sábado, 21 de setembro de 2013

PEGAÇÃO MENTAL NO METRÔ

Insisto. Mande-me um texto pra gente curtir, meu nobre. Até ontem, apenas o Zé Alves e a Carmen Lobbo deram o ar da graça. Hoje, recebi uma supimpa prosa da leitora Silvana Bezerra. “Um continho, Tião”, escreveu ela. Continho uma píula. Um contão, gente. Leia e diga que estou mentindo, se tiver coragem.
Obrigado, Silvana e boa leitura a todos,
Tião

PEGAÇÃO MENTAL NO METRÔ

        Olhou para as sonolentas axilas do esposo e sorriu. Não o costumeiro, o vermelhão da espontaneidade, e sim um amarelão protocolar. Havia dias estava nas nuvens da insegurança, como a provar que o toque no ombro e o “moça” daquela moça tivessem bombardeado seu clima emocional. Tentava tirar aquilo da mente, mas chover no molhado era o que acontecia.
O marido se remexeu, ela acariciou-lhes as cabeludas coxas. Quis beijá-las, refugou. Aquilo não estava acontecendo. Seu homem ao lado, desnudo, em que singela carícia na orelha soltaria as rédeas do prazer e faria os cavalos da volúpia relincharem, e ela, ali, encurralada pelo sussurrado aviso de solidária ruiva. Como não beijar o Afonso, galã global, cobiçadíssimo pela mulherada? Desaprovou-se, foi ao banheiro, visitou as recordações. As lágrimas deram-lhe as boas vindas. Depois do respiro oceânico e da fungadinha básica, a volta para a cama. Na companhia, quinze dias atrás:
Apanhara o metrô na Estação da Luz. Minutos depois,

sábado, 14 de setembro de 2013

CINCO A CINCO

CINCO A CINCO

Esse era o placar quando voltei do mato. O jogo estava empatado e, naquele momento, últimos segundos dos acréscimos, o time dos infringentes tinha um pênalti a favor, porquanto um novato dos incontinentes metera a mão na bola dentro da área. Infringentes e Incontinentes, pessoal, faziam o clássico no campinho do Araçá, distrito de Extremoz. Infringentes, diga-se, não por viverem infringindo, mas por serem gente de Infrin, lugarejo parede e meia com o nosso, Contine. Da mesma forma, éramos incontinentes por sermos de Contine, e não por vivermos mijando nas calças. Por exigência da Sociedade Tutora de Futebol (STF), o jogo estava se realizando em campo neutro, no Araçá.
Mal chego, François foi logo esbravejando:
“Bicho burro, Tião, o Novato. O lance era só dele, cara, aí o prisiaca acha de meter a mão na bola. Cara experiente, bicho! Sei não, viu? Pra mim... A sorte da gente é que quem vai bater é o novato do Decano. O danado, dizem,

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

UM QUÊ DO CHICÃO E DO CEMITÉRIO ENDINHEIRADO

UM QUÊ DO CHICÃO E DO CEMITÉRIO ENDINHEIRADO

Apresento-lhe dois trechinhos do romance QUÊ! Se quiser estrangular a curiosidade, vá aqui em cima em clique na guia e-book QUÊ!
Um abraço e boa leitura.

6 –O ESCRITOR ARTUR RONAN DORE E A REPÓRTER VERA
De mais a mais, meus romances têm o intuito de acabar com a hipocrisia de esconder o lado erótico da vida. É absurdo o falso moralismo como é tratada a convivência sexual.

Cheguei à Pousada da Luz ao meio dia e quatro minutos. Na entrada, numa areazinha recuada, acomodava-se um jovem senhor, de óculos escuros, ao lado uma bengala. O Sr. Inácio nos apresentou: a ele, como o renomado escritor Artur Dore; a mim, como o Sr. Paulinho, proprietário da hospedaria. Trocamos breves palavras. Dali a minutos o Sr. Inácio levava-me ao apartamento e me convidava para almoçar. Almoçamos na pousada. Falamos sobre literatura e fizemos recíprocos pedidos: eu o chamar de Inácio, apenas, e ele me apresentar ao investigador do caso. Despedimo-nos, pedidos satisfeitos, porquanto eu ter agradecido com um “obrigado Inácio” ao ser apresentado à delegada Selma.
Vim para o quarto, liguei o gravador do celular e, por pretender romancear o mistério, comecei a descrever os acontecimentos. Neste instante, começo a escutar o papo com o motorista Chicão. De Cristal a São Mateus foram duas horas e vinte e dois minutos de valiosíssimas informações.
Chicão é tagarela. A princípio receoso, imaginava o falatório interferindo no senso de dirigir, mas logo o notei perito no volante. Chicão deu-me ciência de praticamente todos os misteriosos fatos da sexta-feira de São Mateus. Muitos desconhecidos da imprensa, a exemplo

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

AMOR, SEU DANADÃO, CADÊ VOCÊ?

AMOR, SEU DANADÃO, CADÊ VOCÊ?
           
Vicente Serejo, arretado cronista de o Jornal de Hoje, daqui de Natal, gosta de amar. Do contrário, não teria namorado o “O Amor acaba”, clássico de Paulo Mendes Campos, e nos acariciado com a publicação em sua Cena Urbana. Em seguida, afagou-nos com a exposição de “O amor começa”, contraponto de José Carlos Oliveira. Achou pouco o cronista Vicente e nos brindou com a “Crônica do amor que começa”, brincadeira de Xico Sá com a prosista dupla de escritores. Isso na semana passada e em edições consecutivas.
“O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova”, diz Paulo Mendes Campo. “O amor começa à noite, por exemplo, numa festa, embriagada mais pelos sentimentos contraditórios que lutam em seu coração do que pela quantidade de uísque que se permitiu beber”,  afirma Carlinhos Oliveira. “O amor começa, por exemplo, em uma noite de sesta-feira, a noite do pecado por excelência”, afirma Xico Sá. O trio é foda na matéria amor, não?
Escreveram mais:  “Para recomeçar