quinta-feira, 9 de agosto de 2012

BEM, O AMADO


BEM, O AMADO

          Tenho alguns amigos pra lá de esquisitos. Essa esquisitice, aliás, é tão somente o troco passado a mim em razão de minha crônica excentricidade. Excêntrico dum lado, esquisito do outro, seguimos o dia a dia numa boa. Até porque se o cara não relevar certas coisinhas do amigo, amigo não é. Não é, amigo? Você não está abonando este texto sem futuro? Então!
Existe condenável bizarrice que não me larga o pé. A danada prende-me os pés e priva-me de visitar os amigos. Raramente os visito, apenas quando me dá na veneta, entenderam? Para você ter ideia, publiquei um livro, escrevi uma dedicatória ao amigo Canindé, mas cadê encontrá-lo a fim de lhe dar o mimo? Não sei onde o 365 (nº dele no Exército) está morando. Não nos vemos bote aí uns 15 anos.
Ao contrário de mim e, porque não, de Canindé, há um amigo, comum, por sinal, que me visita todos os dias. Muitas vezes, na hora mais inconveniente. Cinco horas da manhã e o cara, o Bem, já fica a me chamar. Bem é como o azoreta me trata. Não só a mim, mas também a todos que têm a graça de escutá-lo. Dia desses, discutimos feio. Tudo porque o magricela passou vários dias me chamando na base da cantoria. Com olhos remelados, levantei-me e lhe disse poucas e boas. Mas terminamos na paz, é evidente.
Outra maluqueira do avoado é dizer que viu a gente. Quando menos esperamos, ele chega de mansinho e diz que nos viu, como se tivéssemos algo a esconder dele.
Agora mesmo, 10 e 12 da manhã, acabo de digitar a expressão “esconder dele”, o amarelado de sobrancelha branca pousa no portão da área, lembra-se do dia anterior, ri pra mim e tasca:
BEM! BEM! TE VI! TE VI! BEM-TE-VI! BEM-TE-VI!
Depois voou, mangando de mim.
Também quero bem a você, tá?
Tião