quarta-feira, 21 de agosto de 2013

DE VIZINHOS E VISIONÁRIOS

DE VIZINHOS E VISIONÁRIOS

Microconto, sabemos, é um gênero literário em que mais importante que explicar é sugerir, deixando para o leitor a tarefa de preencher as elipses narrativas e entender a história nas entrelinhas da história escrita.
Quando acordou o dinossauro ainda estava lá”, do Monterroso, é tido como um dos mais famosos microcontos.
Outro famosíssimo (apenas 26 letras, meu preferido) é o do Ernest hemingway: Vende-se: sapatos de bebê, sem uso.

No Brasil, são muito apreciados os micros do Dalton Trevisan.
Vou postar quatro criações minhas. As três últimas não são bem microcontos, mas... Mas? Entendeu o espírito do microconto? É isso! Vejam:


VI da janela a boca cheia de dentes do pervertido, delegado. Era Raul, o ZINHO.

(Tião Carneiro)

 Ontem, 20 do 8, foi o dia do VIZINHO, gente.

Vizinho: Merece prisão, sim. Deu a surra só porque a bichinha brincava de alevantar a saia dela. Delegado: farei a reconstituição. Segredo de Justiça. Agora saia, saia... E saia. Como foi, minha filha?
(Tião Carneiro)

Ontem, 20 do 8, também foi o dia da besteira.

Prendam o cheio de dentes. Não esperou. Correu cantando – Pare! Tá maluco? Metam-lhe o Seixo. Beleza! Dizia o maluco.
(Tião Carneiro)

Hoje, 21 do 8, faz 24 anos que o Maluco Beleza mudou-se para outro apartamento.

Pegou um plano alto, criou veredas e driblou os agentes – Corram, seus bundas moles. Simulem um atropelamento e matem o corredor.
(Tião Carneiro)

Amanhã, 22 do 8, vai fazer 37 anos que Juscelino Kubistchek chegou a outro plano. E dia de pagar a prestação de meu carro.

Abraços diários,

Tião