quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

SÓ NÃO PODE SER ASSIM.

SÓ NÃO PODE SER ASSIM

(Sugiro ler antes o post anterior. Mas é apenas sugestão)

Não. Definitivamente não. Estou percebendo teus gestos. Queres te mostrar indiferente, mas não consegues. Os sinais involuntários te traem. Tencionas edificar algo íntimo e clamas por minha cumplicidade.
Não. Não a terás.
Não é assim que funciona. Tua salvação pode ser o pecado. A minha não tem o pode. É. É a honra.
            Não. Podes me imaginar à vontade. É-me impossível evitar. Mas jamais serei depósito de teus animalescos suores.
            Não. Enganas-te. É zero meu poder sobre teu sexo.
         Não. Não preciso de gráfico. Tudo teu é transparente. Inclusive a simulação. Simulação da intenção, é claro. Claro é que a intenção é autêntica.
Não. Não preciso de provas. Vejo tudo. Mudando-te, riscando-te, formatando-te. Queres que desenhe?
Não. Não quero te ouvir. Tua voz, teu olhar, tu, tudo, tudo de ti me tortura.
Sim. Tortura e fere-me, sim. Certamente a ferida da paixão. Meu corpo dói, expele suores. Alguns frios, de febre. Mas só alguns. A maioria origina-se da febre.
Sim. Vivia disfarçando essa dor, sim. Agora estou aqui, ajoelhada, olhando-te diretamente.
           Sim. Sei disso, sim. Teu corpo é muito mais do que sexo. Teu corpo forma uma sequência de volúpia, prazer e luxúria. É sexo, excitação, xodó, orgia.  Viste como teu sexo é sex?
            Sim. Tens razão, sim. Não era eu uma segunda pessoa, mas sentias-me assim.
         Sim. Tem razão. Aquela pessoa corria de você. Não mais correrei. Não serei mais a segunda pessoa. Serei mais eu. Sei que você tem a capacidade de ler meu olhar. A partir de hoje, olhe-me atentamente e verá que o vejo em dobro. Veja-me e verá ternura e paixão, corpo e prazer, gritos e sussurros.
Sim. Quero que o mapa seja o território, sim.
Sim. Quero que a imaginação se transforme em visualização. Não diz você que só se visualiza o imaginado? Mas pode ser simultâneo, não pode?
Está com medo? Não devia ter. Medo de amar é o cúmulo. Cúmulo de quê? Sei lá! Só sei que é o cúmulo. Agora que me seduziu está morrendo de medo. Agora está vendo pecado em tudo. Amar não significa pecar. Odiar, sim.
Prefere o dito pelo não dito, então.
Não ou sim?

Só não pode ser assim.

Fevereiro/15
TC