domingo, 15 de abril de 2012

DE OLHAR


DE OLHAR

Há poucos dias escrevi um texto sobre implicância. Implicava com os capacetes usados por políticos e administradores em visitas a determinadas obras. Não sei se aí onde você mora é assim, meu nobre, mas aqui em Natal, por conta da Copa, todo o santo dia os jornais escancaram fotos de políticos e afins a fim de mostrar serviço com capacete no quengo. Em alguns até que a couraça assenta legal, visto guardar perfeita sintonia com a cara de pau do dono da cachola. Mas isso é outra história. O motor de minha implicância se baseava... Quer saber, se quiserem conhecer os motivos “capacateiem” aqui, na velha IMPLICÂNCIA.
Minha implicância agora segue o mesmo diapasão dos capacetes (diapasão, que bela palavra, hein!). Ou seja, fotografias. Passo horas aqui em meu cantinho a folhear revistas e jornais a procura de fotos. De gente, sim, porque de cachorros e gatos, pela sinceridade exposta, não têm graça alguma. Bons mesmos são os retratos dos humanos.
Convido-a, minha nobre, para apreciar as colunas sociais dos jornais de sua cidade. Comece pelo arreganhado dos dentes. Evidentemente que dos fotografados - os seus somente serão mostrados se conseguir rir depois de analisar a pouse dos pousados. Dos dentes, passe para os olhos. Feito isso, dente por dente,
olho por olho, contemple o conjunto facial. Em seguida você me diz quantos sorrisos forçados notou, quantos risos soberbos contou, quanta sinceridade risonha observou. A sinceridade você verá nos olhos do clicado. Os olhos não mentem nem que a vaca tussa. Ainda que haja uma galera que dê uma tossidinha básica e finja a mil por hora. Vale a pena perder uns minutinhos e observar certas fotos, viu?
Rola muito sorriso falso nessas fotos, gente. Pouco importa o motivo, posto o nosso olhar aqui não ser o de julgador, mas tão somente o de observador.
Bom, pretendia falar mais alguma coisa sobre a implicância com o olhar das fotos, mas ficarei por aqui. A razão é simples, pessoal. Vou explicar. Eu tinha cerca de 10 leitores. Dava-me por satisfeito, até porque não sou escritor, e sim reles rascunhador de babaquices. Embora escreva para o contemplar mangoceiro de minhas risadas e a fim de acolher o olhar zombeteiro de meu ego, não serei hipócrita de dizer que não estarei nem aí para um carinho literário. Gostava, sim. E gosto. Não vou mentir! Então! Meus 10 foram escasseando, escasseando, escasseando e... Escasseou de vez. Hoje tenho apenas três. Três e olhe lá! Foi só criar um blogue e até os olhares por cima do ombro sumiram.
Pois bem, encontrei-me com um dos escasseandos domingo passado. Começamos a tomar um gela, aí lá pras tantas o escasseador mirou-me com um olhar quebrado e abriu o jogo.
“Depois do blogue, Tião, teus textos ficaram grande demais, bicho. E sem nexo, de mais a mais. Um saco te ler, cara.” Entenderam agora por que brequei o fluxo besteiral?
Tive uma raiva do bicho! Olhei-o de cima a baixo e... Bom, deu-me uma vontade ferina de sair na porrada com o peste. Tive e deu-me, mas amarelei, juro. No mais das vezes sou frouxo assim. Sorte foi a namorada do olhar de peixe ter posto um olhar lânguido pra mim e ter batido uma foto do azoreta. Havia pouquinho tempo eu estava olhando a careta do safado. Ora achava que os olhos dele diziam a verdade, e minhas prosas estão realmente um saco, ora percebia o fingimento do olhar, e me via aliviado.
De qualquer forma, sinto-me precisando de um freiozinho. E de ficar mais atento às fotos. E de ficar na minha quando as críticas chegarem. E de lhe agradecer o olhar de ternura.

De olhar para o futuro e de olhos abertos,
Tião