domingo, 29 de dezembro de 2013

O TEMPO DO DRUMMOND

O TEMPO DO DRUMMOND

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí, entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente”.

As aspas acima representam os ósculos do Drummond. Você sabia, não? Sabia também que o picharam agora no Natal, em Copacabana, Rio de Janeiro, local onde o poeta vive poetanto o mar?
Pois é! O ano terminou mal para o nosso amigo Carlão. Pra mim também, conquanto tenha começado bem. Comecei 2013 sob as águas da bem-aventurança. Em janeiro,

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

MENSAGEM NATALINA DO PORCO CARNEIRO

MENSAGEM NATALINA DO PORCO CARNEIRO

Olá, nobríssimos e nobríssimas,

Fim de ano! Momento de abraçar, sorrir, agradecer. E de desejar, naturalmente. Espero que tenham um Natal supimpa e um 2014 porreta. Supimpa e porreta dizem tudo, mas gostaria de acrescentar um caldeirão de saúde, uma gamela de paz, uma bacia de prazer.

Que 2014 se transforme num gigante alguidar de sorrisos.
Beijocas natalinas (e natalenses),
Tião Carneiro

Ah, permitam-me uma informaçãozinha. Meu livro QUÊ?! está à venda no Amazon.
Agora você pode comprar o impresso no Clube de Autores e o e-book no Amazon.

Para adquirir o impresso, clique aqui em cima, na aba, “CLIQUE, LEIA, SORRIA E COMPRE O QUÊ?!”


Para comprar o e-book o caminho é este. Livros – Kindle store. Aí você digita quê?! que o bicho aparece. Então use o link http://www.amazon.com/s/ref=nb_sb_noss_2?url=search-alias%3Ddigital-text&field-keywords=que

domingo, 15 de dezembro de 2013

A DESPEDIDA

A DESPEDIDA

Não deve ficar mais aqui. Falo de coração despedaçado, mas pode ir. Vou ser franco. Metade de mim quer que você fique. Mas a outra metade acabou vencendo. A dúvida faz parte de minha natureza, você sabe disso.
“A dúvida, TC, é o primeiro sinal de inteligência”, assim você me falou, não faz um ano. Lembra-se disso, amiga velha?
Estávamos na cama, você a filosofar, dentro de mim, como era de seu feitio. Disse-lhe que não concordava, posto ver a dúvida como simples artimanha da mente - a aliada do tempo -, já que decidir é a primeira ação que a mente processa. Apenas se faz de morta, gozadora que é. Você gozou de mim e disse que entre dúvida, mente e tempo não existia conchavo algum. “Em comum aos três, TC, só a capacidade de atingir metas”, soprou-me no ouvido, despertando-me da libidinosa sonolência.
Ao como assim, você me respondeu desta forma.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A DERROTA DA FICÇÃO

A DERROTA DA FICÇÃO

             Sentei-me na preguiçosa, empurrei pra perto a mesinha de rodas, liguei o notebook, loguei-me à internet. Chane, o gatinho branco daqui de casa, acomodou-se logo embaixo da mesinha. Certamente imaginava que eu iria escrever alguma tolice.
Chane já foi chefe político, cobrador de prestações, gerente de hotel, cambiteiro e bibliotecário. Hoje, está na transição da sexta para a sétima vida, de mecânico para crítico literário. Neneta corta-lhe as unhas, dá-lhe banho, deixa-o branquinho, mas aí ele se soca debaixo do carro e vem todo oleado criticar meus textos. A comunicação do danado se dá quando leio em voz alta cada parágrafo que escrevo. Se gostar, ele esfrega o focinho em minhas pernas. Se apenas não gostar, finge que está dormindo, antevendo, por certo, o real sono dos futuros leitores. Agora se realmente detestar,

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A VARA DA MACIEIRA

A VARA DA MACIEIRA

Trata-se de Representação do MP.  Numa bancada, acomodam-se Adão e cinco companheiros. Noutra, Eva e cinco aliadas. Aguardam o magistrado. Respeitam o ambiente, mas os olhares lânguidos mostram-se zombeteiros, como se a desavença não lhes dissesse respeito.
Desconhecem por que o MP havia se metido naquele assunto. Tudo indica que quer mostrar serviço. Até a imprensa estava o tribunal!
O magistrado chega, acompanhado de risonho assessor, cumprimenta-os com paternal sorriso e ordena:
Pode falar, Adão. Por que brigaram?
Eva e essas aí fizeram uma calda de maçã, chamaram-na de paixão e jogaram a gororoba quente em cima de nós, Senhor.
E vocês não reagiram?
Como, Senhor? Presos pela chave de pernas, imobilizados pelo mata-leão, sufocados pelos descomunais apertos? Só nos restava gemer.
Mentira, senhor. Eles se imobilizaram, adormeceram e não conseguiram levantar. Gemiam, sim, mas no ronco, de desgosto. Penalizadas, apanhamos uma vara de macieira e ficamos passando de uma pra outra, cutucando eles. Daí, levantaram e tentaram nos matar de arrocho. Comemos o pão que o diabo amassou. Chegamos até a revirar os olhos, acredita, Senhor? Desculpe por ter metido o Coisa Ruim na resposta, Senhor.
Está desculpada, Eva. Você é danada de autêntica. Agora me diga: