sábado, 16 de janeiro de 2016

PAPEL HIGIÊNICO TEORIA E PRÁTICA

PAPEL HIGIÊNICO - TEORIA E PRÁTICA

A teoria na prática é outra. Na teoria é bonito, quero ver na prática. Você já ouviu essas frases, não? Ambas olham enviesadas para as teorias, concorda? Pura desinformação, entendo. Reflexo da acomodação mental. Acomodação é eufemismo. O certo – mesmo- é preguiça de pensar. Suas ações motoras nascem de teorias, minha nobre. Precisou dela a fim de ser a motorista de hoje, valeu-se da menosprezada para escrever, pediu-lhe arrego para levar uma colher de feijão à boca.
Ocorre que muitas das teorias já estão gravadas no quengo, de maneira que as usamos no automático. Você abotoa e desabotoa um botão sem sequer olhá-lo. Mas alguém teve o trabalho de sair testando os dedos e daí desenvolveu a teoria de prendedor e desprendedor de botão. Hoje pegamos morcego naquele testador e pronto. Nele, naquilo e noutras nuances da vida. Pense e me desminta se for homem (mulher também serve). Negar isso equivale a dizer que o homem chega aqui (mulher também) sabendo de tudo. Chega uma ova! Naturalmente que há teorias e teorias. Simples ou complexas, mas teorias são.
Pilotar uma aeronave requer sofisticada teoria, já tirar melecas do nariz é algo bem mais simples. “Ah, meu Pai, o Tião deve tá preparando uma fuleiragem, além de sofismar o tema. Transar, por exemplo, não exige nenhuma teoria.”
Você diz isso hoje, homem de Deus (mulher de Nossa Senhora também serve), mas imagine a primeira transa deste mundo velho. O negócio se deu de forma muito, mais muito
rudimentar. E só aconteceu graças ao Dr. Sexo, o percursor das ciências teóricas. Hoje, não. Hoje... E não existe fuleiragem aqui não, viu? A ideia é fazê-los pensar, cambada de preguiçosos.
Transar, aliás, comprova bem-vinda cobrança das ciências teóricas: a da atualização. Precisamos nos manter atualizados, aperfeiçoando teorias, até mesmo para evitar efeitos maléficos. Nesse ponto, o da transa, dou dez para a turma que fica se atualizando. Dez que não dou para os usuários de uma teoria igualmente secular: a teoria da limpada de bunda. Nessa, a nossa ignorância é abissal. Prova? Veja o que estampa o UOL Ciência e Saúde de hoje, 16 do 1: “Você pode usar papel higiênico, só não pode esfregar”.
Sabia disso, meu nobre? E você, minha nobre?  A reportagem começa assim:
“O papel higiênico deve ser usado apenas para limpar ou secar os excessos, não para esfregar na pele. O uso do papel higiênico é tão rotineiro que não paramos para questionar se é, de fato, higiênico ou não se limpar com ele. Por incrível que pareça, passar o papel nas partes íntimas não é a melhor solução para manter a limpeza, mas isso não quer dizer que o hábito deve ser interrompido”.
Bastante instrutiva, a matéria. Além de advertir para a não esfregação, fala da alergia ao papel higiênico e tudo mais. E faz especialíssima recomendação às mulheres (mas essa não cito nem a pau). Só não gostei dos melindres. O texto cita várias vezes as partes íntimas. “Parte íntima” é uma expressão bastante conservadora, pessoal. Expressão coxinha, diria. Parece que o autor do texto tem algo contra monossílabos tônicos. Poderia ter usado dissílabos ou trissílabos, como rego, fiofó, fresado, bufante, boga, frinfa. Ou mesmo o simpaticíssimo bumbum. Veja outro fragmento: “O papel higiênico deve ser usado apenas para limpar ou secar os excessos”. Excessos? Mudou de nome, foi? De qualquer forma, o texto arregaça a importância de nos mantermos atualizados com certas teorias.
Dou como exemplo a teoria usada no Mensalão. Teoria do fato ou coisa parecida. A teoria da delação premiada é outro exemplo. Essa, a da Lava Jato da galera dos arrumadinhos, é excelente. Pensando bem, acho que vou pesquisar uma teoria a fim de que lavemos bem e bem lavado - e altamente higiênico - o monossilábico e útil tonicozinho. E agregados, por óbvio. Pegarei carona na Lava Jato do Dr. Sérgio e criarei bela teoria para discreto e particularíssimo LAVA A JATO. Afinal, no fundo, no fundo, a matéria é a mesma, não é? Bolarei um Lava a Jato simples, portátil, tipo isqueiro, de líquido altamente secante. Papel higiênico fará companhia a enceradeira, vídio cassette de quatro cabeças e outros bichos. Além do mais...
Ah, gente, desculpe. Vou ali!
Janeiro/16
TC

Agora, não tem jeito pra brasileiro, não. Os caras gozam com tudo. Leiam alguns comentários no rodapé do UOL a respeito do papel higiênico.
- Quando eu era pequeno, minha mãe comprava um que limpava, lixava e dava acabamento.
- Eu esfrego com tanta força que parece que tô lixando uma parede! Quase arranco o couro.
- Eu deixo pra limpar só quando vou tomar banho. De três em três dias quando estou em São Paulo.
- Quem come muita farinha pode limpar com ventilador.
- Eu uso papel em BRAILE. Além de limpar que é uma beleza, dá cócegas.
- Putz! Papel higiênico é coisa nova. Na roça usa-se folha de mamona ou sabugo de milho. Cria uma resistência nas paredes... E das boas.

Tem comentário pra tudo que é gosto. É lógico que a maioria é de brincadeira, mas alguns comentaristas não sabem brincar é pegue cipoada nos outros.

TC de novo (A cerca desse assunto, sugiro a postagem AP39, de 20 do 11, aqui embaixo).