quarta-feira, 31 de julho de 2013

QUAL É O SEU INTERIOR?

Oi, gente,

A fim de que se livrem de meus textos áridos, publico abaixo uma lírica prosa da romancista potiguar Carmen Lobbo. Carmen é autora de Vidinha Besta, à venda no https://www.clubedeautores.com.br/.
Obrigado pela colaboração, Carmen.
Estou esperando a colaboração de vocês, meus nobres. Não querem brincar de escritor, não, é? Eu, hein!
Vejamos então o interior da Carmen. Calma aí, galera! São Paulo do Potengi, Macaíba, Bom Jesus, João Câmara são cidades pra lá de acolhedoras.
E o seu interior como está? Chovendo de curiosidade ou seco de indiferença?

QUAL É O SEU INTERIOR?
No final dos anos oitenta, eu uma criança de aproximadamente sete anos de idade, chegava à sala de aula em uma manhã de segunda feira na Escola Estadual 12 de Outubro (o nome da escola é a data do meu aniversário) e ocupava o meu lugar em uma carteira qualquer. Tímida a ponto de jamais se dirigir à professora, eu observava, com inveja, os diálogos travados entre tia Ivaneide e algumas alunas.
            - Onde passou o seu final de semana? – indagava a professora a uma aluna que, lembro-me bem, ostentava o penteado rabo de cavalo, ao que esta respondia:
            - No interior!
            - Que bom! E qual é o seu interior?
            - João Câmara – respondia a menina do rabo de cavalo.
            - E você – perguntava a Tia para outra aluna – onde passou o final de semana?
            - No meu interior – respondia a indagada, despertando o interesse da tia em saber qual era o interior desta, ao que a menina gordinha respondia – São Paulo do Potengi.
            Ora vejam: eu, pequena, tímida e assustada observava

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O PAPA FRANCISCO E O PAPARICADO DAVI

O PAPA FRANCISCO E O PAPARICADO DAVI

            Não! Não se trata de trocadilho o paparicado desse título. Davi é tão paparicado quanto o papa. Davi mora pertinho de minha casa. Se passar duas noites sem dar as caras por aqui, surge logo a queixa: “Menino, Davi não apareceu mais. O que estará acontecendo?” Davi é extremamente carismático, daquelas pessoas que nem bem o avistamos e já nos sentimos cativados, a exemplo do Papa Francisco. Sem papas na língua, Davi é um autêntico papagaio na tagarelice. Tal o xará bíblico, é astucioso, inteligente, querido. Notadamente pela mulherada. Inquieto, bisbilhoteiro, perspicaz, certamente será um grande cientista. Na área da zoologia, suponho, tamanho o amor pelos animais. A propósito...
A propósito de animais, um detalhe desse amor tem nos deixados apreensivos. Davi passa longos minutos conversando com o gatinho daqui de casa. Acocora-se – sua posição preferida quando quer estudar algo – e tome papo com o bichano. Acho até que

segunda-feira, 22 de julho de 2013

JORNAL DO PORCO E OS CACHORROS DE SANTA CRUZ DO ARARI

JORNAL DO PORCO E OS CACHORROS DE SANTA CRUZ DO ARARI

EDITORIAL, OU QUASE - LITERATURA (Escrito pelo aporcalhado editor, Tião)

Sempre gostei de redigir. Redigia alguns textos, julgava-os o sumo das tolices e, envergonhado, amassava o papel e punha no lixo. Escrevia à mão, diga-se. Certo dia, já no computador, engoli corda de uma amiga (Escreves bem, Tião, dizia ela) e tentei sair do redigir para o escrever. Ainda hoje desconheço se fui aprovado. Quiçá esteja tirando fino na redação e passando de raspão na escrita. Desconheço, mas antevejo o monossílabo de julgamento. “Não”, deverá dizer o inocente menino ao ler o papelzinho tirado da urna. Então você levanta o JÁ SABIA e dana-se a rir, não é, meu?
Certo é que passei a rediscrever e dei um chega pra lá na vergonha: comecei a enviar - por imeio - as prosas para alguns colegas. Mais ou menos dez, no fim de 2011. A turma lia, ria e me enaltecia. “Você é maluco, cara”. Adorava esse elogio. Tanto adorava que fiz o seguinte. Para facilitar o envio dos textos e conquistar leitores, cismei de criar um blogue. Os colegas aprovaram a ideia, falei com o professor e amigo Google. Em dez minutos o danadão criou este blogue, acreditam? Isso está fazendo vinte meses. Mas aí ocorreu

quinta-feira, 11 de julho de 2013

DIA INTERNACIONAL DO HOMEM A (DES)HOMENAGEM

DIA INTERNACIONAL DO HOMEM
A (DES)HOMENAGEM

              “E aí? Ele disse o quê?” É assim que o peste do Mião retoma uma conversa. Mião, vocês já devem conhecer, é meu primo e compadre. Além de colega das corriqueiras gandaias. É filho de meu tio Kião com D. Vião. Sou padrinho do filho mais novo, o Bufão.
Pois estava eu tirando uma madorna na encardida rede da área quando o Mião chegou. Nem o vi chegar, confesso. Minha mulher ralhava comigo, caneca de chá na mão. Eu, de olhos fechados, horizontalizado por causa da virose do momento:
- Levante dessa tipoia, homem de Deus, e vamos pro pronto-socorro. Derna cedinho da manhã que esse infeliz tá se queimando em febre, compadre Mião. Mas não quer ir pro médico. Nem sei pra que tem plano de saúde. Médico não morde não, homem! Tome pelo menos o chá.
- Meu compadre é uma mula teimosa, comadre. Fuma que só caipora e bebe feito gambá. Precisa se cuidar. Vivo pedindo que ele faça um checapue, mas o danado não tá nem aí. Se a senhora quiser, pego nos chifres dele, boto no carro e...
- Quê? Que conversa de chifre é uma, compadre Mião? Me respeite! E não venha não, viu? O senhor é pior do que ele. São farinhas da mesma fornada. Quantas vezes o senhor foi ao médico? Me diga!
Minha senhora deixou o chá sobre uma cadeira e foi à cozinha. Abri os olhos. Mião, no alto de seu metro e quarenta, socado num bermudão vermelho, camisa furta cor, chinelo de cabresto, cabeça raspada, balançava-se numa cadeira, copo de uísque na mão direita, na esquerda um cigarro, no rosto a desfaçatez. Autêntico papa-figo. Faltava-lhe somente a trouxa nas costas. Fiquei uns três minutos olhando o espantalho, doido pra rir. Ele também. Terminou falando, rindo:
- E aí? Ele disse o quê?
- Vai te lascar, Mião. Já tá tomando meu uísque, não é, seu safado?
- Calma, homem. O que a comadre acabou de falar tem tudo a ver com a indesejável visita de minha pessoa. Escuta esta. Dia quinze, segunda-feira,

sexta-feira, 5 de julho de 2013

UM TEXTO SINCERO

UM TEXTO SINCERO

         Não que os textos anteriores tenham sido insinceros. Nada disso, meus nobres. Mas ficção é ficção, concordam? E a presente postagem trata de informação. Seguinte. Em março passado, informei-lhes que havia posto o ponto final num romance. “QUÊ?!” é nome do bicho, lembram? E por que esse título? Porque, e lhes dei a informação, o texto, de 66.301 palavras, foi escrito sem o “que”. Comuniquei-lhes, ainda, que havia mandado os originais para algumas editoras. Cinco, pra ser específico.
        Pois bem, três editoras aceitaram publicar o bicho, desde que eu pague os custos. A tal produção independente. Aí é moleza. Qualquer editora publica, né não? Descartei-as de imediato. Uma editora não me deu resposta. Outra, até grande e famosa, propôs esta parceria: imprime 1500 exemplares. Pago 500 e ela distribui 1000. É uma aposta, pois segundo a avaliação dela, o livro tem potencial. Se precisar de mais exemplares, então corre tudo por conta da editora. Só que cada exemplar sai por 25 paus. Talvez até seja bom negócio, mas não pra quem tá matando cachorro a grito.
       Pois bem de novo. A fim de que a prosa não ficasse se espreguiçando no computador, hospedei-a (palavra feia, não?) no Clube de Autores. A matuta está dormindo lá. Nas versões impressa e e-book. Chique toda, a beradeira. A versão impressa custa R$ 88,52 e a digital, R$ 8,85. Agora me diga. Quem danado vai desembolsar 100 reais (tem o frete) por uma brejeira dessas? Só se o sujeito for daqueles doidos amassador de merda.
       Sugiro, então, o e-book, que além de baratinho é prático. Aqui, logo acima, criei uma guia, o atalho MEUS E-BOOK, SEU DANADO (só Deus sabe como) que leva você direto pra livraria do Clube. Vá lá, apresente-se à Sandrinha, leia as dez primeiras páginas do livro e compre. Também se não quiser comprar, a amizade continuará a mesma. A amizade, mas que você será tachado de mão de vaca, ah, isso é certo.
       Por último, talvez estejam se perguntando por que não procurei uma editora daqui de Natal. Procurei, sim.
       Pois bem, (esse é o último, juro) procurei um editor conhecidíssimo. No meio literário, é certo, de mim, não. O cara nem me deu bola. Parecia aéreo. Em seguida mandei os originais pra uma editora, também conhecida. Já fez três meses e nadica de nada de resposta. Não gostaram, é evidente. Daí eu ter ido bater em portas interestaduais. Ocorre, fazendo parêntesis, que não tenho cara – nem traquejo - de escritor. O cara que me viu, o aéreo, viu logo que eu não tinha pinta de prosador.  Os que não me viram, mas leram a sinopse, viram logo a brejeirice do texto e o deletaram.
      É isso. Mas não tô nem aí. Não quero ficar rico mesmo! Ah, tenho uma esperança. O Jânio da CJA. Fiquei de bater um papo com ele. Se a coisa for pra frente, e ele me editar, falo pra vocês, porquanto o impresso deve ficar bem mais em conta. Mas, vejam, não nos conhecemos. Não sei se a conversa fluirá quando ele apertar minha mão.
      É isso de novo, meus nobres.
      Valeu pelo plá. Agora vá ao MEUS E-BOOK (levante a vista que virá a guia). Tá vendo? Vale a pena ver  o tigre da capa. Criei a capa, acredita?
Fui!
Tião

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O PROTESTO DE D. INTERNETE

O PROTESTO DE D. INTERNETE

            Ele escreve prosa; ela, poesia. Conheceram-se, há cerca de quatro meses, num evento literário. Bateram dois dedos de prosa poética, tomaram três taças de vinhos, foram para o apartamento dela, trocaram pernadas. Ou melhor, começaram...
Agora ele estava ali, na livraria. Ela também, cerca de cinco metros dele. Bião, encabulado todo, fez que não a viu e usou uma das funções mais escrotas do celular: tirou o bicho do bolso e fingiu um papo à italiana, digamos assim, visto à eloquência dos gestos. Ovídia captou tudo, sorriu, pegou seu aparelho, pôs-se a murmurar simulação, caminhou na direção do fingido e tome involuntário esbarrão.
Descaramento total, beijinhos básicos, Bião confessou-se envergonhado por causa de certo comportamento e tratou de pedir desculpa.
O pedido de desculpa se referia àquele momento em que os dois trocavam pernadas. Ou melhor, começavam...
Bom, pra resumir o episódio, há quatro meses, horizontalmente febris, salivas misturadas,