quinta-feira, 30 de outubro de 2014

CONSIDERAÇÕES ELEITORAIS DE UM ABESTADO


CONSIDERAÇÕES ELEITORAIS DE UM ABESTADO

O pão deu três reais. O menino deu uma nota de dez. A moça deu-lhe dezessete de troco. O guri deu-lhe sorridente muito obrigado e deu meia volta pra casa. Voltou dando risadas, lembrando-se da lição que a mãe lhe dera minutos atrás. Perguntara a ela por que não podia votar:
- Porque você só tem doze anos. Faltam quatro. A lei não permite votar com menos de dezesseis, entendeu?
- Por que não mudam a lei?
- Ah, filho, tanta pergunta! Os meninos de sua idade não sabem o que são valores, ética, moral, honestidade.  Não têm discernimento. Não sabem votar, entendeu?
            - Como assim, mãe! Então faço tudo no computador, tenho facebook, whatsapp e mesmo assim não tenho discernimento? Não saber digitar dois números num teclado é imoral, mãe.
            - Não tô falando disso não, meu filho. Estou dizendo que você e os coleguinhas não sabem distinguir o certo do errado. Tome esse dinheiro. Vá comprar o pão. Vá e volte voando que ainda vou votar, viu? De que tá rindo?
            De sua ruma de “v”, mãe. A professora disse que o nome disso é colisão ou aliteração.
            “Pronto, mãe. Voltei voando. Sabe, mãe, a moça me deu o troco errado. Deu dezessete reais em vez de sete.
            - Foi? Mas aqui só tem os sete. Cadê o resto?
            - Devolvi.
            - Como assim, devolveu? Ô menino besta!
            O moleque fez cara de choro. Mas ficou rindo por dentro.
                       
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            Lembrava-me dessa historinha enquanto preparava a operação apuração de votos. Fiquei matutando. Sou matuto, gente. E a operação é coisa de matuto mesmo. Vejam. Pego notebook, carregador de bateria,
extensão, tê de tomada, rádio, etc. e ponho tudo numa pontinha duma mesona lá no fundo da garagem. A pontinha da mesa é importante pro notebook, já que vinte centímetros adiante e a internet não entra. O etecetera é essencialíssimo. Significa cerveja, isopor e tira-gosto. Normalmente skol e coxa de frango.
Faço isso em todas as eleições, ligo-me na internet, no rádio e fico torcendo pelos candidatos em que votei. Domingo passado, 26 do 10, aos dez pra 16 eu já estava com a estrutura montada. Torcia pelo 15 e pelo 45. Supunha que a dupla ia perder, mas torcia. Não nego nem no nocaute. Aliás, minhas últimas vitórias foram com a M para prefeita de Natal e com o L presidente de 2002.
            5 e tanto em Natal e o 55 já era o governador do RN. Só falta o 13 ganhar do 45 nacional, matutei, tomando uma golada, dando uma mastigada e me vendo jogando no bicho na segunda-feira. Jogaria 13455 invertido, pois a inversão abrangeria os números eleitorais de D, A, R, H. Essa inversão dá milhar de bicho esperto, tipo gato; burro, tipo, cavalo; perigoso, tipo, cobra; prevenido, tipo camelo; voador, tipo borboleta; bicudo, tipo galo, e trombudo, tipo elefante.
            Bom, a partir de 6 e tanto fiquei de olho no saite do TSE. A informação era de que a votação para presidente sairia apenas às sete horas, mas, sei lá! Vai que divulgam antes. Queria ser o primeiro a olhar os números. Coisa de gente besta. À medida que o sete se aproximava, do saite os meus olhos não se afastavam.
Olhava e matutava. Com o país inteiro ligado no focinho de D e A, bem que a internet podia se aliar aos eleitores e botar quente nos dois. Bastava agir como relatado no livro O Intuitor, do Tiapa Apah. Em certo momento, descreve Tiapa, D. Internete dos Pontos Dáblius pega ar com os governantes, avisa-lhes que vai sair do ar e que só voltará quando eles tratarem bem os governados. Hoje, D. Dáblius podia ameaçá-los mais ou menos assim, numa mensagem de letras azuis e vermelhas, redigida pelo assistente Sávio Cruz:
            “Olá, candidatos. Estou travada para os brasileiros. Só me destravarei daqui a 22 horas, 22 minutos e 22 segundos. Mais uma coisinha. A contar de 1º de janeiro, a senhora ou o senhor terá 2.222 horas para mostrar que começa a fazer o prometido e que está agindo como prometeu. Qualquer vacilo e ficarei me afastando sem prévio comunicado. Estão avisados. Chantagem? Embuste? Desaforo? Não fui eu quem começou, candidatos.
Té mais, com a devida licença do poeta Alencar.”
             Já imaginaram na repercussão dessa mensagem? Ri tanto que chorei. Esfreguei os olhos e foi só o que o TSE quis. Voltei-me pra tela e...
            E o resto vocês sabem. O que acham de eu dar essa sugestão à D. Internete? Mas é bom avisar à D. Dilma, né não? D. Internete é danada de imprevisível.
           
            Outubro rosa e vermelho,
            TC