terça-feira, 19 de novembro de 2013

JANTAR FRIO

Olá, gente,
O Elilson, editor do blogue Rapadura Cult, lançou o projeto Cem Palavras – Contos. Nele, o leitor é desafiado a escrever um conto com no máximo cem palavras. Legal, a ideia. Benevolente, Elilson acaba de publicar a minha colaboração. Impiedoso, imponho-lhes o sacrifício de leitura tão insípida. Vingativo, não vai ler, é?

JANTAR FRIO

Bião levantou-se e repetiu: “Tá pensando mesmo em mudar de curso, é minha filha?” Novamente calado como resposta. A colher permanecia suspensa, a sopa esfriava, o pão era da mosca. Cláudia mantinha-se logada ao aparelhinho. Bião buscou o olhar da esposa. Fracassou. Havia meia hora Carlinda falava ao celular, o leite virando gelo. Procurou o filho. Carlinhos jantava na sala. Jantava, virgula. Imitava a irmã.
Enfezado todo, o conservador Bião riu, ficou nu, subiu na cadeira, esbravejou:
“Pelo amor de Deus. Quem tá falando com você, Cláudia?”
“A doidinha de minha namorada, pai”.
Cláudia respondeu, mas não tirou a vista do aparelhinho.

Tião Carneiro