quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

MORTOS NAS CALÇAS

MORTOS NAS CALÇAS

Última postagem de 2015, desejo-lhe Feliz Natal e um próspero ano novo. Você deve ter percebido um quê melancólico na cristã mensagem, não? Bom leitor que é, sabe que escritos não técnicos são simples tradutores de estados mentais. E, neste momento, o meu é depressivo. Veja a causa:
“REGISTROS DE MICROCEFALIA/ZIKA CRESCEM 13% EM UMA SEMANA
Leia o desdobramento (Tribuna do Norte, 23 de dezembro de 2015, página 1):
“ O número de casos suspeitos de microcefalia associada a zica cresceu 13% no Rio Grande do Norte, entre os dias 12 e 19 deste mês. Existem, agora, 154 notificações em análise, além de outras 10 possíveis mortes pela doença. O RN lidera, com a Bahia, o número de casos fatais.
Em todo o país, segundo dados do Ministério da Saúde, no mesmo período, o total de casos da anomalia observados em recém-nascidos subiu para 2.782 – 28% maior que os 2. 165 do último levantamento – com 40 óbitos suspeitos. O número de casos confirmados não foi divulgado”.
A microcefalia é uma malformação congênita em que o cérebro do feto não se desenvolve de maneira adequada. Além do risco de morte, a peste enraíza sequelas graves nos bebês sobreviventes, como dificuldades no andar e no falar. Nas causas estão doenças infecciosas, genéticas, desnutrição, exposição a substâncias tóxicas.
Pois bem, 167 brasileirinhos nasceram com microcefalia em 2013. E 147 em 2014 (Folha de São Paulo, 25/11/2015).
Em 2015, mas até 19 de dezembro, foram 2.782 notificações e 40 óbitos. Agora, nobríssimo, pegue esses números e dê um descontinho para as notificações de “origens naturais”. A diferença originou-se de quem?
De quem? Do zica vírus, carregado na barriga do aedes aegypti, o mosquito assassino. Assassino, não. Desculpe, mosquito, pois é de sua natureza fazer o mal.
Assassino é o governante brasileiro. Atual e antecessores, porquanto ser de sua natureza fazer o bem. Mas não faz, não é, governante? Refiro-me aqui tão somente à exterminação do mosquito, entendeu? Por que não deram um chute na bunda dele, a exemplo do Dr. Osvaldo Cruz?
Dengue, chikungunya, microcefalia. Que nome receberá a futura manifestação do mosquito? Inventem
algo duradouro, envolvam a sociedade, eduquem, contratem mata-mosquitos, informem. Falei duradouro, permanente, constante, diuturno. Entenderam, excelências? Não adianta apenas falar grosso. O aedes, governante, só entende a linguagem da porrada.
Senhora presidente, Vossa Excelência devia ir à televisão e pedir desculpa à população pelo desdém assassino. Mas precisa ser de cabeça baixa e chorando. Prometa que vai acabar com o danado. Não estabeleça meta. Mas quando atingir a meta, dobre a meta.
Senhor ministro da saúde, a omissão de seu Ministério o transformou em genocida. Além de matador da natural emoção de pais com filhos saudáveis. Ah, excelência, o senhor é um tremendo gozador. Devia deixar de fazer propaganda de camisinhas e repelentes, viu?
Não é e não faz? Pois diga! E pedir que nossas mulheres não engravidem? Isso é o que, senão propaganda de camisinha? O senhor é gozador, mas quer impedir o gozo das mulheres, ministro.
Vou ficar por aqui. O silêncio me chama, já que os sinos do poeta John Donne estão dobrando. Mas vou aproveitar o contexto e lhes fazer uma pergunta, senhores governantes.
Os senhores sabem por quem os sinos dobram?
Dobram pelos senhores, seus mortos nas calças.

Até que estou melhor, gente. Feliz Natal e um próspero ano novo. Inclusive para os que ficam fazendo vista grossa.
Dezembro/15

TC