domingo, 28 de outubro de 2012

O DILEMA DE FÁTIMA


O DILEMA DE FÁTIMA

Naturalmente bela e brincalhona, Fátima estava se achando feia e ranzinza. A culpa pelo desconforto era daquele praga.
“Aquele praga” era como Fátima se referia ao ex, conquanto ela própria relutasse em se considerar ex, porquanto ficara dependente do praga sedutor. Qualquer sinal de contrariedade e lá estava o solícito aos seus pés. Daí que cinco dias de separação eram insuficientes para vê-lo somente na memória, pela boca do povo, como se diz.
Fátima decidira passar a semana santa na fazenda da avó. Via no sossego do campo emplastros para a inquietude. Encharcara-se com a água da cisterna, vestira uma roupa levíssima,

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

PRISÕES


PRISÕES
(Por Tião Carneiro)

      O rapaz não dormia direito, alimentava-se mal, vivia nervoso. Mas era uma inquietação do bem, porquanto o induzia a visualizar momentos do primitivo prazer. O pensamento único teve início depois de quase atropelar uma moça. Arranhou-se, o guidom da bicicleta ficou torto, porém a moça não se feriu. O rapaz sorriu,