sábado, 27 de dezembro de 2014

O PONTO CRUCIAL

O PONTO CRUCIAL

É bela e difícil. Às vezes, ingrata. Mas como vale a pena! O matolão dos momentos sublimes é infinitamente maior que o bisaco das amarguras. E só é maior porque essa é a expectativa de enchimento. Estou a escrever (se preferir, leia escrevendo) sobre o rosário de segundos, minutos, horas, dias, meses, anos. Refiro-me ao percurso nascente/poente. Reporto-me ao axioma começo/fim. Ou simplesmente vida.
Não há contradição entre beleza e dificuldade, como dá a entender o primeiro olhar. São estágios, ciclos inerentes ao ciclo maior. No mais das vezes, a dificuldade torna mais bela as belezas da vida, assim como o risco deixa mais saborosa a vitória. Também no mais das vezes, amargura ou doçura dependerá da decisão tomada a partir da análise de singularíssimo ponto. Ponto comum nesses caminhos e obrigatório em todas as paradas da vida.
É esse ponto que me desestimula de matar a morte. Responda-me com frieza e franqueza. Vale a pena matar a morte? Pois! Este é o ponto. Ou melhor, o ponto é aquele.
É esse ponto que o enche de dúvidas na hora de tocar aquele projeto amoroso, secreto, às vezes simples fantasia, e somente admissível na esperança do prazer supremo. Vale a pena matar o bom senso?
É esse ponto que nos faz optar por este ou aquele, por isto ou aquilo, por mais ou menos.
Esse é o ponto que o fará decidir por tanto, por quanto. Portanto, porquanto lhe é tão íntimo, urge dar-lhe a merecida importância. Vale a pena matar a avaliação? Não vale. Vá por mim.

Que conviva com menos reticencias em 2015, respeite as vírgulas que certamente aparecerão, faça de tudo para atrair as boas interjeições, tenha a firmeza de pôr o ponto final no que lhe convier.
Agora, dê especial atenção ao norte da vida, à bendita interrogação. Pergunte-se, indague-se, interrogue-se. Depois use o freio. Ou o acelerador.
Esse é o ponto. O ponto de interrogação é o cara.
O ponto crucial.

Quê?

Dez/14
TC