sexta-feira, 13 de julho de 2012

E(LEITOR), SEU DANADO - QUER UM LIVRO DE PRESENTE?


E(LEITOR), SEU DANADO!- QUER UM LIVRO DE PRESENTE?

“Foi, Galego”, disse Assis de Maria de Paulo, entrando na conversa que estava alvoroçando São Mateus, cidade interiorana do Rio Pequeno do Norte, estado situado no nordeste de Andiroba, país beijoqueiro do Brasil.
“Pede um guizadinho com cuscuz pra mim, Galego”.
Galego gritou o pedido e voltou-se para Assis.
    Como foi isso, Assis? Mataram Pedrão de emboscada, foi?
    Homem, tu não sabe de nada mesmo, não é, Galego?    
-  Sei não, porra. Tô por fora de tudo.
— Pois diga! Então se segure na cela. Não mataram só Pedrão, não, rapaz. Mataram também Bastos de seu Luís Gabrié e a mulher dele.
— Minha Nossa Senhora! Foi mesmo, Assis? Eles tavam juntos, era? A mulher de seu Luís Gabrié tinha uns oitenta ano, não tinha? De que hora que foi isso, Assis?

— Não mataram D. Luzia não, Galego burro duma figa. Mataram a mulher do Bastos, Santinha. Dizem que foi de quatro pra cinco horas. Os galo já tavam amiudando! Pedrão tava chegando em casa. Santinha e...
“O guizadinho, Galego”, gritou Isabel, a cozinheira. Galego foi apanhar o guizadinho, o que obrigou Assis a falar bem alto:
— PEDRÃO TAVA CHEGANDO EM CASA, GALEGO, AÍ DERAM UM TIRO NA CABEÇA DELE. SANTINHA E BASTOS IAM PEGAR O MISTO PARA SÃO MARCOS, AÍ O CARA QUE ATIROU EM PEDRÃO TAMBÉM ATIROU NELES. DEVE DAR NA TELEVISÃO DAQUI A POUCO, GALEGO.
- Ave Maria, Assis.
Assis acabou de tomar café e pediu a despesa:
- Passa a régua, Galego.
Papelzinho na mão, meio encabulado, Assis foi ao caixa:
- Junte aí, seu Zé Antônio, amanhã eu acerto tudo, tá?
- Assim não dá, Assis. Já não lhe disse que não posso mais vender fiado, seu teimoso?
    Mais seu Zé...
— Não tem mais nem menos, Assis. Não fique com raiva de mim não, mas o seu prego tá muito grande. Bom, vá com Deus. Você já encheu o bucho mesmo!
Assis sabia que ia levar aquela bronca de seu Zé Antônio, mas estava tão faminto, nem jantara na noite anterior, que só lhe restava o constrangimento público. “Amanhã, o apurado da feira é todo de seu Zé”, planejou, saindo de cabeça baixa.
Não percorreu trinta metros, a cabeça baixa de Assis avistou uma reguinha na calçada, ao lado do hidrômetro da residência de D. Lúcia. Riu sem graça, lembrando que tinha pedido a Galego que passasse a régua na conta. Assis deu três passadas e voltou a fim de apanhar a régua, já que a danada lhe parecera novinha. Pegou-a, estranhou a medida de 13 centímetros e arregalou os olhos. Como querendo se desvencilhar do hidrômetro, doida pela liberdade, estava uma cédula de cinquenta cruéis, novinha em folha. Ainda bem que eu vinha de cabeça baixa, alegrou-se Assis, botando a nota no bolso, esquecendo a reguinha, retornando à lanchonete:
    Quanto que dá a minha conta, seu Zé?
- Por que tu quer saber, Assis? Tu não vai pagar mesmo agora?
— Vou, seu Zé! O senhor não mandou eu ir embora com Deus? Pois foi só eu chegar na frente da casa de D. Lúcia e adivinhe o que achei? Cinquenta cruel, seu Zé. Olhe aqui, ó! Tava pertinho duma régua bem novinha. Agora, se foi Deus ou Diabo que botou o dinheiro lá eu não tenho como saber, seu Zé.
— Homem! Não misture Deus com o Diabo, não, Assis. Que cabrinha de sorte...
Seu Zé Antônio atravancou a frase e ficou de queixo caído com a coincidência, pois assim que Isabel chegou à lanchonete foi logo dizendo que havia achado uma nota de cinquenta cruéis. A cozinheira lhe mostrara uma nota tão novinha quanto à do Assis. Tinha mais uma coisa. O dinheiro de Isabel estava pertinho duma régua de 13 centímetros, assim ela lhe segredara.
“Pedrinho do cartório também achou uma nota dessas, Assis”, disse um cliente. “Francisquinha de Luís borracheiro e o doido do Risadinha também acharam uma”, falou seu Quincas da funerária.
Verdade é que a bela São Mateus acordara balada e baluda, vestida do preto de luto e adornada no dourado do dinheiro. Muita gente estava encontrando cédulas de cinquenta cruéis pertinho de réguas de 13 centímetros. A lanchonete estava lotada, mas em dois minutinhos esvaziou. Até Jânio, que diziam ser rico, simulou uma dor de barriga, esqueceu um troco de dois cruéis e saiu se contorcendo.
Para embaralhar a cachola dos supersticiosos, tristeza e alegria chegavam na enevoada manhã da sexta-feira 13 de agosto de 1999. Pela primeira vez, gente, fazia neve em São Mateus. Bom, dali a meia hora, o que tinha de neguinho batendo o queixo nas ruas de São Mateus, passeando encurvado, sorrindo à toa, não estava no gibi de nenhum Alex. Sem dúvida, grande espetáculo da democracia.
Cabe a pergunta. Quem jogou aquela grana na sortuda São Mateus? Quem espalhou a dinheirama, pessoal, foi um candidato a prefeito da cidade. Explico-lhes. Em outubro, haveria eleições. Então o candidato do PEI-TEU...
Urge esclarecer a origem da sigla PEI-TEU, não? Sucede o seguinte. De acordo com a legislação eleitoral de Andiroba, as agremiações partidárias andirobenses precisam ter o prefixo PEI na denominação. PEI significa Partido da Esperança Imortal. Esperança, amigos, é ferro cultural do povo andirobense. O cidadão vota na esperança de dias melhores, mas esses dias dão ferroadas na esperança e ficam se renovando piores. Não que o andirobense não saiba votar. Não é isso! Os candidatos é que sabem fingir. Isso sim! Antes, o cara é um poço de integridade; depois, uma cachoeira (não resisti) de maldade. Fazer o quê? Ter esperança, não é, não? Ao contrário do que dizem mundo afora, a esperança de Andiroba não é a última que morre. Ela simplesmente não morre. É imortal, pois.
Existem 34 partidos políticos em Andiroba. 4 tinham candidatos a prefeito de São Mateus na eleição de 99. O PEI-TEU, o PEI-MEU, o PEI-SEU e o PEI-DELES.
Bem, como estava a dizer, o candidato do PEI-TEU foi quem espalhou essa dinheirama na cidade. 4 mil cédulas de 50 cruéis, caro leitor eleitor. Isso tão somente como propaganda subliminar, daí o derrame no dia 13 e a reguinha com 13 centímetros, o número do filantropo futuro prefeito. De mais a mais, o filantropo candidato era podre de rico, de forma que 200 mil cruéis era fichinha pra ele.
Agora, segundo os adversários, nosso altruísta candidato tinha terrível defeito, notadamente quando discursava. Gostava de passar em rosto o que havia dado (ops! Foi mal, desculpem) aos eleitores:
“Fizemos a festa de formatura do colégio X, demos tênis torreados das mais seguras travas para o time de futsal Y, construímos o templo religioso para congregação Z”. E por aí vai. Ou ia!
Agora, justiça seja feita. A fortuna dele era – e é - merecidíssima, eleitor leitor. O candidato é um sujeito que vem dando duro na vida, haja vista estar na espinhosa política partidária há muitíssimo tempo. É um sofredor. O coitado vive tomando o café que a diaba coa, almoçando o feijão que o coisa-ruim cozinha, jantando o pão que o diabo amassa.
Bem, não pretendo falar de política, eleitor leitor. Quero lhe presentear com um de meus livros, o A Senhora 2. Você adquire meu segundo romance, o Intuitor Bião, então lhe dou o A Senhora 2, entendeu?
Só tem uma condição, meu nobre. Você precisa me dizer o nome do candidato. O ricão do PEI-TEU que derramou a grana em São Mateus. Nome e sobrenome, é claro. O nome do danado está neste texto - pode estar num anagrama, numa sequência lógica de informações, num palíndromo. Alerto para o seguinte. Nosso candidato é famoso e hoje faz política no Brasil, ou fazia, expulso que foi de Andiroba. Mas isso é outra história, viu seu danado?
Responda-me pelo imeio tcarneirosilva@gmail.com
Terei o maior prazer de lhe enviar os dois livros. Mas um você paga, lembre-se.
Um abraço e bom voto,

Tião Carneiro