade. Inclusive pra não comprar. Devo receber o romance daqui pro dia 10 de maio. Reserve logo seu exemplar, visto o best-seller estar bombando (tá rindo de quê?). A primeira edição esgotou-se antes de chegar à rua, acreditam?
Não farei lançamento, pois não quero que se veja obrigado a ir ao evento apenas porque é meu amigo. Livrarias? Por enquanto, não. A editora tem um programa de “Livrarias Parceiras”. Estamos tentando viabilizar esse projeto. O certo é que queremos fugir da humilhante consignação imposta ao autor por essa modalidade de venda.

Leiam as orelhas do livro e em seguida uns trechinhos das idiotices literárias.

“Palimpsesto é um texto sobre o qual se descobrem escritas anteriores. Neste livro, o escrevinhador Tião Carneiro nos presenteia, com grande maestria, algumas cartas e mensagens que podemos considerar como um palimpsesto, pois cada palavra tem um significado diferente, escondido. Ao longo da história, certos personagens, exímios usuários da intuição racional, irão desvendar as reais intenções de seus autores, o que irá fascinar quem estiver saboreando este livro.
Os acontecimentos se sucedem no meio deste século, em 2049, e predizem um futuro incerto para a humanidade. Quem viver, verá!”

Fernando Carlos Daiha Nunes da Silva
Escritor


“Tião Carneiro é homem de palavra. Fruto da sua fluência verbo-gráfica, e passando bem longe da verborragia, não há, aqui, “palavrinhas inúteis, perdidas”. As palavras caem nas páginas deste livro como água em cachoeira, levando o leitor, em imersões literárias, compulsórias no início, a pescar, numa bela manobra romanesca, episódios presentes no livro A Senhora 2 e o Senhor 2, do mesmo autor. Passada a aprazível turbulência, os mergulhos serão espontâneos, conduzidos pelos intuitores Bião e Simas, que esclarecem verdades escondidas nas entrelinhas do texto. Não há palavras perdidas. Mesmo a brincadeira com o nome de personagens e de lugares não é sem propósito: traz à tona uma contundente crítica social, protagonizada pela personificada D. Internete. A cada mergulho, o leitor é fisgado por uma surpresa. É mesmo surpreendente. Haja fôlego, mas vale a pena. Muito.”

João Felipe Filho
Escritor


Agora vou lhe apresentar um dos principais personagens, o Bião.

Bião tem um metro e quarenta e oito centímetros, pesa 45 quilos, usa cabelos compridos, encaracolados. Os olhos são amarelados. As pernas. Ah, as pernas! Bião tem pernas de sibite. São tão grossas que as dos pardais daqui do Arruda ganham de goleada das dele.
O desgraçado do Bião não joga sequer um grama de disfarce na genética feiura. Pelo contrário, levanta toneladas de esquisitices para se tornar mais feio. Ninguém o vê sem uma camisa compridona, quadriculada, tipo toalha de mesa, bastante comum na roça de antigamente. As bermudas do espantalho são todas coloridas, cada uma com no mínimo oito bolsos. Outro acessório do qual o Bião não se separa são os óculos. O galã adora óculos escuros.


Leia o que o Bião disse a um de seus interlocutores.

“Escreva como lhe convier. É um direito seu. Mas reserve-me o direito de ser como sou, tá legal? Não sou escritor, seu doutorzinho e literato de merda. Sou intuitor! Intuitor! Intuitor! Ouviu bem? Escritor apenas flerta com a intuição. Intuitor é amigado com a intuição. Sacou, meu?”

Veja uma partezinha erótica do livro

Tudo bem até aqui, Simas? Vamos adiante. Na véspera de o Simas depor na CPI, ele e a Carlinda chegam ao apartamento onde o Simas está hospedado. Preparam-se para dormir. Carlinda retira um terno azul da bolsa, deixa-o sobre a cama e começa a se despir. Carlinda está usando, Marcão, assim o Simas me disse, um vestido longo, sensualíssimo, verdinho.
Ela começa a se desfazer do vestido, mostrando, aos pouquinhos, a estrutura da devassidão. Depois se desfaz do sutiã, também verdinho, mas amarelinho de inutilidade, já que os avermelhados biquinhos, de tão róseas e rochosas tetas, não acusam necessidade de suporte algum. Por último ela tira as meias, branquinhas, tão imaculadas quantas as imaculadas, lisinhas e adoráveis coxas. Simas deve ter se enganado com a sequência dos colíricos atos, meu amigo Marcão, visto o glorioso espetáculo sempre começar pelo abandono das meias. Em seguida...

Quer mais? Então...

Um abração, gente,
Tião Carneiro

domingo, 15 de abril de 2012

DE OLHAR


DE OLHAR

Há poucos dias escrevi um texto sobre implicância. Implicava com os capacetes usados por políticos e administradores em visitas a determinadas obras. Não sei se aí onde você mora é assim, meu nobre, mas aqui em Natal, por conta da Copa, todo o santo dia os jornais escancaram fotos de políticos e afins a fim de mostrar serviço com capacete no quengo. Em alguns até que a couraça assenta legal, visto guardar perfeita sintonia com a cara de pau do dono da cachola. Mas isso é outra história. O motor de minha implicância se baseava... Quer saber, se quiserem conhecer os motivos “capacateiem” aqui, na velha IMPLICÂNCIA.
Minha implicância agora segue o mesmo diapasão dos capacetes (diapasão, que bela palavra, hein!). Ou seja, fotografias. Passo horas aqui em meu cantinho a folhear revistas e jornais a procura de fotos. De gente, sim, porque de cachorros e gatos, pela sinceridade exposta, não têm graça alguma. Bons mesmos são os retratos dos humanos.
Convido-a, minha nobre, para apreciar as colunas sociais dos jornais de sua cidade. Comece pelo arreganhado dos dentes. Evidentemente que dos fotografados - os seus somente serão mostrados se conseguir rir depois de analisar a pouse dos pousados. Dos dentes, passe para os olhos. Feito isso, dente por dente,

segunda-feira, 2 de abril de 2012

QUE COISA!



Pensava em dedogitar uma crônica sobre aniversário. Comecei com o “Batista estava”, mas vi logo que a crônica ia furar quando reli o primeiro parágrafo. Em vez de recomeçar, danei-me a viajar. Viajando, viajando, saiu este mostrengo. Não sei classificar este texto, gente. Talvez passe de raspão num continho, tire fino num romacinho, beije um personagem de alguma novelinha. Mas crônica certamente não é.
Quiçá uma besterinha? Ou besteirona? 14.534 caracteres. Quem se habilita? Aguardo resposta.

QUE COISA!

Batista estava completando quinze anos naquele dia. Acordou com o carinho materno: “Meus parabéns, filho. À noite tem um bolinho, viu?” Batista sentiu o beijo, abriu os olhos, balançou a cabeça, percebeu as lágrimas da mãe, apertou-lhe o braço. Remexeu-se. No beliche e na mente:
Dormira mal. Pegara um cochilo quando os galos iniciaram a cantoria, como se deles tivesse apanhado o sobejo do sono. Batista andava meio inquieto ultimamente. Mas perder o sono fora a primeira vez. Tudo por causa da lourinha. Depois daquele encontro, Batista começou a sentir aquelas sensações ruins. Ruins, porém boas. Ruins, porquanto se tornava secretamente nervoso. Boas, posto que de extrema satisfação o formigamento que lhe impunha o nervosismo.
Simples gesto, seguido de peculiar agradecimento, escoltado