sexta-feira, 28 de setembro de 2012

RINHA LITERÁRIA E A LITERATICE DA ANINHA


RINHA LITERÁRIA E A LITERATICE DA ANINHA

“Beleza, Bião? Só assim você conhece a Aninha, a nova secretária da editora”, disse o Zé Alves, rindo descaradamente.
Despediu-se dessa forma o meu inimigo íntimo, o Zé Alves, na noite de ontem. Agora eu me encontrava em pé, cara a cara com a Aninha, na recepção da famosa editora do Zé, a Atoidi. Ela repetia anrã ao telefone, e eu ficava repetindo “minha nossa” e me perguntando onde o Zé arrumara aquela mulher. Cansei-me do anrã e fui com o “minha nossa” me sentar numa poltrona, cerca de cinco metros do birô.
O anrã era o desfecho do diálogo, posto que dali a dois minutos a Aninha pôs o sem-fio de lado e olhou pra mim.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

SIMPLESMENTE MULHER


Olá, pessoal,
Vivo apanhando da internet. Não sei o que diabo fiz, mas o certo é que algumas postagens foram pro espaço. Como as tenho no word, e como gosto muito desta, porque em homenagem a minha mãe, vou postá-la novamente.
Valeu!

SIMPLESMENTE MULHER


Bezerra ficou olhando os quatros cantos da piscina a fim de ver em qual deles a mulher ia aparecer, mas na expectativa de que ela surgisse na quina da churrasqueira. Dificilmente o Bezerra errava o local onde ela aparecia. Tinha o faro muito bom pra essas coisas. Dessa vez Bezerra errou feio: Minervina saiu exatamente no ponto em que mergulhara. “Pelo jeitão de desapontado, peguei você, não peguei, nobre Bezerra?”, gritou a Minervina, sorrindo. Sorriu, dirigiu-se à mesinha do pé de palmeira, ligou um sonsinho de rádio, beijou o buquê que o marido aninhara-lhe nos seios de manhãzinha, pegou uma maçã e começou a mordê-la. Mastigava a maçã e mordiscava a imaginação, distraída.
Bezerra deu uma coçadinha básica na cabeça, estirou-lhe carinhosamente a língua e ficou a admirá-la. Ainda quis ir lá, mas preferiu deixá-la com os pensamentos. Se quisesse algum papo, ela teria vindo a ele.
O ser humano é muito esquisito,

domingo, 16 de setembro de 2012

CANGUEIROS E CANGUEIRICES


CANGUEIROS E CANGUEIRICES

           Talvez outro motorista ficasse apoquentado. Mas só fiz rir. Juro. Foi assim. Ontem, 15 do nove, trafegava pela Presidente Bandeira, principal avenida do Alecrim, bairro desta Natal, antigamente cheirosa, quando o carrão da frente freou de forma brusca. Por causa das crateras, enfileirávamos em marcha lenta. Numa boa, brecamos, eu e meus seguidores. Eu tinha percebido a montanha de lixo obstruindo um pedaço da rua, mas o carrão, não.
Distração acontece, entendo. Agora o que não deu para entender foi a luta do luxuoso a fim de livra-se do lixo. Entre mim e o importadão havia um espaço da bexiga. No mínimo dois metros. A luz da ré acendia, mas o bonitão mal rabiscava o chão. Minha carona, uma amiga, exasperou-se: “Que porra é! Que mengado é um, Tião! Vai terminar...”
Bom, depois de as buzinas atrás da gente começarem a xingar, de minhas mãos se fadigarem de falar “venha mais”, da amiga ameaçar descer do carro, o danadão conseguiu sair. Saiu, mas ainda desmanchou uma sacola de imundice.
“Vão com Deus, cangueiras”, foi

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

JANTAR EM FAMÍLIA


JANTAR EM FAMÍLIA

            A conversa estava animada. Tomavam vinho, bebiam sorrisos, sorviam prazer. Faziam hora pro jantar. Glorinha chega, troca a toalha da mesa vizinha, pede licença:
             - Trago logo o salmão ou a sopa, Dr. Paulo?
           “O salmão na mão esquerda, a sopa na direita, minha filha”, respondeu Dr. Paulo, liberando simpatia.
          Glorinha sorriu e afastou-se. Mas ficaram o viço da idade, o frescor do banho e o cheiro da colônia.
         Essa garota não aprende nunca; só não mando ela embora porque cozinha muito bem; de honestidade a toda prova; gente boa demais. Esses foram os comentários que vaquejaram até a cozinha o rebolado da gloriosa Glorinha.
         Daí a segundos, sem mais nem menos, Paulinha beijou a mãe, cochichou algo, levantou-se, deu solene boa-noite e subiu para os aposentos. Em silêncio, Bezerra (conheça o Bezerra depois) a acompanhou, mas ficou na soleira, porquanto Paulinha fez de conta que não o viu e bateu a porta na fuça dele. Pai e mãe se entreolharam. Passavam poucos minutos das sete horas daquele domingo.
Cedo demais para se recolher, interrogavam-se todos.
“Caramba! O que deu nela?”, especulou o irmão gêmeo, Paulinho, olhando para os parentes e beijando o pescoço da namorada, Rita.
“Coisa de mulher”, respondeu Dr. Paulo, o pai dos gêmeos.
“Por que de mulher? Só mulher se sente indisposta, por acaso? Que coisa!”, irritou-se D. Paula, tomando as dores da filha.
“Calma, mulher. Fiz tão somente um comentário. Que coisa!”, estendeu a bandeira branca Dr. Paulo, mas com um bastãozinho de riso.
Se por causa do risinho safado, se

sábado, 1 de setembro de 2012

COSTURAS ÍNTIMAS - UMA OBRA DE ARTE


COSTURAS ÍNTIMAS – UMA OBRA DE ARTE


Olá, gente,
Há anos, leio um cronista daqui de Natal. O cara escreve para as meninas ver. Fiz um comentário acerca de uma crônica dele (Da Carne). O texto se refere ao modismo feminino de ter “vaginas mais elegantes, sedutoras”. Abaixo, o meu comentário e a prosa do Serejo, identificada com o Aqui.

Nobre Serejo,
Meu primeiro ato ao receber o Jornal de Hoje é dá uma espiada na chamada de seu texto e no de Rubens Lemos. De lá me mando para a página treze ou dezesseis. Ontem, trinta e um do oito do doze, Rubens falava duma fotografia; você, duma vagina. Não tive dúvida: larguei a capa e corri pro treze, pra sua vagina. Aqui.
            Como sempre faço com a prosa de vocês dois, fiquei lendo devagarzinho, saboreando as palavras. Há escritos que não lemos (nada a ver com o Lemos do Rubens) simplesmente os comemos, há de admitir o senhor, caro cronista. Sou vulgar, daí nunca ter cometido o erro de desconhecer o corpo e, dele, o prazer da carne. Quando li esse enunciado a fome apertou. Apertou, mas, paradoxalmente, comecei a comer pelas beiradas, sem pressa, a exemplo do mingau, no mais das vezes de leite de cabra, que D. Minervina, minha mãe, esfregava-me nos beiços, depois de assoprá-lo, invariavelmente com o indicador. É evidente que o sopro era com a boca, pois a missão do dedo era tão somente me servir o unguento. Uma delícia!
Pois muito bem, com a boca cheia d’água, fui me enfronhando no vaginal texto. Vi-me, senhor cronista, folheando sua apologia do corpo, surpreendi-me balançando o sim de cabeça ao ler “O corpo, por maiores que sejam os pecados da carne, é coisa de Deus”, flagrei-me matutando acerca das “estratégias e invenções sobre o corpo”.
Agora, senhor cronista,