quarta-feira, 28 de maio de 2014

PROPOSTA INDECENTE


PROPOSTA INDECENTE

Assisti à entrevista do presidenciável Eduardo Campos, segunda-feira, pela Roda Viva, TV Cultura. Vi tudo da cama. Três aspectos chamaram-me a atenção. O apreço que o candidato nutre pelo ex-presidente Lula, a vontade de ter certas figuras como oposição ao Governo dele, a exemplo de Sarney e Calheiros, e a intenção de extinguir metade dos ministérios. Esses tópicos ficaram-me na memória.
Fui tomar banho matutando. Ah, as conveniências...
Retornei e dei uma circuladinha pela sky. Procurava um filme novo. A sensação era de que o da TV Cultura eu já assistira várias vezes, embora com atores diferentes. E não gostara de nenhuma das versões.
Saí apertando o controle. Parei no canal 43. Estava passando um filme de exorcismo, cujo título me foge no momento. Sei que nunca assistira a ele. Sei ainda que a personagem Maria Rossi havia matado três religiosos, e a filha dela procurava a todo custo entender aquilo, descobrir a verdade da mãe. Deixava o futuro em segundo plano. Abandonei a fita por causa da violência. Mas a tenacidade da jovem ficou na memória.
Fui tomar água matutando. Ah, as circunstâncias...
Volto e torno a aperrear o controle. Estaciono no canal 70 e dou de cara com nada mais nada menos que a Demi Moore. O canal passava Proposta Indecente, produção de 1993. A Demi, então com 30 anos, no auge, contracena com Robert Redford. No auge da forma artística, diga-se, a fim de evitar tendenciosas especulações. Diga-se, também, que Proposta Indecente já assisti a umas quinhentas vezes. Tornei-me tão íntimo da Demi que me sinto à vontade para pôr o artigo antes do nome dela. Reporto-me a ela como a Demi sem a menor cerimônia.
Sintonizo o 70 e dali a minutos John Gage (Redford) oferece um milhão de dólares a David (Harrelson) para que este permita que sua mulher, Diana (Demi), passe uma noitada com ele, John Gage. Nesse ponto congelo a cena e vou ao banheiro. Vou com a pouca vergonha na memória.
Fui derramar água matutando. Ah, o sexo...
Retornei, mas, pensativo, deixei a cena parada, John prestes a dar uma encaçapada. John e David estavam jogando sinuca, lembram-se? Certo é que o casal aceitou a proposta, sabem vocês.  Mas John foi tão sacana que quis saber da Diana de quem tinha sido a decisão. Grandessíssimo fdp.
Bom, não assisti mais ao filme. Espreguicei-me e levantei-me da cama para dar uma olhadela nas portas, pois um alarmezinho mental aconselhava-me tal vistoria.
Fui matutando. Ah, a comunicação...
Quão poderosa é a nossa mente. Veio-me então à memória a mente de Eduardo Campos querendo injetar na nossa a ideia de melhor candidato. Só fiquei em dúvida se a mente injetora era substantivo ou verbo. Em dúvida, mas... Mas dei uma checadinha na porta da sala.
Olhei a porta da cozinha, vi o sangueiro na cozinha de Maria Rossi e comecei a pensar no que a mente dela havia pensado naquela hora. Pensei, antevi as agitações mentais da filha e concluí: mentes adjetivadas. De ódio e de amor, por certo.
Terminada a ronda, voltei para a cama. O que teria passado pela mente de John, Diana e David? Posse, indecisão, ciúme? Certamente que sim.  E tudo com os mais fidedignos dos advérbios. Em especial os terminados em mente. Já estava cochilando quando me lembrei de coincidente detalhe. Os olhos, gente. Eduardo cunha, Demi Moore e Maria Rossi têm olhos verdes (ou são azuis?). Mas o olhar é diferente. O de Eduardo é errante, o da Demi é encanto, o de Maria é espanto.
Adormeci com a televisão na cabeça. Quer dizer, conveniências, circunstâncias e sexo, evidentemente. Despertei com a ideia de jogar essas três coisinhas numa panela de barro, botar num fogo de lenha, mexer, coar, pôr a substância numas cumbunquinhas de cabaço e sair mundo a fora gritando: “Comunicação da melhor qualidade. Quem vai querer? Cem cruéis a cabaça. Sabendo usar nada lhe faltará”. Acho que logo, logo arrumarei um milhão de dólares. O que você acha?
Estava rindo dessa doidice quando recebi uma mensagem pelo zapzap. Diga de quem era? Aposto que está pensando na Demi Moore. No Eduardo Campos? Vou digitar um “leia mais” a fim de matar sua curiosidade. O leia mais só vai ter o tal nome, ok? Proponho que tecle e leia.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A COPA DO MUNDO DOS MEUS DEDINHOS



A COPA DO MUNDO DOS MEUS DEDINHOS

Existem pessoas que conversam com os botões, outras consultam o travesseiro, algumas confabulam com os dedos. Pertenço ao bando dos dedos. Pouca gente sabe, mas botei até nome nos cinco assistentes. Bião e Mião, por exemplo, conhecidíssimos de Adauto e Janice, são os paus-mandados que agora estão tocando as teclas do notebook. Cerão, Becão e Chatão completam a confraria. De nascença, Cerão chama-se Mindinho; Becão, Seu Vizinho; Bião, Maior de Todos; Mião, Fura Bolo; Chatão, Cata Piolho. Na maternidade do povão, diga-se, já que o batismo anatômico lhes deu registros diferentes.
Pois bem, estávamos de saída para uma oficina literária. Dado o ambiente da oficina, pedi-lhes que se trajassem convenientemente. Todos apostos, esperávamos o Mindinho. Nisso, Mindinho aparece socado num macacão sujo de óleo. Fato é que o Mindinho é meio mouco, daí não ter mentalizado a locução correta quando lhe falei “oficina literária”.
Meus auxiliares são cheios de cacoetes, digamos assim. A mania do Mindinho, o Cerão, é coçar o ouvido. Já Seu Vizinho, o Becão, é formal ao extremo. Vive de beca e tem o costume de usar discreta argola a fim de exibir seus compromissos com alguém. Maior de Todos, o Bião, é o safado da turma. Cultiva a insanidade de se estirar, num gesto obsceno, segundo sensíveis pessoas. Além de inquieto. O bicho não para, gente. Adora mexer, coçar. Diverte-se gozando com a cara dos outros. Fura Bolo, o Mião, passa o tempo estudando Direito. Vive apontando os deslizes dos colegas. Cata piolho, o Chatão, tem uma preguiça que nossa! O vocabulário dele resume-se a ok e não ok. Deram-lhe o apelido de Chatão por causa da cabeça chata.
Afinal, saímos para a oficina. A palestrante deu várias dicas de construção literária, sobretudo da organização escritural, mas se omitiu acerca do principal: o pontapé de tudo, o início da criação, o pensar da história. Por isso o Bião perguntou: “A senhora pode dar uma dica de como criar uma prosa, bolar a ideia, aguçar a imaginação? Por exemplo, quero escrever um texto erótico. Posso até pensar na senhora, mas aí...”
A plateia caiu na risada. A escritora sorriu amarelo, ensaiou uma resposta, mas não disse nada com nada. Aplaudi a intervenção do Bião. Principalmente a indagação de como enraivecer a imaginação. Aprender a mentir, ter uma ideia e dela desenvolver algo ficcionalmente aceitável é o meu sonho. Por isso estava ali. Mas cadê? Minha imaginação é um zero à esquerda, vive dormindo, tranquila, nada a enraivece. A réplica da moça nem de longe a aborreceu.
Bom, para não aborrecê-los mais, direi agora como terminou a oficina. Sucedeu que a professora aproveitou o clima de Copa do Mundo no Brasil e pediu que cada aluno escrevesse um microconto a respeito do evento. Microconto, sabem vocês, é dizer muito com poucas palavras. É a vitória das entrelinhas. Representa precioso exercício para o intelecto do leitor, visto ser dele a responsabilidade pelo preenchimento das lacunas contextuais. “Copa do Mundo, gente. No máximo quarenta caracteres. Os senhores terão meia hora, ok?”
Escrevemos, sim. O primeiro a ser lido foi o do Cerão, o Mindinho. Mouquinho da silva, o danado trocou Copa por cópula e escreveu:
“Cópula no Brasil? Sei não, mas...”
O formal Becão, Seu Vizinho, saiu-se com esta:
“Tudo bem. E outros compromissos?”
O depravado Bião, o Maior de Todos, nada escreveu. Preferiu desenhar. Fez uma caricatura em que se encontra em posição de sentido, mas apoiado nos irmãos Seu Vizinho e Fura Bolo. Sensacional o gesto do desavergonhado.
O certinho Mião, o Fura Bolo, redigiu:
“Há muitos furos nos meus apontamentos”.
O monossilábico Chatão, o Cata Piolho, passou dos limites e escreveu:
“Meu ok para os incontáveis não ok”.
E eu? Sai-me assim:

quinta-feira, 15 de maio de 2014

CRUÉIS DESAMOLADAS NO MACHADO DE ASSIS


CRUÉIS DESAMOLADAS NO MACHADO DE ASSIS


Não sei se o nobre leitor está acompanhando a controvérsia envolvendo a escritora Patrícia Secco e o meio intelectual brasileiro acerca de O ALIENISTA, festejada obra de Machado de Assis, publicada em 1882. A escritora acha a linguagem do conto complicada e quer simplifica-la, ao tornar as frases mais diretas e substituir palavras. Sagacidade, por exemplo, vira esperteza. Supõe a escritora que a ação editorial fará o leitor iniciante se interessar pela leitura. Com incentivos do MEC, a primeira tiragem, de trezentos mil exemplares, está prevista para junho deste ano.
Ocorre que parte da população acadêmica é contra a iniciativa, principalmente, alega, por descaracterizar a obra do grande Machado. Está rolando na internet, li agora, um movimento pedindo ao MEC que impeça a publicação. Já conta com mais de seis mil votos. Certo é que está montada a polêmica.
Matutava sobre o quiproquó, então lembrei-me do primo Bião, especialista em Machado. Queria a opinião dele. Bião, inclusive, obrigou-me a postar sacana texto sobre uma crônica de Machado. O texto mexe em “A CARTEIRA DE MACHADO DE ASSIS” e foi postado aqui em 13/11/11. Não ponho o link porque o bicho não quer vir.
Bom, liguei para o Bião. Bião, envelopezinho na mão, chegou, entrou de casa a dentro, serviu-se de largona dose de uísque, aboletou-se numa cadeira e bafejou logo o sou contra. Não me deixou falar e continuou:
“Sou contra, primo. Machado demorava um tempão

quinta-feira, 8 de maio de 2014

DESCULPE, MÃE




DESCULPE, MÃE

Imaginei que daria certo. Por que não daria? Por que a gestação não redundaria em sucesso? Mas sempre há risco. Risco que precisaria ser enfrentado, pois não costumo me amedrontar com nada. Enfrentaria possíveis ameaças em busca do fruto perfeito. Não temia que alguém achasse a minha concepção troncha e feiosa. O que danado parece feio quando confrontado com a altiva beleza? Nessas horas, feioso mesmo é o julgamento de feio. Não existe motivo, porém, para condenar o parecer do contra. A crítica jamais deverá ficar no presídio da mente.
Encontrava-me na cama, o sítio ideal para a criação,

sexta-feira, 2 de maio de 2014

CONVITE PARA O BACANAL DA SALTITANTE BRAZUCA



Olá, nobríssimos,
Tenho o costume de bolar uma brincadeira com os jogos da Copa do Mundo. Invento um Bolão e me divirto com os colegas de trabalho. Acabei de criar uma brincadeirinha e pensei em convidá-los para a festa. Peço-lhes licença a fim de fugir dos textinhos sem futuro e apresentar as regras do divertimento. A princípio, a coisa parece meio confusa, mas só parece. No fim, verão que o negócio é tão fácil quanto tirar confeito de criança. Faço um convite especial para a galera do exterior. Espero a participação de vocês. Nosso Bolão será internacional, gente.
Acho que o Brasil fará a final contra a Alemanha. Mas pode ser contra a Espanha, E. Unidos, França, Rússia, Argentina, Portugal...
Ah, o que ora lhes apresento é o regulamento da brincadeira. A planilha de apostas, em equicel, o blogue não configura.  Vira uma tremenda salada. Então, se quiser participar do Bacanal passe um imeio para tcarneirosilva@gmail.com que mando a tal planilha.
É isso! Leia o convite.

CONVITE PARA O BACANAL DA SALTITANTE BRAZUCA

Olá, seu danado e sinha danada. Estão receptivos para uma aventurazinha? Ou a fidelidade ao conservadorismo não lhes permite uma putuladinha pro riso? Será?
            Se for, deem-me (eita) um desconto, aceitem minhas desculpas e abandonem a leitura desta indecente cantada. Mas se a secular e sadia gozação é de vocês amiga, continuem lendo o convite deste vivente vidrado em viver a vida.  Isso posto (fala, Blidenor), passo-lhes a arregaçar a programação dos trinta dias de sacanagem, denominada Copa do Mundo (a FIFA é sacana, sim!). Começarei dando, digo, fornecendo, o Regulamento da Safadeza, aqui chamada BACANAL DA BRAZUCA. Falo assim para descontrair, pois neste BOLÃO não há tramenha, não, meus.  Daqui a pouco