quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

BIZARRO PRAZER

 BIZARRO PRAZER

Você conhece Phaseolus Vulgaris? Não? Nem tem ideia de quem ou do que seja? Então veja três dicas.
1. Vulgaris é uma criatura vaginal, da espécie trepadeira, de dois gêneros, cuja seção transversal da vagem, ou bagem, pode ser circular ou elíptica.
2. É um ser enrustido, de certa forma, porquanto precisa de atividades mecânicas, dedógrafas, por assim dizer, a fim de aparecer e de mostrar-se palatável.
3. Acomoda-se em estojo, envoltório, bainha. Ou vagina, em termos etimológicos, segundo - as três definições - o Dr. Gugo e o Dr. Houais.
E aí? Nada? Pois estamos falando do nada vulgar e delicioso feijão verde. Phaseolus Vulgaris é o nome oficial do ramoso trepador, que se esconde em vagens e que pede dedos para ser debulhado.
Sou estudioso – e comedor – de feijão verde. Vitamina K, C, A, fósforo, magnésio, cobre, ferro, tudo isso tem nele. A iguaria transforma anemia em sucata. Traço-o de qualquer jeito. Até puro, na água e sal, amassando-o, fazendo bolo com as mãos. Uma delícia!
Feijão verde, aliás,

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

LADRÃO DE SANTO

LADRÃO DE SANTO

            Zequinha teve a ideia na hora. Esperto todo, maquinou, sorriu e agiu: botou dois reais na sacolinha da coleta. Zequinha é brincalhão. E mente que é uma beleza. Também é cheio de safadeza. Até assaltar já assaltou. Mas só três vezes, costuma repetir quando está tomando umas com a galera. Conta assim, sem a menor reserva:
- Estava escurecendo quando saí da obra, seiscentos e trinta reais no bolso, a quinzena de servente de pedreiro. Então o cara emparelhou comigo, empurrou um treco nas minhas costas e levou a grana. E ainda me chamou de vagabundo.
Chorei e decidi recuperar a mufufa. Voltei pra obra, peguei um pedacinho de cano e caminhei pra parada dos ônibus. No mesmo lugar onde fui assaltado ia uma mulher. Enfiei o cano nas costelas dela, anunciei o assalto e tirei uma bolsinha pequena que estava entre as regadas dos seios dela. Dei um choro e vi uma nota de cem. Chamei ela de vagabunda e mandei ir embora. Quis só a bolsinha. Parece mentira, mas tinha lá exatos seiscentos e trinta reais. Esse foi o primeiro assalto. Depois de muito tempo assaltei mais duas vezes. Assaltar é moleza. O povo morre de medo e a polícia não tá nem aí. Só deixei de assaltar porque percebi que estava me acostumando.
Zequinha deixou de assaltar, mas se der bobeira ele apronta uma safadezinha. Então,

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

BODE SOBE NO TELHADO EM CARAÚBAS


BODE SOBE NO TELHADO EM CARAÚBAS

O fato aconteceu domingo, 12 deste janeiro/14, no município de Caraúbas, distante trezentos quilômetros de Natal-RN. Cidade supimpa, amigos. Autenticidade, beleza e religiosidade vivem no semblante daquele povo. Tenho muitos amigos de lá - e lá. Taí Lieci da oficina e Sandra da Receita como exemplos.
          Bom, a caprina notícia, com o charme do bode no telhado, está no G1. Jocoso o acontecimento, sem dúvida. Raríssimas, contudo, são as pessoas que tentam investigar a causa de certos gracejos. Ficam no mangar e esquecem o pensar. Pensei, sim. E nesse caso com carradas de motivos, mas a conclusão subiu na dúvida. Vou contextualizar o evento e no final pedir a sua opinião.
        Muito bem. O bode, diz o G1, pertence ao pai do Dr. Tiago Araruna. Ele seria leiloado agora no dia dezenove, na festa de São Sebastião, o padroeiro de Caraúbas. O bode é que seria leiloado, é lógico, né, gente?
       Deixem-me fazer um parêntesis

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

DE FALO E FALÁCIAS (Proibido para falsos moralistas)

DE FALO E FALÁCIAS
(Proibido para falsos moralistas)

             O leitor atento, característica dos visitantes deste blogue (eta, porra), passa a vista num texto e logo identifica o autor. Se dele for habitual, é evidente. E não apenas pelos torneios vocálicos, pois alguns assuntos são cadeiras cativas no jogo literário de certos autores. Um dos meus tópicos favoritos é sexo. Adoro o danado. Principalmente quando a ele está associado o falso moralismo. Mas odeio o falso moralismo, não tenham dúvida.
            O falso moralismo é o cão, gente. A propósito, lembro-me de um texto do François Silvestre, outro fã do falso moralismo. De condená-lo, entendam-me. François apanha um táxi - em Recife, salvo engano - e sai papeando com o motorista. O assunto? A falsidade de alguns políticos (ou seriam muitos?). Chegam ao destino, o revoltado, honesto e ético taxista olha o taxímetro, pega a planilha de conversão da despesa e o caráter empurra-lhe os olhos para uma tarifa superior. Acho que o François ainda tá rindo da situação.
Pois bem. Estávamos, eu e o Bião, tomando umas no MPbar.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O TEMPO – E ALGUNS APONTAMENTOS – DO DRUMMOND (II)

O TEMPO – E ALGUNS APONTAMENTOS – DO DRUMMOND (II)

          Na última postagem de 2013, referi-me ao Tempo, do Drummond (veja post do dia 29, abaixo), e relatei certo arranco-rabo que tive com o amigo José. A desavença ocorreu pelo fato de o José ter tachado de merda os meus textos. Segundo ele, por excesso de toxinas, tipo cacófatos, e por carência de tônicos, a exemplo de metáforas, minhas prosas lhe chegavam às narinas com fetidez muito forte.
Fui embora e deixei implícito que voltaria com algo mais cheiroso em 2014. Escreveria o texto e falaria assim:
E agora, José?
Tentei, gente, mas nada de aprazível me ocorria. É difícil mostrar-se perfumado quando o entranhado estilo fica viciado no banho estragado da literatura. Tentava, tentava e nada. Queria escrever, pagar a promessa, mas não podia. Olhei pra cima, fechei os olhos, aí, aí... Aí aconteceu. Apareceu o Drummond. De carne e osso, pessoal. Mais osso do que carne, é lógico. Certamente me confundindo com o Alípio, Drummond apontou-me o dedo e foi logo dizendo:
– Seja mais tolerante com o cabotinismo de seu amigo; quase sempre esconde uma deficiência, e só impressiona a outros cabotinos. (1)

– Procure ser justo com os outros; se for muito difícil, bondoso; na pior eventualidade, omisso.
– Procure não mentir, a não ser nos casos indicados pela polidez ou pela misericórdia. É arte que exige grande refinamento, e você