sábado, 1 de setembro de 2012

COSTURAS ÍNTIMAS - UMA OBRA DE ARTE


COSTURAS ÍNTIMAS – UMA OBRA DE ARTE


Olá, gente,
Há anos, leio um cronista daqui de Natal. O cara escreve para as meninas ver. Fiz um comentário acerca de uma crônica dele (Da Carne). O texto se refere ao modismo feminino de ter “vaginas mais elegantes, sedutoras”. Abaixo, o meu comentário e a prosa do Serejo, identificada com o Aqui.

Nobre Serejo,
Meu primeiro ato ao receber o Jornal de Hoje é dá uma espiada na chamada de seu texto e no de Rubens Lemos. De lá me mando para a página treze ou dezesseis. Ontem, trinta e um do oito do doze, Rubens falava duma fotografia; você, duma vagina. Não tive dúvida: larguei a capa e corri pro treze, pra sua vagina. Aqui.
            Como sempre faço com a prosa de vocês dois, fiquei lendo devagarzinho, saboreando as palavras. Há escritos que não lemos (nada a ver com o Lemos do Rubens) simplesmente os comemos, há de admitir o senhor, caro cronista. Sou vulgar, daí nunca ter cometido o erro de desconhecer o corpo e, dele, o prazer da carne. Quando li esse enunciado a fome apertou. Apertou, mas, paradoxalmente, comecei a comer pelas beiradas, sem pressa, a exemplo do mingau, no mais das vezes de leite de cabra, que D. Minervina, minha mãe, esfregava-me nos beiços, depois de assoprá-lo, invariavelmente com o indicador. É evidente que o sopro era com a boca, pois a missão do dedo era tão somente me servir o unguento. Uma delícia!
Pois muito bem, com a boca cheia d’água, fui me enfronhando no vaginal texto. Vi-me, senhor cronista, folheando sua apologia do corpo, surpreendi-me balançando o sim de cabeça ao ler “O corpo, por maiores que sejam os pecados da carne, é coisa de Deus”, flagrei-me matutando acerca das “estratégias e invenções sobre o corpo”.
Agora, senhor cronista,
hei de confessar uma coisinha, por isso já lhe peço vênia (Mensalão, seu danado!): estava ficando agitado, porquanto a obra de arte de sua chamada, a vagina, não aparecia. Tremendo quinal literário, pensei, pensando em ir ao Procon. Juro.
Mas eis que acaricio o penúltimo parágrafo e me deparo com a dita cuja, representada pelas costuras íntimas, as cirurgias vaginais. Diz o senhor: “O desejo das mulheres é ter vaginas mais elegantes, com relevos proporcionais e sedutores na redução do excesso de carne”. Olhem só onde essas meninas foram mexer, gente. Pelas caridades!
Fiquei a papear com os meus botões a respeito do corte inerente à raspagem das carninhas excedentes. Vai dar rolo, disse um deles. E explicou: papudas e labiúdas, essas bichinhas já vivem às turras com aquele apendicezinho masculino, imagine esbeltas e graciosas. Por nada criam aquele clima e se agarram, quanto mais agora, nossa amiga com o corte fashion, bela ao extremo, acrescentou outro botãozinho.
Concordei com os safados e vi o tal apendicezinho indo à forra. Para não ficar por baixo, certamente o nervosinho vai partir pra cima e mandar fazer um corte nele também. Um horizontalzinho viria a calhar, doutor, brincou o mais depravado de meus botões.
Sei não, senhor cronista, mas, com a segunda vênia (Mensalão, seu danado!), acho que essa gentalha – gentalha, sim - está precisando de exemplar punição. Prendamo-nas. Deixemo-nas a quatro paredes. Com o pular dos dias, elas, as vaidosas gentalhas, haverão de assimilar o castigo, desistirão de brincar com a natureza e farão as pazes. Mesmo brigando.
Mundo doidão. O senhor tem razão, caro cronista. Doidice epidêmica, de mais a mais. Pega no olhar, contamina no falar, derruba no ouvir.

Tô com pressa, nobre cronista. Tenho consulta marcada com certa cirurgiã. Até outro dia e um fraterno abraço.

Tião Carneiro