sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

EMOÇÃO, SINHA DANADA!


EMOÇÃO, SINHA DANADA

Já vivi emoções e emoções, pessoal. Mas a rolinha inaugural da minha pontaria de baladeira, a queda das primeiras pedaladas de bicicleta e a minha primeira vez ficaram na poeira do que senti ontem. Em razão da idade, imaginava-me imune a certos sentimentos. Não, não sou de doze. Podem tirar o cavalinho da chuva. Tenho doze elevado ao quadrado menos as sapatas de Iracema (olha o bingo) menos dois patinhos na lagoa menos o leão do jogo do bicho. Estou na flor da idade, não?
A emoção de ontem foi de lascar o cano, como costuma dizer o colega Altamir. Por pouco, mais muito pouco mesmo, gente, não desmaiei. Não fosse a arnica nas ventas...
Ao anoitecer, eu já passara por extrema excitação mental, mas a galáticas
distância da comoção que sentiria no comecinho da madrugada. Vou até abrir dois parágrafos a fim de relatar a origem da excitação. Volto já à comoção.
Bom, ao anoitecer, estou chegando em casa, vejo um casal se beijando por trás dos sacos de lixos. Escabreado, dou uma voltinha no quarteirão. Todo cuidado é pouco hoje em dia. Sabe-se lá quem são esses amantes! Quem me garante que o homem não esteja armado a espera de mim? Com outro tipo de arma, gente. Entendam-me, por favor. Se bem que detesto armas, sejam tipo assim, sejam tipo assadas. No mais das vezes, os caras... Darei uma reprimenda na empregada. Estou cansado de lhe dizer que só ponha o lixo na calçada quando a tevê anunciar o mês da coleta. Mas a Neneta é danada de teimosa. Tudo limpo, observo de longe, aproximo-me do portão. Limpo dos supostos amantes, entendam-me de novo. O lixo permanece lá.
Encosto o carro e aciono o controle do portão. O danadinho não abriria nunca. Tinha esquecido que o bicho estava quebrado. Havia dois dias o técnico prometia consertá-lo, mas esse povo é muito tratante. Quando aperto o controle pela segunda vez, a moto para (se quiser pode pôr o agudo) ao lado e o motoqueiro estira a mão, no gesto típico de pare, bate no vidro e diz algo como “vai ser pior”. Meu Deus! Um assalto. Penso, começo a tremer e abaixo o vidro do automóvel. Só aí o motoqueiro se dá conta de que não tirou o capacete. Ele tira a armadura e orienta: “Se o senhor ficar apertando o controle vai ser pior. É arriscado queimar o motor. Mande abrir por dentro. Vou dar uma olhada. Não deve ser nada grave”.
É mesmo, conseguiu articular, mais contente que pinto em beira de cerca.
Agora a comoção. Meia noite e três minutos, pessoal. Gravei bem a hora. Silêncio. Escuto uma barulhinho na rua. Algo como um ringido. Estão forçando alguma coisa, suponho. Num pé e noutro, pisando em ovos, vou à sala, olho pelas fendas da janela e vejo várias jaquetas amarelas. De repente o alvoroço na rua. Gritos, aplausos, caracaxás. Parecia gol do Brasil na copa do mundo. Nossa! A casa toda acordada, abro portas e janelas e contemplo o espetáculo mais lindo do mundo: uns dez garis recolhendo o lixo da rua.
Não fosse a arnica nas ventas...
Danada de emoção!

Cheirosos abraços,
Tião

10 comentários:

Anônimo disse...

Tião!
Pelas minhas contas, sua idade beira os 31 anos. Estou enganado? Qual é mesmo o número do leão no jogo do bicho...?

Parabéns pelo blog! Estou incluindo em minhas leituras diárias.

Seu amigo Erivan.

Tião Carneiro disse...

12 elevado ao quadrado 144, menos as sapatas de Iracema, 44, dá 100, menos dois patinhos na lagoa, 22, dá 78, menos leão no jogo do bicho, 16, dá 62.

É isso, meu nobre.
Um abraço,
Tião

Jalves disse...

A sua idade não é de se jogar fora, afinal trata-se de um luxo! Mas, permita-me falar um pouco de lixo em Natal, tenha "saco" e leia:
Me permitam falar de uma prefeita
Que administrou a cidade do Natal
O trabalho da mulher foi tão mau
Como pode ela ter sido eleita
A administração está cheia de suspeita
Dizem até que investiu em Portugal
Praticou muito ato imoral
A situação aqui é muito feia
Deveria parar numa cadeia
Que seria o caminho natural

Como pode alguém que se elegeu
Pelo voto secreto e popular
Fazer da prefeitura o seu lar
E sentir-se como num apogeu
Usar patrimônio do povo como seu
E ainda dizer que é inocente
Se fazendo de indiferente
E se dizendo incompreendida
Deveria não ter nenhuma guarida
E pagar pelo que aconteceu

O povo está bastante angustiado
Com o desmando praticado por ela
Todo mundo caiu numa esparrela
Voto dado não se pode retirar
Quatro anos precisam se passar
Para então fazer-se outra tentativa
A população tem que ser criativa
E outra vez tentar uma mudança
Apostar numa nova esperança
E que seja a melhor alternativa

O tempo é que faz a diferença
Se encarrega de tudo concertar
Ele é mestre em saber transformar
E permitir que prevaleça a razão
Sem deixar de lado o coração
Um novo caminho se abrirá
A boa vontade triunfará
E o bem há de vencer o mau
Melhores dias virão para Natal
E o povo dignidade terá.

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x

A política e seus agentes
Prestaram um desserviço
Os natalenses decentes
Jamais mereciam isso
Os problemas são crescentes
Mas o poder é omisso

A população indignada
Cobra uma punição
Pois a parte violada
Atinge o cidadão
A coisa pública é roubada
Mas nunca prendem o ladrão

Não bastasse a roubalheira
E a falta de capricho
Uma cidade inteira
Está debaixo de lixo
Parece até brincadeira
Mas espanta até bicho

O povo tem seu saber
E pode até se enganar
Mas uma hora vai vencer
E uma resposta vai dar
E quem finge isso não ver
Um dia tem que pagar

A esperança é forte
Ela nunca acabará
Mesmo sofrendo algum corte
Ela prevalecerá
Natal terá melhor sorte
Pois o seu povo é sem par!

Jalves disse...

.. dá 62, beleza de idade, duvidoso é o verbo! De qualquer forma, a sua idade é um luxo, já a nossa cidade, se afunda dentro do lixo!
Zé Alves

Anônimo disse...

Talvez replique, mas vou enviar novamente. Beleza de idade e ainda aparenta 31! Agora, faça um esforço e leia os versinhos abaixo:
A política e seus agentes
Prestaram um desserviço
Os natalenses decentes
Jamais mereciam isso
Os problemas são crescentes
Mas o poder é omisso

A população indignada
Cobra uma punição
Pois a parte violada
Atinge o cidadão
A coisa pública é roubada
Mas nunca prendem o ladrão

Não bastasse a roubalheira
E a falta de capricho
Uma cidade inteira
Está debaixo de lixo
Parece até brincadeira
Mas espanta até bicho

O povo tem seu saber
E pode até se enganar
Mas uma hora vai vencer
E uma resposta vai dar
E quem finge isso não ver
Um dia tem que pagar

A esperança é forte
Ela nunca acabará
Mesmo sofrendo algum corte
Ela prevalecerá
Natal terá melhor sorte
Pois o seu povo é sem par!
Zé Alves

Me permitam falar de uma prefeita
Que administrou a cidade do Natal
O trabalho da mulher foi tão mau
Como pode ela ter sido eleita
A administração está cheia de suspeita
Dizem até que investiu em Portugal
Praticou muito ato imoral
A situação aqui é muito feia
Deveria parar numa cadeia
Que seria o caminho natural

Como pode alguém que se elegeu
Pelo voto secreto e popular
Fazer da prefeitura o seu lar
E sentir-se como num apogeu
Usar patrimônio do povo como seu
E ainda dizer que é inocente
Se fazendo de indiferente
E se dizendo incompreendida
Deveria não ter nenhuma guarida
E pagar pelo que aconteceu

O povo está bastante angustiado
Com o desmando praticado por ela
Todo mundo caiu numa esparrela
Voto dado não se pode retirar
Quatro anos precisam se passar
Para então fazer-se outra tentativa
A população tem que ser criativa
E outra vez tentar uma mudança
Apostar numa nova esperança
E que seja a melhor alternativa

O tempo é que faz a diferença
Se encarrega de tudo concertar
Ele é mestre em saber transformar
E permitir que prevaleça a razão
Sem deixar de lado o coração
Um novo caminho se abrirá
A boa vontade triunfará
E o bem há de vencer o mau
Melhores dias virão para Natal
E o povo dignidade terá.
Zé Alves

Tião Carneiro disse...

Meu caro Jalves,
Você é baita dum poeta, tremendo analista social, estupendo matemático. E bom de verbo, diga-se, parceiro que é do verbo dar. É verdade que é dando que se recebe?
Receba meu abraço, meu nobre!
Tião

Anônimo disse...

Excelente a tua resposta. Outro dia, estava lendo um texto que fala sobre a falta de elogio entre as pessoas. Mesmo sabendo da tua generosidade quando me atribui alguns adjetivos, isso faz com que me envergonhe menos dos versinhos. Respondendo a tua pergunta: Se recebe, dá, e se dá e não recebe? Melhor não dar e nem receber.
Valeu!
Zé Alves

Tião Carneiro disse...

É certo, meu nobre. Há muita gente sovina neste mundo velho. O elogio, desde que sincero, faz um bem danado. Também se não for sincero não é elogio. É puxassaquismo. Defeito que não tenho. O dar e o receber é um troca troca dos diabos, não é?

Um abraço,
Tião

Anônimo disse...

Delícia de texto, Tião. Sobre o verbo dar, tem um fato ocorrido com o Deputado Último de Carvalho sobre a Deputada Ivete Vargas. "Não importa que Ivete dê, nem sei se Ivete dá. Sei que ela é Deputada sem o dê e sem o dá". Abração de François Silvestre.

Tião Carneiro disse...

Não se faz mais deputado como antigamente, nobre François. O Carvalho foi um dos Últimos de putadas lúdicas. Hoje, as putadas dos caras são feitas na base do rodo e não da rola, entendeu?

Com um puto do abraço,
Tião