terça-feira, 1 de outubro de 2013

BRUXARIA LITERÁRIA

BRUXARIA LITERÁRIA

          Não sei explicar. Mas suspeito de alguém. Ou de algo. Não do nosso amigo Algo, aquele que sempre nos diz, o que nos aconselha no pé do ouvido. O algo aqui é o do mal, o da coisa feita, o da macumba braba. Embora certo amigo tenha tido a petulância de me dizer que eu sofrera simples recaída de duas semanas.
Certo é que fiquei dois fins de semana sem olhar pra uma gela ou saborear uma branquinha. Daí o meu branquíssimo gelo inspirador ter travado o Pocilga nesses dias. E lhes poupado de textos emborrachados de besteirós (o último, supimpa, lembrem-se, foi colaboração da Silvana).
Dou-me muito bem com a dupla cambaleante. E dela faço apologia, sim. Quem quiser fazer mungangas que faça. Tô nem aí! Não é uma apologiazinha de sinceridade que vai fazer o sujeito encher a careta e cair na sarjeta. De qualquer jeito. De jeito nenhum, não é verdade? Vejam estas estatísticas e me digam se não tenho razão de aplaudir as estimulantes líquidas.
92,27% de minhas amizades foram costuradas com agulhas (Fritas no dendê, no mais das vezes) de papos cervejados.
90,38% de meus trabalhos são realizados
com a ajuda de solitários copos rosariados de correntes. Explico. Minhas tarefas não são rotineiras, requerem planejamentos. Então – solitariamente - consulto aquelas ardentes estrategistas engarrafadas, retenho as orientações, sorrio e nos dias seguintes só tenho o trabalho de pô-las em práticas. Ah, mas todo mundo planeja suas ações, dirá você. É fato. Porém, duvidodêodó, que com o nível de confiabilidade das minhas.
Mais um dado. 100% de meus textos nascem de influências copeiras. Aqui surge um complicador. Os diabinhos, gente. Na terceira emborcada, a cachola fica lotada deles. Os pestinhas enchem-me de palpites, empurram-me alucinações, abarrotam-me de safadezas. Fico piradão, pessoal. Começo a escrever e termino embaralhando os assuntos, tal o alvoroço que os caras me impingem.
Mas, como falei, fiquei carente das alcoólicas benesses por duas semanas consecutivas. Antes de lhes revelar como me curei, deixem-me falar acerca da precisão percentual exposta ali em cima. Os números estão corretíssimos, pois usei – pirateei, confesso -, o software utilizado pelas construtoras dos estádios da Copa 14. Nossa Arena das Dunas, por exemplo, já está 88,39% pronto. O programa é absurdamente fiel. Coisa de cinema. Os capetinhas estão doidos que eu lhes diga como o aplicativo funciona, mas não vou dizer. Talvez em outra postagem, tá?
Como fiquei curado? Bom, hora do almoço se aproximando, feijão verde no fogo, a mulher preparando peixe no coco, eu zanzando dentro de casa, o computador tirando onda comigo. Vejo a desarrumada estante, dou de cara com o Paulo Coelho, lembrei-me de certa conversa, senti uma descarga, a ficha caiu. Nossa! O cheiro do feijão verde misturou-se com o do tucunaré, dei o goto em seco e foi só o que deu: tomei duas largonas, corri para o computador e comecei a digitar esta prosa.
O lance foi o seguinte. Tenho um amigo, o Anchieta, que é fã do Paulo Coelho. No quarto desse amigo tem um retratão do Paulo que toma praticamente uma parede. Por aí vocês tiram a adoração do cara. Então, caí na tolice de lhe segredar que o meu romance, o QUÊ?!, estava pega não pega a vendagem do Coelho. Confidenciei ainda que no próximo ano iria lançar um livro de crônicas, já escrevera cinco delas, e que a tiragem do bicho certamente ultrapassaria a do Paulo, posto eu estar entrando no mercado chinês. O infeliz sorriu sem jeito, deu um tempinho e foi embora. Uma semana depois teve início a minha insensatez abstêmica e, por lógica decorrência, a derrocada criativa. Muita coincidência, não?
Não posso provar, mas o bruxo do Anchieta foi direto a algum terreiro e feito uma tramoia a fim de amarrar meu livro. “Torne-o arredio à bebida”, deve ter dito à catimbozeira. Vender mais do que o Paulo? Nem pensar! Tanto é certeira a minha intuição que me bastou ver o Paulo na estante para tudo vir à tona. Algo me diz que estou certíssimo. E o que acha você?  Safado, o cabeção do Anchieta.
“O almoço tá num pé e noutro pra sair. Quer pirão?”, anunciou a minha mulher.
Também, respondi. Respondi e mandei o word dar uma corrigida no texto.
“O almoço tá na mesa”, gritou ela, enquanto a gramática do word brigava com a do texto.
Já vou.
“O pirão vai esfriar, homem de Deus!”
Vou já.

E fui!
São servidos?

Até mais ver,
TC