domingo, 15 de dezembro de 2013

A DESPEDIDA

A DESPEDIDA

Não deve ficar mais aqui. Falo de coração despedaçado, mas pode ir. Vou ser franco. Metade de mim quer que você fique. Mas a outra metade acabou vencendo. A dúvida faz parte de minha natureza, você sabe disso.
“A dúvida, TC, é o primeiro sinal de inteligência”, assim você me falou, não faz um ano. Lembra-se disso, amiga velha?
Estávamos na cama, você a filosofar, dentro de mim, como era de seu feitio. Disse-lhe que não concordava, posto ver a dúvida como simples artimanha da mente - a aliada do tempo -, já que decidir é a primeira ação que a mente processa. Apenas se faz de morta, gozadora que é. Você gozou de mim e disse que entre dúvida, mente e tempo não existia conchavo algum. “Em comum aos três, TC, só a capacidade de atingir metas”, soprou-me no ouvido, despertando-me da libidinosa sonolência.
Ao como assim, você me respondeu desta forma.

- Nem bem são estabelecidas, as metas desses três logo são alcançadas. Veja: a dúvida perturba como ninguém, a mente concebe que só ela, o tempo passa que é uma beleza. Já viu esse trio falhar, por acaso?
            Naquela noite estava fazendo um ano que havíamos nos conhecido. Você mudara muito nesse período, minha amiga. A inocente virgem do interior tornara-se impiedosa, perseverante, exibida. Traidora, por vezes; escandalosa, por outras. Nunca a imaginei bissexual e insaciável. Mas assim era você e a sua rotina. Que o diga a dona da pousada, a amiga de infância, o motorista da prefeitura e o barbudo detetive.
Quantas vezes não me revirei nos lençóis por causa do modo de vida que você estava levando. Não conto as horas em que, excitação a mil, me remexi na cama reprovando as suas ideias, querendo mudar a sua maneira de agir.
            Farei agora delituosa confissão. Pensei em matar a dona da pensão e o motorista. Foi, sim. Mas você me envolveu de tal forma que acabei desistindo. Consegui modificá-la em alguns aspectos, é verdade, mas não o suficiente para ficar comigo eternamente. Diabólica e sedutora é o que você é, minha senhora. Agora, certa coisinha não entendi. Por que jogou em meus braços a sensualíssima assessora e mandou-me assassinar aquela mocinha?
         Vá, vá embora, por favor. Vá procurar a sua patota e se venda por lá. Você agora pertence ao mundo. Mas me permita um conselho. Certamente vão lhe derrubar. Excêntrica, inculta e presunçosa serão adjetivos comuns no campo da crítica. Não ligue. Por que não posso ser diferente? Fale assim, ria e mande às favas os críticos.
          Quê?! Nua?
          Que que tem? Você ficou linda. Tem mais é que mostrar a silhueta.
          Quê?! Resfriado?
           Pega não, mulher. Alguém haverá de lhe cobrir com uma capa.
          Quê?! Vai chorar?
          Chore não! Você sabe que sou fraco pra essas coisas.
          Quê?! O nome?
         Isso é tolice, amiga velha. Coisa de antigamente. Com “E” ou com “H” tanto faz. Mas prefiro com agá, como costumo lhe chamar. História com agá fica mais charmoso, sem dúvida.
          Agora vá.
          Beijos. Ah, tenho que lhe dar um cascudo.

        E dei. Não o capilé, mas um enter. Foi assim que, há cerca de quatro meses, a minha história viajou para o Clube de Autores, transformou-se no livro QUÊ?! e vive por lá a seu dispor, meu nobre.
        Sexta-feira, 13 do 12, recebi 5 exemplares. 2 pra Adauto, 1 pra Guilherme, 1 pra Ednésio e 1 pra mim. Os caras fizeram questão que eu fizesse o pedido. Fazer o quê? Fiz, e a fim de matar a saudade, pedi um exemplar pra mim. Fazer é comigo mesmo, entenderam?
        Se quiser conhecer a minha história, clique aqui em cima, na aba clique, leia, sorria e compre o e-book quê?!

Abraços do TC,

Tião Carneiro