domingo, 20 de março de 2016

Tchau, querida!


Imagem Google

Tchau, querida!

Acerta quem está supondo que o título acima se refere ao diálogo da presidente Dilma com o ex-presidente Lula, ocorrido neste turbulento março de dois mil e dezesseis. Lula estava no aeroporto de Brasília quando recebeu o telefonema de Dilma, estão lembrados?
Pois!
Vou transcrever o ponto central da conversa, o período responsável pelo turundundum que deixou perplexo o país. A presidente falou assim para Lula:
“Seguinte, eu tô mandando o Bessias junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?”
Palavras, sejam escritas, sejam faladas, manifestam atitudes e só formam sentido com a leitura dos fatos que lhes deram origem, o tal do contexto. Não sabe ler quem ignora esse princípio, embora estar ciente dele não garanta a leitura correta. Não garante, posto a variedade de leituras, mas, no mais das vezes, é grande a possibilidade de acerto.
Bebeu, não foi fulano, pergunta a esposa do sujeito que bebe escondido dela. Não! Em absoluto, responde o infeliz. Conquanto aparentemente sóbrio, mas o olhar morto e os sinais de euforia o desmente. A leitura do mundo desmascarou a leitura da voz.
Voltemos à presidente.
O contexto comunicativo dela, diz parte das ruas brasileiras, era a iminência de Lula ser preso por ordem do juiz Sérgio Moro. Então, como ministro, com o termo de posse, a tensão acabava, haja vista a prisão só ser possível agora se a mando do Supremo Tribunal Federal.
“Tudo intriga da oposição. Não tínhamos certeza de que Lula comparecesse à solenidade de posse. A assinatura antecipada do termo foi tão somente uma precaução burocrática”, diz o governo.
Qual é a sua opinião? Primeiro a minha? Vejamos a leitura. Do telefonema e dos fatos.
A presidente se expressa muito mal, gente. “Tô mandando o Bessias junto com o papel”, disse ela. Pensei até que “o papel” fosse o apelido de alguém que acompanhava o Bessias. Depois percebi que era o termo de posse. “E só usa em caso de necessidade”, alertou. Aqui a porca torce o rabo e vai de encontro ao que pensa parte das ruas. Ora, o termo estava sem a assinatura da presidente. Não valia nadica de nada, portanto. Qual era a serventia dele, se Lula não poderia esfregá-lo na fuça da Federal? Pior. O termo voltou com o Bessias (Bessias ou Messias?), afirma o “pra gente ter ele”. Daí que mesmo para outra “necessidade” o danadão do papel não poderia ser usado. Incongruência total, portanto. A precaução do Governo tem mais sentido. Mas por que a tamanha precaução?
Certo é que, mesmo numa conversa informal, disfunções linguísticas não devem prevalecer, mais ainda por parte da servidora número um do país. A língua é a mais viva expressão da nacionalidade. Saber se expressar na própria língua faz parte dos deveres cívicos. A propósito, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma devem ter um pé atrás com o Brasil. Há um quê de desdém quando pronunciam “esse país, desse país”. É este e deste país, autoridades. Orgulhem-se. Por favor!
Bom, e qual seria a leitura do contextão da conversa acerca do termo de posse? Ao responder as perguntas seguintes

terça-feira, 8 de março de 2016

OPERAÇÃO ALETHEIA - ORIGEM DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER (MULHER, ADJETIVO FEMININO PLURAL)

Resultado de imagem para figura de adãoOla, pessoal, escrevi o texto abaixo há coisa de quatro anos. Por não ter sido lido, o danado desapareceu do blogue. 
Boa leitura.


OPERAÇÃO ALETHEIA -  ORIGEM DO DIA INTERNACIONAL DA 
MULHER (MULHER, ADJETIVO FEMININO PLURAL)


Podem me dar dois dedinhos de atenção? Quero me congratular com as mulheres pelo festivo oito de março, o Internacional Dia Delas. Mas, para o tributo ser autêntico, preciso a elas revelar um velho segredo nosso. Peço-lhes vênia para falar a respeito do milenar e mesquinho acordo instituído pelo companheiro Adão.
Serei tachado de traíra pelo homem de vocês, minhas nobres, mas já passou do tempo de conhecerem a verdade. Pouco me importam que me chamem de delator. Meu prêmio é a verdade. Daí viver vasculhando as versões noticiosas. Aqui, acolá as pego de calças curtas.
Bom, sabiam que o Dia Internacional da Mulher se originou de vergonhosa baixaria? A baixaria tem nome: inveja. Inveja, eis a palavrinha símbolo do pacto milenar. Vejam:
O presidente de nossa confraria, o Adão, convocou uma assembleia para discutir absurdo prenúncio de independência organizado pelas mulheres. Após exaustiva avaliação de conjuntura, Adão anunciou a safadeza:
- Sabem, colegas, tenho como modelo a líder delas, a minha senhora, a Eva. A Eva é danada de inteligente. Ontem, enquanto conversávamos, ela fazia a relação das compras, divertia-se com as brincadeiras da sobrinha e encantava-se com o cabelo de uma caminhante. Alguém aqui consegue fazer três coisas ao mesmo tempo? Ninguém, companheiros. Dar cordas a pessoas desse tipo é pedir que das cordas elas se apropriem e aprisionem o nosso braço-de-ferro.
O modo de vida da Eva é distinto do nosso. A Eva sente as coisas, compromete-se, apaixona-se. Alguém aqui age assim? Ninguém, companheiros. Devemos sentir inveja da Eva, pessoal. Precisamos puni-la. Punição que sirva de exemplo às possíveis lideradas.
O plano é este. Na próxima terça-feira, oito de março, internaremos a Eva no manicômio do Dr. Frankenstein. A missão é sua, Enoque. Tome a ordem de coerção. Primeiro você a convida a ir ao consultório. Caso ela se mostre uma jararaca raivosa, você apresenta a carta coercitiva, ok? Já acertei tudo com o Fran. Só lhes peço, companheiros, que a visitem pelo menos uma vez ao ano. Não se esqueçam de levar flores vermelhas. A Eva adora flores. Terça-feira, cada homem terá de levar um buquê, certo? Podem apanhá-lo na secretaria.
É isso, gente! Está encerrada a assembleia. Amanhã, Matusalém, você prega a ata na portaria.
Viram a que ponto chegou a inveja dos homens? Mas Eva passou longe do hospital. Aconteceu o seguinte, minhas nobres:
Matusalém, com infeliz ressaca, confiou a missão de fazer a ata ao companheiro Noé. Noé pegou o rascunho de Matusalém e leu este garrancho: terça-feira, oito de março, dia da internação da mulher de Adão. O desastrado Noé, igualmente ressacado, passou o garrancho a limpo, prendeu a ata na portaria da associação e destacou a principal deliberação dos associados: Terça-feira, oito de março, Dia Internacional da Mulher de Adão.
Eva, grata a Noé pela homenagem, chama as colegas para festejar o dia dela. Os homens também são convidados, é lógico. Vão, putos da vida com Noé, mas vão. Por sugestão da esposa de Noé, D. Noéma, conhecida por Noêmia, vão fazer a festança na casa de praia da família (presente do Enoque, diga-se). Começam a tomar vinho (presente do velho Baco, diga-se também), então, minhas nobres, vocês sabem o que é bebida, não sabem? Lá pras tantas, todo mundo melado, D. Noêmia faz a cabeça do marido, Noé, no sentido de que ele denomine aquela data como o dia de todas as mulheres. Noé, à revelia de Adão, sobe num tamborete e proclama o Dia Internacional da Mulher. Sem saída, Adão manda pegar as flores e dá um buquê a cada mulher.
Vou aproveitar o contexto e relatar profano episódio ocorrido na comemoração. A molecagem ocorre quando chegam o Sem, o Cam (filhos do Noé), o Caim e a irmã gêmea, a Avan (filhos do Adão), que também é mulher do Caim. Embriagados,

quarta-feira, 2 de março de 2016

A IRA DA PERSONAGEM

Resultado de imagem para figuras de mulher bonitaRecebi esta carta da Kílvia, protagonista do romance TOINHO, SEU DANADO! A fim de imprimir destaque às respostas, respondi-lhe ponto por ponto. Vejam a carta da sonsa.

Senhor Toinho:
O senhor ficcionou as nossas intimidades. Tem vergonha, não, moço? Soube da sacanagem por intermédio de minha irmã. Disse ela:
“Sabe, Ki, o cabra de peia do Toinho transformou em romance barato a nossa aventura na praia. Acabei de ler o peste. Comprei o ebuque no Amazon”, avisou-me a Ké.
Li também a porcaria. Reles escrevente de vazios folhetins é o que o senhor é.
Não esperava tamanha vilania de sua parte, senhor escrevente. Veja. Passamos trinta dias juntos, intimidades anatômicas a recitarem Platão, aí chega o senhor e joga esta pérola no ralo:
“Um delírio divino, uma dança sagrada, conduzida num fluir tranquilo e suave, uma ondulação interminável através do qual os corpos fazem apenas o que deve ser feito um para ou outro, levando-os além da fronteira do êxtase na direção do plano sutil da experiência mística.”
           
Esse delírio divino, Sr. Toinho, é hoje um pesadelo satânico. Não apenas o delírio. Outros sentimentos o senhor sujou com a linguagem chula, camuflada por paupérrimas metáforas.
Precisava escrever “enxurrada íntima e berro de cama”, Sr. Toinho? A verdade é que a sua seborreia financia a desagregação doméstica, promove a indecência sexual, propõe a poligamia.
Dê-lhe o meu melhor, Sr. Toinho, e o senhor me deu o seu pior.
Meu consolo é que o excremento não será lido. Contratei cinco catimbozeiros a fim de deixar fechada a sua apostilha pornográfica. Ninguém o lerá, moço. Daí que fique conformado quando seu computador travar, ou os imeios voltarem com delivery to the e a expectativa de leituras cair por terra. A indiferença literária vai bater palmas pro senhor. Aguarde!
Ah, antes que eu me esqueça. O moço do prefácio também é safadinho, viu? Um tremendo “prefacista”.
Vá se ferrar, Seu Toinho!
O senhor é um bucéfalo.

RESPOSTAS DO TOINHO
Senhor Toinho:
O senhor ficcionou as nossas intimidades. Tem vergonha, não, moço? Soube da sacanagem por intermédio de minha irmã. Disse ela:
“Sabe, Ki, o cabra de peia do Toinho transformou em romance barato a nossa aventura. Acabei de ler o peste. Comprei o ebuque no Amazon”, avisou-me a Ké.
- Data vênia, mas é mentira da senhora. Todos ali sabiam que