terça-feira, 20 de novembro de 2012

VERBORRAGIA


VERBORRAGIA

             Esta é minha primeira postagem de novembro. O motivo? Preguiça mental. Mas uma preguiça contraditória e safada, porquanto a gozadora ficava morrendo de rir quando me via pensando. Passei esses dias pensando em três verbos: começar, parar e continuar. Parecia praga, gente. Começava a pensar, dava uma paradinha, mas dali a instantes continuava, os pestes me perturbando. Vivemos sujeitos ao humor dos três danadinhos. Cheguei a tal conclusão não faz cinco minutos. Por causa da óbvia conclusão, você pode imitar a preguiça, rir à vontade e me ver o descobridor da pólvora. Mas pouco me importa o seu escárnio.
O óbvio precisa ser falado, do contrário corremos o risco de esquecê-lo. E, no mais das vezes, esquecer o óbvio faz o indivíduo se sentir superior. A ti, a todos e a tudo, como dizia minha avó. Superiores, tendemos a quebrar regras. E regras quebradas é um pulo só para a queda. É tiro e queda. Às vezes juntos, mas o primeiro na frente. Assistam aos noticiosos da tevê e vejam se eu não tenho razão. Então se quer livrar-se de quedas - sejam físicas, sejam éticas -, ligue-se no óbvio.
Bom, talvez o “vivemos sujeitos ao humor...” seja inadequado para você. Mas não para mim. Estou sempre querendo começar algo ou parar alguma coisa. Aí surge o verbo mais insolente do trio. O teimoso do continuar. E tudo continua como dantes.
Desconheço se o Philip Roth passou por esse dilema quando disse que estava parando de escrever. Certo é que parou. Certo também é que se você me leu até aqui é porque começou o que comecei e acabei continuando.
Então! Vai continuar, se for o caso?
Eu, para ser sincero, quero parar.
Naturalmente que não me refiro a parar de escrever, a exemplo do Philip Roth. Até porque o Roth escrevia textos, eu faço rabiscos. Reporto-me a algo que comecei há anos, há meses penso em parar e que neste momento estou doido para continuar.
Alguém aí me dá um cigarro?

Valeu!
Tião Carneiro