terça-feira, 14 de janeiro de 2014

BODE SOBE NO TELHADO EM CARAÚBAS


BODE SOBE NO TELHADO EM CARAÚBAS

O fato aconteceu domingo, 12 deste janeiro/14, no município de Caraúbas, distante trezentos quilômetros de Natal-RN. Cidade supimpa, amigos. Autenticidade, beleza e religiosidade vivem no semblante daquele povo. Tenho muitos amigos de lá - e lá. Taí Lieci da oficina e Sandra da Receita como exemplos.
          Bom, a caprina notícia, com o charme do bode no telhado, está no G1. Jocoso o acontecimento, sem dúvida. Raríssimas, contudo, são as pessoas que tentam investigar a causa de certos gracejos. Ficam no mangar e esquecem o pensar. Pensei, sim. E nesse caso com carradas de motivos, mas a conclusão subiu na dúvida. Vou contextualizar o evento e no final pedir a sua opinião.
        Muito bem. O bode, diz o G1, pertence ao pai do Dr. Tiago Araruna. Ele seria leiloado agora no dia dezenove, na festa de São Sebastião, o padroeiro de Caraúbas. O bode é que seria leiloado, é lógico, né, gente?
       Deixem-me fazer um parêntesis
para que entendam as minhas “carradas de motivos”. Vejam meu nome aqui em cima. Tião Carneiro. Então! Festa de São Sebastião tem parentesco comigo, concordam? Bode, por genética cósmica, tem tudo a ver com carneiro, concordam de novo? Vocês podem estar se perguntando o que danado é genética cósmica. Poderia lhe explicar, sem problemas, mas... Enfim... Mas, enfim, o que interessa é que vocês entenderam as carradas de motivos, não?
      Bem, segundo o Dr. Tiago, o pai dele trouxe o bode do sítio e o deixou na casa de um irmão, na cidade. O bode ficou amarrado num muro, próximo de potente cisterna, parede e meia com uma loja. Ficaria ali até domingo que vem, data do leilão.
     Começa aqui o meu pensar, sobre o qual há pouco pedi a sua opinião.
   Vejam. Inadvertidamente, prenderam o bode nas vizinhanças de uma cisterna. Bode, sabemos, não é muito chegado a água. Daí que o bode já ficou cabreiro, não é isso? De mais a mais, o pessoal deve ter comentado, é evidente, que ele seria leiloado. “Tomar banho pra ir a leilão. Ninguém merece. Prefiro morrer”.
     O ser humano é muito egoísta, pessoal. Contam-se nos dedos os que não fazem para os outros o que não gostariam que fizessem para si. Dadas as circunstâncias, é forçoso admitir, qualquer um de nós botaria a barba de molho. Deprimido, para o nosso amigo optar pela morte foi um pulo só. Não contou conversa e tibungo pro telhado. De lá pro chão seria questão de tempo.
     Suicídio, portanto, é uma de minhas teorias.
     Lá em cima, o barbichão queria plateia. Mas ninguém olhava. Até que um cabra olhou e apontou pra ele. Outro olhou e tornou a apontar. Assim, entre olhar e a apontar, formou-se a sonhada assistência. Então aconteceu algo maravilhoso. Quando o bode viu aqueles cabras rindo pra ele, inclusive fardados, desistiu de pular e desceu coçando a barba. Era amado, concluiu.
     Agora, o que a multidão não entendia era como o amigão havia pulado da cisterna para o telhado. Metro e meio, diziam. Impossível, repetiam. Aqui entra minha segunda teoria.
   Alguém quis promover o leilão. O caminho? Redes sociais. Na moita, bota-se o bode em cima do telhado, a notícia corre a cidade, começa o adjunto de gente, o inusitado aparece no face e haja curtição e compartilhamento. Uma coisa é o leilão de um bode anônimo, outra coisa é o leilão de um bode artista. Vai render dinheiro que nem presta.
     Promoção, pois, é outra de minhas teorias. Tem mais, mas...
     E aí? O que você acha?

    Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Relevem a brincadeira da promoção, tá?
   Com fraternos abraços aos caraubenses,

   TC
   Janeiro/14