sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O PODEROSO AP39

O PODEROSO AP39

E aí, meu nobre, sabe você o significado do misterioso título acima? Não? Torce o nariz pra ele? Pois não devia, leitor. Você também não, minha nobre. Falo já do famoso AP39, visto estar precisando agora de algumas letras a fim de comentar outro assunto.
O comentário é por tê-los chamado de meu nobre, de leitor e de minha nobre. Entenda. Há poucas semanas, deparei-me com esta recomendação de famoso crítico literário:
“Não chame de leitor ou algo semelhante o possível desbravador de seu texto. Esse fulano torce para ser surpreendido. Procura encantamento. Intimidades com o autor não lhe interessa. O fulano pressente a esperteza, o puxa-saquismo, o artificial flerte. Tal intimidade fica melhor em mesa de bar”.
Esse bicho é um literato careta. Bundão, fica falando miolo de quartinha. Ele tem o “quê” do queixume existencial. Pensei assim, juro. Mas se concordarem com ele, posto não encontrarem aqui encantamento, menos ainda surpresa, meu imeio está ao lado. Adoro uma gela, meu nobre leitor. Ou minha nobre leitora. Desculpem aí, gente. Estava com o bundão do crítico entalado até o pescoço.
Voltemos ao AP39. Leiam esta manchete:
Substância encontrada em flatulência evita câncer, ataques cardíacos e demência.
Essa chamada é da Tribuna do Norte de domingo, 15 do 11 deste violento 15. A Tribuna começa despejando a matéria com a seguinte introdução. “A informação foi divulgada amplamente nas redes sociais nas últimas semanas, mas muita gente a imagina piada ou brincadeira. Mas não é!”
A Tribuna do Norte, diga-se, tão somente traduziu a apresentação de um estudo da universidade britânica de Exeter. Tal estudo descobriu primorosa substância na flatulência e em ovo podre. A substância ajuda a reduzir o risco de enfarto, ataque cardíaco, câncer e, até, demência. O nome da bendita? 
Sulfeto de hidrogênio. Esse é o ponto central do informe jornalístico. A matéria ainda discorre sobre uma tal de mitocôndria e coisa e tal.
Curioso? Quer bisbilhotar? O estudo foi publicado aqui, ó, no “Medicinal Chesmistry Communications”. Apanhe o Google e vá lá, então!
Pois bem, sulfeto prum lado, sulfeto pro outro, os cientistas britânicos terminaram identificando um benfazejo composto. Deram-lhe o nome de AP39, o nosso parceirão ali de cima. É esse danadinho quem nos traz as virtudes da flatulência.
Bom, li a reportagem e fiquei matutando:
Quem diria ter tamanha eficácia o velho peidinho nosso de todos os dias, a moderna flatulência britânica.
Mas fiquei com algumas dúvidas. Por exemplo. Como o organismo absorve as benesses bogais? Ora pois! Pelas narinas, dirão os cientistas. Se assim for – e só pode ser -, estamos sendo muito burros. Neguinho deixa escapar uma flatulência, imperceptível punzinho, e a galera já tampa o nariz. Santa ignorância.
Outra dúvida é o gênero bufante. Flatulências masculinas e femininas têm poderes iguais, visto equivalentes serem os benefícios? Não é essa a pergunta. Desculpem a impropriedade. A pergunta é: como as mulheres vão remunerar os homens, porquanto viverem usufruindo dos presentes de nosso fiofó sem nada em troca nos dar? Tudo bem, se tivéssemos a “bundosa” contrapartida. Mas nem esse empate técnico temos. Nem a pau! Ou você já ouviu, viu, sentiu ou pressentiu mulher peidar? Tás doido, doido!
Dá pra imaginar, por exemplo, um peido da Gisele Bundchen? A única pista dela com essas coisas, meu nobre, é o início do sobrenome Bundchen. Nem me refiro a peido tipo trovão de estalo. Já seria demais. Refiro-me a uma bufazinha, um punzinho de leve. Um vento, digamos. Jamais se deliciará com tal cena, bicho. Nem da Gisele, nem da Fernanda, nem da Manoela, nem da Tânia, nem da Vanessa, nem da Cláudia, nem da Cíntia, nem da Patrícia. Nem de mulher alguma. Nem, nem e nem. Em resumo, as mulheres se beneficiam de nossos inocentes peidinhos, mas não nos retribuem com pelo menos uma solinha, um traquezinho. Elas precisam saldar essa dívida com os homens. Concordam comigo?
Quer saber? Pensando bem, é melhor deixar assim. Deixa pra lá. É mais uma cortesia masculina. Mas cuidado, gente. Como a dádiva fiofenta é novidade, convém se prevenir. Quer um conselho, meu nobre? Recorte a notícia da Tribuna do Norte, mande plastificá-la e ande com ela no bolso. Quando soltar um peidinho do bem, e a mulher, desinformada toda, coitada, subir nas tamancas, mostre-lhe a reportagem e sorria. O suculento beijo virá. Pode apostar.
Agora, uma coisinha me intrigava no composto AP39. Pesquisei e descobri o seguinte. Havia um brasileiro na comissão de cientistas britânicos. Foi dele a ideia do AP. Esse A é de arroto-choco (flatulência coadjuvante). O P, por óbvio, é de peido (Flatulência protagonista). E o 39 é a variância de X... Não redigirei a amazônica fórmula. Vou facilitar. 39 é a média da expectativa de desembarque da massa quântica originária dos componentes AP. Entendeu? Quer o desenho?
“Ai, meu Pai. Vou correr. O autor deste texto é maluco. Se maluco não for, mas o “quê” de enlouquecido ele tem. Ah, tem”, dirá uma de minhas nobres.
Sou biruta não, nobríssima. Tampouco tenho o “quê” de enlouquecido. E felizmente me falta o “quê” do queixume daquele crítico. Se “quê” eu tiver é o da benquerença. Quer uma prova?
Imaginava alguém me tachando de maluco (mas não você, minha nobre), daí ter redigido esta prosa sem usar a pestinha da palavra "que". Deu pela ausência dela? Não? Pois!
QUÊ?!
Isso é a prova definitiva de minha maluquice?
Pois diga!

Novembro/15, um ano cheio de fedores e de outras flatulências. Com APertados abraços e 39 cheiros,
TC (Vou de gela. Vai de quê?)