sábado, 28 de novembro de 2015

A SOBRANCELHA DIREITA

O Pocilga tá de sacanagem comigo. Aqui, acolá ele exclui uma postagem sem eu mandar. Esta da sobrancelha, por exemplo. Postei-a no 11 do 11. Vou postar de novo e ficar de olho na sobrancelha. Agora, o texto de baixo, o AP39, é mais cheiroso. Vá por mim!

A SOBRANCELHA DIREITA

Arriamos as bicicletas.
Mal livrou-se do capacete, a trêmula Fatinha foi logo me beijando:
- Caramba, amor. Que fino o idiota tirou em você. Numa ciclovia, Fernando! Como é que um país deste pode ir pra frente se simples norma de trânsito não é respeitada?
- O de sempre?
Consultei a Fatinha. Ela apenas balançou o sim de cabeça, pois algo no celular exigia-lhe concentração.
- O de sempre, Eduardo.
Eduardo logo nos atendeu. Começamos a tomar os de sempre. O meu, suco de caju. O de Fatinha, suco de acerola. Eu pensava no invasor da ciclovia. Tinha o olhar distante.  Ela, pertinho. O olhar e o dedo indicador. Ambos colavam no celular. Dei uma chupada no canudo:
- Suquinho sem gosto, este, viu?
Fatinha olhou pra mim e voltou a escorregar o dedo no celular. Não disse duas nem três. Passados uns três minutos, sugeriu:
- Ué! Peça outro, tchê? O meu está ótimo.
Diz a Fatinha que arqueei a sobrancelhinha direita. Agora, que demorei um pouquinho para comentar, ah, isso foi:
- Sorte a sua, querida.
Novas dedadas, novo silêncio, velhos minutos:
- E azar o seu, meu querido. Detesto seus arqueadinhos de sobrancelhas, Fernando. Ainda mais a nojenta da direita e, por cima, olhando-me de lado. Pura mangoça. Querida? Bah!
Eu devia ter sacado que a Fatinha trocara o momento mental de ternura pelo de frustração. E a causa era a leitura no celular. Seu “ótimo” do suco já saiu péssimo. Sinalizava intriga. E ué, tchê, bah? Vige, parecia até que a Fatinha não estava em Natal.
A verdade é que

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O PODEROSO AP39

O PODEROSO AP39

E aí, meu nobre, sabe você o significado do misterioso título acima? Não? Torce o nariz pra ele? Pois não devia, leitor. Você também não, minha nobre. Falo já do famoso AP39, visto estar precisando agora de algumas letras a fim de comentar outro assunto.
O comentário é por tê-los chamado de meu nobre, de leitor e de minha nobre. Entenda. Há poucas semanas, deparei-me com esta recomendação de famoso crítico literário:
“Não chame de leitor ou algo semelhante o possível desbravador de seu texto. Esse fulano torce para ser surpreendido. Procura encantamento. Intimidades com o autor não lhe interessa. O fulano pressente a esperteza, o puxa-saquismo, o artificial flerte. Tal intimidade fica melhor em mesa de bar”.
Esse bicho é um literato careta. Bundão, fica falando miolo de quartinha. Ele tem o “quê” do queixume existencial. Pensei assim, juro. Mas se concordarem com ele, posto não encontrarem aqui encantamento, menos ainda surpresa, meu imeio está ao lado. Adoro uma gela, meu nobre leitor. Ou minha nobre leitora. Desculpem aí, gente. Estava com o bundão do crítico entalado até o pescoço.
Voltemos ao AP39. Leiam esta manchete:
Substância encontrada em flatulência evita câncer, ataques cardíacos e demência.
Essa chamada é da Tribuna do Norte de domingo, 15 do 11 deste violento 15. A Tribuna começa despejando a matéria com a seguinte introdução. “A informação foi divulgada amplamente nas redes sociais nas últimas semanas, mas muita gente a imagina piada ou brincadeira. Mas não é!”
A Tribuna do Norte, diga-se, tão somente traduziu a apresentação de um estudo da universidade britânica de Exeter. Tal estudo descobriu primorosa substância na flatulência e em ovo podre. A substância ajuda a reduzir o risco de enfarto, ataque cardíaco, câncer e, até, demência. O nome da bendita? 

sábado, 7 de novembro de 2015

A FESTA DE CERTA TURMA

A FESTA DE CERTA TURMA

Olá, gente,
Escrevo (ou seria redijo?) a fim de matar o tempo. Hábito besta, coisa de maluco, diria. E não alimento a história do escrever apenas por prazer. Espero ser lido, confesso numa boa. Minhas postagens são lidas, em média, por treze leitores. Três delas, porém, deixaram-me desanimados. Apenas quatro leituras, pode? As três estão contextualizadas com o seguinte título: A Fifi, o Pedro e Factoides. Estão, não, estavam, pois acabei de excluí-las. Juntei-as num único texto e as deletei. Ficou um mostrengo de sete páginas. Oscila entre conto grande e romance pequeno. O bicho tem quatro tópicos: A fogosa Fifi no barzinho, A feiosa Fifi na faculdade, O prisiaca do Pedro pinta no pedaço e... Não convém revelar o quarto, leitora.
Vejam a loucura. Se os textos independentes, coisa de página e meia cada um, não foram lidos, imagine um tijolão de sete laudas. Mas, enfim... Bom, darei um pote de doce de leite a quem chegar ao fim do danado.
É isso!

A FOGOSA FIFI NO BARZINHO

Oi, Bonitão. É a Fifi. O Feitosa te ligou?
Fifi, menina, desculpe aí. Não. O Feitosa não ligou não, Fifi. Escute...
Nisso o papo ficou viúvo: a bateria de meu celular acabava de morrer.
Eu havia me encontrado com a Fifi, num barzinho, há coisa de duas horas. Estava bordejando, digamos assim. E ela também, pelo visto. A tevê do MPbar mostrava um jogo de futebol. O barulho dos assistentes me deu a dica: escreva sobre a paixão futebolística, cara.
Nisso, e já meio chumbado, encontrei a coroa bonitona, também biritada. Ou melhor, a bonitona me encontrou quando saía do setor interno do bar. Riu, abraçou-me forte, perguntou pela turma e quis saber se eu soubera da última do Feitosa. Feitosa não tem jeito não, meu amigo, disse ela.
Ficamos de papo uns dez minutos. Mas só a charmosona tagarelava. Minha fala se resumia a “Não é isso! Oh! E então! Caramba”! Parafraseava e bulia na memória. Quem é, meu Deus? Turma? Que turma? Seria a turma da faculdade? Feitosa? Não me lembro de ter me enturmado com nenhum Feitosa. Ela deve estar me confundindo com algum ex. Mas por que não me trata pelo nome do ex? Talvez não, por estar em dúvida se sou realmente o ex. Ela está bebendo. O álcool deixou-a de recordação zanolha. É isso. É coisa dos birinaites. Mas a voz não me é estranha. Ah, o tempo.
Estimei-a nos arredores de quarenta anos