quinta-feira, 5 de junho de 2014

Vai ter Copo, sim


Vai ter Copo, sim

Em 50 eu não usava copo. Tinha dois meses. Bebia nas fontes de minha mãe. Dessa prática sugatória originou-se o rascunho de meu Bigode.
Em 54 meu copo era uma canequinha.  Bebia leite de cabra, a minha Pinga preferida.
Em 58 não bebia mais o leite de cabra. Mas, às vezes, tal qual Pelé, furava o bloqueio de mãe e emborcava uma canequinha do bicho.
Em 62 só bebia mesmo água. Água trazida por mim da cacimba de Seu Luís Quixaba, no Araçá-Extremoz. Feito Garrincha, driblava a magreza e equilibrava o galão d’água nas costas.
Em 66, já em Natal, bebia apenas grapette. A moda era beber no canudinho, mas eu preferia copo. Minto, não bebia apenas grapette. Bebia também suco de Manga. Num copo, é claro. Data daqui a minha primeira namorada.
Em 70 bebia suco de laranja. A laranja daquela época era muito boa. Todo o Tostão que eu pegava transforma em suco. Bebia em taças. Nesse tempo, em cada “assustado” eu arrumava uma paquera.
Em 74 as laranjas passaram a ser produzias de forma mecanizadas. Abandonei o suco e comecei a xavecar um pirata de nome montila. A garrafa do peste tinha um rótulo azul. Bem Marinho, lembro-me bem. Eu tomava o montila em copões cheios de gelo e limão. Bebia acompanhado. E bem.
Em 78 perdi uma aposta e raspei o bigode. Perdi também uma namorada e tomei um porre daqueles. Não caí em depressão graças a um amigo, treinador de mentes, chamado Coutinho.