sexta-feira, 29 de março de 2013

JÚLIA, A DANADA


JÚLIA, A DANADA

            Deu mais uma olhada no espelho, aprovou-se bonito, acariciou o serradão da barba, desceu para a recepção do hotel. Fez uma cerinha, mandou a recepcionista solicitar um táxi, sentou-se e ficou esperando, de minuto em minuto dando uma corujada na jovem.
Felipe é bonitão, que o diga o olhar lânguido da atendente, e está viajando a serviço. Felipe adora essas viagens, porquanto tem a oportunidade de exercitar o lado boêmio. Boemia impensável na pequena cidade onde mora e que encontra o pico numa suíte de motel.
Nosso amigo é casado, diz amar a esposa, mas... Enfim...
Felipe é esquisitão. Não adianta a mulher assediá-lo - a exemplo da recepcionista e da moça com quem compartilhou o café da manhã - que se faz de desentendido. O negócio dele é garota de programa. Chega ao hotel, pega o jornal e haja telefonema. Hoje marcara encontro com Júlia, a tesudona, segundo o jornal, no Opinião Bar:
“Seu táxi, senhor. Tenha uma boa noite”, disse a atendente, aprimorando o sorriso e

sábado, 23 de março de 2013

QUÊ?!


QUÊ?!

            Gosto de tomar uma cervejinha, sou fumante, leio 34 minutos por dia, no mínimo. E diariamente escrevo, ou melhor, redijo, por também no mínimo, 38 minutos. Loucura, não?
Driblo a cerveja numa boa, de tempos em tempos dou um banho de cuia no cigarro, nos livros costumo aplicar umas canetadas, e na escrita... Bom, a escrita é caixão e vela preta.
A marcação é cerrada, gente. Não consigo me livrar. Já tenho dois livros de besteiradas.  O primeiro, A Senhora Dois, produção independente, tomei na tampa com mil reais. O segundo, o Intuitor Bião, edição semi-independente, empatei. O primeiro, embora tijolão, é bom. O segundo, simples tijolinho, é péssimo.
Esse nariz de cera (não sou jornalista não, pessoal) é para anunciar meu internamento. Masoquista todo, acabo de botar o ponto final na última idiotice. Começa pelo nome do bicho: “QUÊ?! Agora, esse só sai daqui se alguém se interessar. Mandei a sinopse para algumas editoras. Se quiserem publicar, beleza. Senão, azar delas, pois terão perdido uma história supimpa.
Vou fazer um copiar/colar da primeira página, mas deixe-me dar uma informação sobre o título, o “Quê?!” O romance foi escrito em 126 páginas do word, tamanho 12, com 66.301 palavras. Mas, a exemplo deste escrevinhado, não usei o que. Tampouco o porque. Há o que, sim, desculpem. Existem 66 “Quê?!”, assim escritos, formando parágrafos isolados. Eles transmitem estados mentais de variadas matizes, tais como contentamento, medo etc.
Tome-se como ilustração este fato. A delegada está no apartamento com Artur, fica excitada, quer logo transar. Algema Artur, algema-se e caem na cama. O “cego” Paulinho, desconfiado de quem a delegada desconfia, entra no apartamento, senta-se perto do frigobar, põe uma pistola em cada mão

sexta-feira, 8 de março de 2013

NO BALCÃO DA VENDA PARAÍSO


No balcão da Venda Paraíso


 

Tem meiguice? – Tem. Tem a Ternura e a Angelical.

 

Tem união? – Tem. Tem de duas marcas. A Tradição e a Moderninha.

 

Tem lamentação? – Tem. Tem, mas tá faltando.

 

Tem hora? – Não. Qual é! Tá misturando, meu?

 

Tem excitação? – Tem. E como tem!

 

Tem repulsa? – Tem. Tem, mas acabou.

 

Adão mandou D. Eva medir dois metros da meiguice Angelical, embrulhar três cuias da união Moderninha e pesar doze quilos de excitação:

- A senhora pode deixar no meu barraco?

- Com todo o prazer, Seu Adão. Hoje é meu dia de entrega. Que hora é melhor pro senhor?

- A senhora não disse que não tem hora? Daí que toda hora é hora. Mas vá às 8 e 3, por favor.

- Ué! 8 e 3? O senhor é um gozador, não é, Seu Adão?

- Eu? Brincalhona é a senhora, que fica gozando com os fregueses.

- Quê?!

- Escute só. A senhora, D. Eva, se enche de meiguice, une-se à imaginação, não lamenta o estado em que deixa o cliente, não tem hora pra brincar, excita-se

ELA

Valeu, grande poeta Zé Alves
                                                             Ela

                                 (Zé Alves)

Seus olhos são comparados

A uma rosa sem espinho

O seu corpo representa

O mais perfeito caminho

O seu aspecto traduz

Amor e muito carinho

 

Criatura natural

Com traços de divindade

O poder do universo

Com expressão de bondade

Deu a esse grande ser

Beleza e sublimidade

 

Essência do Criador

Resumo do que é viver

Por mais que a gente se esforce

Não consegue descrever

Tudo que ela incorpora

Com perfeição e saber

 

Com muita sabedoria

Sempre de mão estendida

Acolhe a tudo e a todos

Sem cobrar contrapartida

A todo instante ela dá

Uma grande lição de vida

 

Bela meiga carinhosa

Exprime charme e grandeza

Sábia e determinada

Age sempre com franqueza

É a maior criação

Da nossa mãe natureza

 

Ser único e incomparável

Com ar de fragilidade

Mas por trás dessa aparência

Existe tenacidade

Deus deu somente a ela

O dom da maternidade

 

Mãe amiga e companheira

Sabe dizer sim e não

Age sempre com bom senso

Sem causar um arranhão

Evita muitos conflitos

Oferecendo o perdão

      

FUTURO


            PASSADO, PRESENTE E FUTURO

                                                                       (Zé Alves)


Confesso que estou preocupado

O mundo está muito inseguro

Tanta gente correndo lado a lado

Como se estivesse vivendo um enduro

Subestimando o presente e o passado

E apostando demais no seu futuro


O futuro é algo inexistente

Sabemos que um dia chegará

Assim sendo temos que ter em mente

Que tudo na vida passará

Priorizemos então nosso presente

Sem o bom passado descartar


Veja bem como tudo acontece

No dinamismo da nossa existência

O alimento que nos fortalece

Tem no presente a principal essência

E o passado com o seu alicerce

Nos dá segurança e competência


O futuro vira passado da gente

O presente a pouco foi futuro

O futuro depende do presente

O passado pode ser obscuro

O Futuro é coisa lá da frente

O presente pode ser prematuro


Já dizia a música do poeta

Que o futuro é  uma grande astronave

Melhor termos o presente como meta

Sem criarmos pra isso muito entrave

Fazendo tudo de maneira correta

No futuro não terá nada grave


O futuro chega naturalmente

Qualquer um pode nele investir

Mas uma coisa temos que ter em mente

Melhor cuidarmos do que está aqui

Vivendo bem esse momento presente

Para poder assim o futuro curtir

 
            PASSADO, PRESENTE E FUTURO
                                                                       (Zé Alves)
Confesso que estou preocupado
O mundo está muito inseguro
Tanta gente correndo lado a lado
Como se estivesse vivendo um enduro
Subestimando o presente e o passado
E apostando demais no seu futuro
O futuro é algo inexistente
Sabemos que um dia chegará
Assim sendo temos que ter em mente
Que tudo na vida passará
Priorizemos então nosso presente
Sem o bom passado descartar
Veja bem como tudo acontece
No dinamismo da nossa existência
O alimento que nos fortalece
Tem no presente a principal essência
E o passado com o seu alicerce
Nos dá segurança e competência
O futuro vira passado da gente
O presente a pouco foi futuro
O futuro depende do presente
O passado pode ser obscuro
O Futuro é coisa lá da frente
O presente pode ser prematuro
Já dizia a música do poeta
Que o futuro é  uma grande astronave
Melhor termos o presente como meta
Sem criarmos pra isso muito entrave
Fazendo tudo de maneira correta
No futuro não terá nada grave
O futuro chega naturalmente
Qualquer um pode nele investir
Mas uma coisa temos que ter em mente
Melhor cuidarmos do que está aqui
Vivendo bem esse momento presente
Para poder assim o futuro curtir
 
PASSADO, PRESENTE E FUTURO
                                                                       (Zé Alves)
Confesso que estou preocupado
O mundo está muito inseguro
Tanta gente correndo lado a lado
Como se estivesse vivendo um enduro
Subestimando o presente e o passado
E apostando demais no seu futuro
O futuro é algo inexistente
Sabemos que um dia chegará
Assim sendo temos que ter em mente
Que tudo na vida passará
Priorizemos então nosso presente
Sem o bom passado descartar
Veja bem como tudo acontece
No dinamismo da nossa existência
O alimento que nos fortalece
Tem no presente a principal essência
E o passado com o seu alicerce
Nos dá segurança e competência
O futuro vira passado da gente
O presente a pouco foi futuro
O futuro depende do presente
O passado pode ser obscuro
O Futuro é coisa lá da frente
O presente pode ser prematuro
Já dizia a música do poeta
Que o futuro é  uma grande astronave
Melhor termos o presente como meta
Sem criarmos pra isso muito entrave
Fazendo tudo de maneira correta
No futuro não terá nada grave
O futuro chega naturalmente
Qualquer um pode nele investir
Mas uma coisa temos que ter em mente
Melhor cuidarmos do que está aqui
Vivendo bem esse momento presente
Para poder assim o futuro curtir







COISA DA NATUREZA

Colaboração do cordelista Zé Alves
A COISA É DA SANTA NATUREZA

                                                                    (Zé Alves)

 

Tem uma história que fala da cachaça

Uma bebida também feita em engenho

Ingerida aumenta o desempenho

Uma grande emoção a gente passa

Com cuidado não haverá desgraça

Você vê a vida com clareza

Com excesso pode causar tristeza

Moderada só nos traz alegria

Se tivesse uma agora eu bebia

Pois a coisa é da Santa Natureza

 

É preciso que nos controlemos

E que o consumo seja moderado

Toda bebida  carece de cuidado

O ideal é que nos alegremos

Pois neste mundo em que nós vivemos

Saúde e paz são sempre uma grandeza

Não abandonemos o  bom senso e a firmeza

Mesmo que estejamos numa gastronomia

Se tivesse uma agora eu bebia

Pois a coisa é da Santa Natureza

 

Mantenha sempre uma postura firme

De cidadão responsável e direito

Não deixe a bebida lhe impor defeito

Ela tem algo de forte e traiçoeiro

O importante é que o tempo inteiro

Cultivemos a nossa luz acesa

Da bebida não nos tornemos presa

Isso vale aqui e em Alexandria

Se tivesse uma agora eu bebia

Pois a coisa é da Santa Natureza

 

O ser humano é de carne e osso

E um golinho não faz mal a ninguém

Com cautela ele até lhe faz é bem

E você não fica no abandono

Mas cuidado prá não ficar sem dono

E ter que enfrentar uma dureza

Se acontecer você não terá certeza

Do que se passou com você naquele dia

Se tivesse uma gora eu bebia

Pois a coisa é da Santa Natureza

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 1 de março de 2013

A CARTA DA HANNAH E O LIVRO DO TIÃO


A CARTA DA HANNAH E O LIVRO DO TIÃO


Li no UOL: Hannah Brencher, norte-americana de 24 anos, tem o costume de escrever cartas de amor. Escreve, nada escreve no envelope e sai espalhando pela cidade. Atitude extremamente humana, pois espanadora da solidão. Hannah escreve à mão, o que reforça o caráter pessoal da mensagem.
Bom, li a notícia, então me lembrei de algo similar feito por mim há cerca de um ano. Similar no gesto, mas distinto do afetuoso intuito da jovem. Minha finalidade, confesso, era a autopromoção, conquanto acompanhada de um quê de altruísmo. Sucedeu assim.
Publiquei um livro em 2010. Vendi 96 exemplares no lançamento num barzinho do bairro e cento e tarará no pinga a pinga. Desses, ao menos o “tarará” foi no fiado. Esgotadas as vendas, comecei a dar. O livro, evidentemente. Dei, salvo engano, 69. Até o ofereci aqui no blogue, lembram? O cara pagaria somente o correio, mas ninguém se interessou. Pense num bicho sem sorte. E ruim! A propósito, a última doação fi-la (Ops.) ao Paulo, bombeiro do posto onde abasteço o carro. Uma semana depois, chego ao posto, o Paulo me cumprimenta: “Que livro mais doido, esse seu”.
Pois então. Tive a ideia da Hannah e comecei a perder o bicho pela cidade: três em duas praças do centro, três em botecos, dois na rodoviária, dois no capô do automóvel. Ao contrário da Hannah, eu me identifiquei: redigi a seguinte dedicatória. “Pra você, com o abraço do Tião. Se quiser comentar algo, envie um imeio para tcarneirosilva@gmail.com”. Ninguém quis. E já fez um ano. Mas não redigi apenas a dedicatória. Colei na capa esta prosa:
Oi, tudo bem?
Meu ideal é que você ache esta história engraçada. Tão engraçada que a moça doente daquela casa sem reboco leia e ria. Mas ria, ria tanto que chegue a chorar e diga: “Ai meu Deus, que história mais engraçada!” E então a conte para o pai