quinta-feira, 5 de julho de 2012

SISTEMA, SEU DANADO!


SISTEMA, SEU DANADO!

Sabem vocês qual é a palavra mais poderosa da língua portuguesa? Não? Não é Comunicação, como sempre imaginei. Chama-se sistema, pessoal. Mas sistema faz parte do Sistema comunicativo, dirão, e com razão, os senhores. É verdade. Mas o que quero dizer é que Sistema é o mandachuva da comunicação, o único representante dela que tem a coragem de mostrar a cara, de quem muitos se aproveitam, e bote muito nesse muito, para justificar as safadezas, desculpar-se das incompetências, eximir-se das imoralidades.
Sistema corta dos dois lados,
sabiam, meus nobres?
Tome-se como exemplo o futebol, o jogo de ontem - Corinthians dois Boca Juniores zero - vitória que servirá para o Timão ir a Tóquio a fim de que lhe seja tirado o resto do cabaço de campeão mundial, já que aquela disputa (ops) no Brasil não valeu, porque tão somente uma cosquinha.
Pois muito bem, ou pouco mal! O que tem de neguinho dizendo que o sistema dos corintianos deu um nó tático (adoro nó tático) nos Bocanos não está escrito. Outros dizem que a bola do viril sistema do Boca não soube penetrar na cautelosa baliza dos Gaviões. Certo é que o voo (olhem o Sistema ortográfico, gente!) dos Gaviões foi tão vigoroso que fez tremendo rombo na terra: saiu do Brasil e apareceu no Japão.
Então, o dar pra lá dar pra cá da bola paulista fez o pobre sistema se passar por gilete, né não.
Exemplo de política? Não seja por isso. Viram o Lula e o Maluf se abraçando? Pois então! O sistema, que antes fez os caras trocarem libidinosos tabefes verbais, deixando-os nus de civilidade, hoje, em pouco mais de um minuto e parcos segundos, os veste de indecência ética.
Então, o nu de princípios e o manto de pragmatismo fizeram o infeliz do sistema se passar por gilete, né não?
Bom, ia ficar por aqui, mas, ao me levantar a fim de tomar um cafezinho, o danado do Sistemão começou a rir de mim. Estirou-me o dedo assim, ó! Vejam:
Levantei-me e vi a Cosern olhando o medidor de luz de minha vizinha de frente, que, por sinal, estava aqui em casa. Existe, sim, vizinha de frente, ora! “Corre, Amanda, a Cosern vai cortar a tua luz”, alertei-a, brincando, naturalmente. Pois não é que era verdade?
Amanda, gente, tinha pagado em duplicidade a luz de abril. A de maio veio normal e a de junho praticamente zerada, compensada que fora com o pagamento duplo. Só que esse pagamento não entrou no sistema da Cosern. Amanda correu, na chuva, diga-se, explicou a situação, mostrou a conta quitada, tudo bonitinho.
“Acontece que temos ordem de cortar, senhora. O sistema não considerou seu pagamento”, disse D. Cosern, insensibilidade em pessoa, desconsiderando a honestidade da pontual Amanda. “A senhora pode ir à minha sede e reclamar. Ou antes de ir pagar de novo, o que aconselho, pois assim fica mais fácil a luz ser religada ainda hoje. Depois a senhora será ressarcida”.
Falou, torceu o pescoço da cidadania, botou-o no bisaco da prepotência e cortou a luz da Amanda. “Ah, na próxima conta virá 26 paus da taxa de religação”, disse D. Cosern. Ironizou mas prometeu compensar a grana na próxima conta. Prometeu, sim!
De quem foi a culpa da escuridão na residência da Amanda? Do escroto sistema, é claro! O sistema burocrático, cruel e boiola, ganhou do sistema prático, humano e fidedigno.
Não vou falar do Sistema de Educação, tampouco do de Segurança, menos ainda do de Saúde, visto estar com o sistema nervoso a flor da pele.
Sistema, seu danado!

Até qualquer dia, gente,
Tião Carneiro