segunda-feira, 7 de julho de 2014

EM PRIMEIRA MÃO:

Só respirei Copa nos últimos dias. Daí o Pocilga estar desatualizado. Mas nem por isso deixou de ser acessado. Ganhei até um leitor(a) de Luxemburgo, a quem agradeço. Assim como agradeço a toda galera além-mar que tem me lido. Em especial aos alemães, holandeses e argentinos, semifinalistas que somos nesta Copa/14. Por que não mandam um imeio para tcarneirosilva@gmail.com? Passe um imeio e dê seu palpite, leitor.
Bom jogo pra vocês. Leiam agora esta prosinha sem futuro.


EM PRIMEIRA MÃO:
(OS JOGOS FINAIS DA COPA TERÃO DOZE ATLETAS EM CADA SELEÇÃO)

Tenho me divertido bastante nesta Copa. Não só pelo futebol, pelo qual sou apaixonado, médio volante que era do Araçá Futebol Clube. E era bom. Bom? Bom, talvez. Talvez razoável, digamos assim. Razoável? Razoável, não. Ah, sei lá. Sei que nunca fiquei fora duma partida e o jogo só começava quando eu chegava. Com a bola, é evidente.
Tenho me divertido bastante nesta Copa, dizia eu. Sobretudo, reforço, com os ajuizamentos dos torcedores. Sempre me diverti com as análises a respeito de resultados futebolísticos. Comentários de barzinhos e de redes sociais, então! Adoro ler internautas. Comentaristas de televisão também. Os últimos, vê-los e ouvi-los, é claro. Tem cada uma que dá dez. Nossa! Como esse pessoal muda rápido de opinião. E como são passionais. Nada contra a paixão futebolística. Futebol - assim como outras balizas e bolas - é realmente apaixonante. Mas
é bom casá-la com um tiquinho de razão. Mas não. O pessoal faz questão de não ver a verdade. Basta um tropecinho e a seleção X - ou o time Y - não presta mais. Perdeu o foco. Mas engrena e o foco volta se se recuperar na partida seguinte, mesmo que na seguinte volte a tropeçar. Seleção tal deveria ter jogado no quatro não sei das quantas em vez do três das quantas não sei. O treinador, rodadão, é gagá, não soube armar o time, por isso perdeu. Outro, novatão, é inexperiente, daí ter perdido. Esses são discursos corriqueiros.
Sorrio para alguns oradores, pois o semblante deles me diz tratar-se de brincadeiras tais manifestações. Já outros analistas me aborrecem, porquanto a comunicação demonstra seriedade. É uma loucura, gente. Para essa turma, joga de muleta o mais eficiente jogador do futebol mundial, titular em todas as equipes, o nosso polivalente Imponderável.
Todo o mundo sabe que se a seleção brasileira jogar dez vezes contra o Alecrim, porreta time de Natal, ganhará as dez vezes. A disparidade física e técnica favorecerá o time amarelo. Aqui, sozinho, o imponderável é incapaz de decidir o jogo. Mas somente aqui e em embates semelhantes. Por que, no mais das vezes, o imponderável é quem distribui as cartas no gramado verde. Entendam-me. Durante o jogo, torcemos adoidados e damos as costas para o racional. Isso é compreensível. Mas antes – e diante duma partida -, cujos atletas estejam mental, física e tecnicamente nivelados, é aconselhável manter um pé atrás, já que o jogo pode ser decidido por uma distração, uma canelada, um escorregão. A pixotada não quer saber se o treinador é gagá ou garotão ou se o jogador ganha milhões ou milhinhos. Ela pode surgir a qualquer momento, amante que é do imponderável. O imponderável é amolecado, insensível, pois não tá nem aí para a alegria e tristeza que simultaneamente desperta nos circunstantes.
Penso assim. Não existe nada mais teatral que um jogo de futebol. Teatral no sentido de encenação. Uma partida de futebol representa minúscula dramatização da farsa maior, a vida. Minúscula, mas a mais eloquente, real. O que são noventa minutos de futebol, senão a existência de cada indivíduo? Passar a bola a este ou a aquele companheiro é ou não é a escolha nossa do dia a dia? E o que é a estratégia de jogo? Ou você não traça planos de vida? Sabe você o que representa a bola no jogo da vida?
Esse negócio do “penso assim” sempre descamba para jogos de palavras, o que termina no gol da filosofia barata. Desculpem o gol contra, tá? Filosofia não é a minha praia. Minha praia é torcer, não distorcer. Amanhã, oito do sete, o Brasil joga contra a Alemanha. Vou torcer pelo Brasil. Depois, Holanda e Argentina, torcerei pela Holanda. Espero que em ambos os jogos o nosso amigo Imponderável - aquele que joga nas onze posições - jogue de muleta e não interfira no resultado.
Que ganhem os melhores. Caramba! Ninguém nunca disse isso.
Bom jogo, galera.
Julho/14

TC