quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Dói muito, Senhor!



Quero que o Pocilga exponha a dor do barrão redator, mas as representantes do estado mental se escondem. Nem fino tiram nos sentimentos. Ficam azuis - azul é distância, não é, François? Identificar a origem da dor? Não, dizem. O mundo sabe.
Fico vermelho de vergonha, peço branco à história, ponho-me de roxo. Fazer o quê?
        Choramingava e me afastava quando algumas apareceram:
        
        Vá lá, chorão. Mas tão somente um microconto:

Dói muito, Senhor!

Santa Maria! Chegaram cedo demais, meus! Sentem-se, sintam-se em casa. Vou enviar um torpedo pros seus, tá?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

INDECISÃO


Colaboração do leitor José Alves, em comentário à postagem Rabuda Bem-estar.
Não pôs título. Por minha conta e risco, vou titulá-la de indecisão.

INDECISÃO

Me perdoem se falo desse jeito 
Mas a coisa tá muito complicada
Eu até não queria dizer nada
Mas eu acho que tenho o direito
Me esforço prá não ter preconceito
Muitas vezes me acho abusado
Sei que o mundo é diferenciado
Mas as vezes me sinto agredido
Acho até que o povo está perdido
Numa grande incerteza mergulhado

Quando Deus fez o mundo Ele deixou
A existência do homem e da mulher
Deu preparo a eles e deu fé
Com direito para reproduzir
Falou claro sem nunca iludir
Que o homem é a sua semelhança
Mas o tempo trouxe muita mudança
E Ele deve está entristecido
Mas apesar do que o mundo tem vivido
Para Ele ainda resta esperança

Imaginem num local de trabalho
Aonde cada um tem sua tarefa
Não se sabe se é Zé ou se é Zefa
Se a pessoa é Bastinha ou Bastião
Sé o ente é Joana ou se é João
Se fulano na verdade ainda presta
Se sicrano é o único que resta
Aderir a essa confusão
A patroa pode virar patrão
E ainda tem chefe que atesta

Tudo isso trás um complicador
É preciso que se tenha cautela
Não se sabe se é ele ou se é ela
Necessário se faz ter precaução
Veja só na hora da refeição
A confusão que isso pode causar
Ninguém sabe direito a quem vai dar
E um erro pode causar uma febre
Podemos trocar gato por lebre
E daí a fama se espalhar

Uma certeza temos quanto ao tempo
Para nós ele é sempre passageiro
Assim sendo se decida ligeiro
Assumindo a sua posição
Tome logo a sua decisão
Comprovando ao mundo a que veio
E aí viver com o peito cheio
De alegria amor e disposição
Separando claramente o  sim do não
E sem ficar na coluna do meio

Seja qual for a sua profissão
Trate logo de seguir sua linha
Caso queira se inspirar na minha
Lhe garanto que faço o que é certo
Fico sempre com o olho bem aberto
A minha ação dispensa comentário
Não tem moleza no meu vocabulário
E não se trata de uma questão de fé
O meu negócio está sempre de pé
Quem preferir que fique no armário.

Confesso que sou um otimista
Boto muita fé no ser humano
Todos somos passíveis de engano
Mas a verdade sempre prevalece
E nessa coisa que sobe e que desce
Não comparo minhas palavras às suas
Podemos seguir por outras ruas
Eu garanto que eu sei o que é bom
Para isso Deus me deu um dom
Pois melhor que uma mulher só duas.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

RABUDA BEM-ESTAR – PROSA PARA ADULTO


RABUDA BEM-ESTAR – PROSA PARA ADULTO

       Dr. Arimã Abadom sentou-se e deu sonoro bom-dia. Estava em majestoso conjunto arquitetônico no centro de Cristal, capital do Rio Pequeno do Norte, nordeste de Andiroba, país parede e meia com o Brasil. Dr. Arimã tem trinta anos, é bonito, simpático quando lhe convém, cruel por natureza. Esperto tal qual o capeta, é dono da Rabuda Bem-estar S/A. Tão esperto que, com vinte e cinco anos, aproveitou crônico equívoco dos governantes andirobenses e fundou a Rabuda. Começou na área de educação,

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

EMOÇÃO, SINHA DANADA!


EMOÇÃO, SINHA DANADA

Já vivi emoções e emoções, pessoal. Mas a rolinha inaugural da minha pontaria de baladeira, a queda das primeiras pedaladas de bicicleta e a minha primeira vez ficaram na poeira do que senti ontem. Em razão da idade, imaginava-me imune a certos sentimentos. Não, não sou de doze. Podem tirar o cavalinho da chuva. Tenho doze elevado ao quadrado menos as sapatas de Iracema (olha o bingo) menos dois patinhos na lagoa menos o leão do jogo do bicho. Estou na flor da idade, não?
A emoção de ontem foi de lascar o cano, como costuma dizer o colega Altamir. Por pouco, mais muito pouco mesmo, gente, não desmaiei. Não fosse a arnica nas ventas...
Ao anoitecer, eu já passara por extrema excitação mental, mas a galáticas

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O COMEÇO


O COMEÇO

O calor braseiro não os impedia de pensar.
O primeiro ponto da nova reticência - embora antiga - começa hoje, pensam a moça e o rapaz.
Pensaram e logo pontuaram o texto mental.  A moça com “vejamos...”, o rapaz com “veremos...”. Pensativos, remexeram-se na cama, abanaram-se, olharam a hora: quatro e doze da manhã do dia inaugural de 2013. Haviam chegado da igreja por volta de meia noite. Abraçaram os amigos, familiares, almejaram-lhes feliz ano novo, cansaram-se do “pra você também”, embora entendessem a intenção, e foram se deitar.
Droga de ar condicionado. Novinho em folha, primeiro noite de uso, e já apresenta defeito. Ligam então o ventilador