quarta-feira, 2 de março de 2016

A IRA DA PERSONAGEM

Resultado de imagem para figuras de mulher bonitaRecebi esta carta da Kílvia, protagonista do romance TOINHO, SEU DANADO! A fim de imprimir destaque às respostas, respondi-lhe ponto por ponto. Vejam a carta da sonsa.

Senhor Toinho:
O senhor ficcionou as nossas intimidades. Tem vergonha, não, moço? Soube da sacanagem por intermédio de minha irmã. Disse ela:
“Sabe, Ki, o cabra de peia do Toinho transformou em romance barato a nossa aventura na praia. Acabei de ler o peste. Comprei o ebuque no Amazon”, avisou-me a Ké.
Li também a porcaria. Reles escrevente de vazios folhetins é o que o senhor é.
Não esperava tamanha vilania de sua parte, senhor escrevente. Veja. Passamos trinta dias juntos, intimidades anatômicas a recitarem Platão, aí chega o senhor e joga esta pérola no ralo:
“Um delírio divino, uma dança sagrada, conduzida num fluir tranquilo e suave, uma ondulação interminável através do qual os corpos fazem apenas o que deve ser feito um para ou outro, levando-os além da fronteira do êxtase na direção do plano sutil da experiência mística.”
           
Esse delírio divino, Sr. Toinho, é hoje um pesadelo satânico. Não apenas o delírio. Outros sentimentos o senhor sujou com a linguagem chula, camuflada por paupérrimas metáforas.
Precisava escrever “enxurrada íntima e berro de cama”, Sr. Toinho? A verdade é que a sua seborreia financia a desagregação doméstica, promove a indecência sexual, propõe a poligamia.
Dê-lhe o meu melhor, Sr. Toinho, e o senhor me deu o seu pior.
Meu consolo é que o excremento não será lido. Contratei cinco catimbozeiros a fim de deixar fechada a sua apostilha pornográfica. Ninguém o lerá, moço. Daí que fique conformado quando seu computador travar, ou os imeios voltarem com delivery to the e a expectativa de leituras cair por terra. A indiferença literária vai bater palmas pro senhor. Aguarde!
Ah, antes que eu me esqueça. O moço do prefácio também é safadinho, viu? Um tremendo “prefacista”.
Vá se ferrar, Seu Toinho!
O senhor é um bucéfalo.

RESPOSTAS DO TOINHO
Senhor Toinho:
O senhor ficcionou as nossas intimidades. Tem vergonha, não, moço? Soube da sacanagem por intermédio de minha irmã. Disse ela:
“Sabe, Ki, o cabra de peia do Toinho transformou em romance barato a nossa aventura. Acabei de ler o peste. Comprei o ebuque no Amazon”, avisou-me a Ké.
- Data vênia, mas é mentira da senhora. Todos ali sabiam que
eu estava romanceando a nossa convivência e que iria publicá-lo.

Li também a porcaria. Reles escrevente de vazios folhetins é o que o senhor é.
- Tem certeza de que leu? Muita gente diz que leu livro tal, porém do tal passou longe. Como a senhora mentiu antes... Com respeito ao “reles escrevente”, respeito a sua opinião, senhora. Discordo do vazio. O best-seller está cheio de filosofia, humor, metáfora e coisa e tal.

Não esperava tamanha vilania de sua parte, senhor escrevente. Veja. Passamos trinta dias juntos, intimidades anatômicas a recitarem Platão, aí chega o senhor e joga esta pérola no ralo.:

“Um delírio divino, uma dança sagrada, conduzida num fluir tranquilo e suave, uma ondulação interminável através do qual os corpos fazem apenas o que deve ser feito um para ou outro, levando-os além da fronteira do êxtase na direção do plano sutil da experiência mística.”
- Não joguei o Platão no ralo, Sra. Kílvia. Fui tão somente fiel aos fatos. Outra coisinha. A senhora trocou a ordem das sílabas do ralo.

Esse delírio divino, Sr. Toinho, é hoje um pesadelo satânico. Não apenas o delírio. Outros sentimentos o senhor sujou com a linguagem chula, camuflada por paupérrimas metáforas.
- Recita bem, Sra. Kílvia. E, pra ser sincero, a senhora tem um quezinho satânico, viu? E não é pesada de pesadelo, verdade seja dita. Desculpe-me se sujei algo. Sou desastrado, confesso.

Precisava escrever “enxurrada íntima”, Sr. Toinho? A verdade é que a sua seborreia financia a desagregação doméstica, promove a indecência sexual, propõe a poligamia.
- Precisava, sim. Faltou a senhora citar outras expressões de seu linguajar libidinoso. Gosta muito de esguicho carnal e berro de cama, lembra-se?

Dê-lhe o meu melhor, Sr. Toinho, e o senhor me deu o seu pior.
- Data vênia de novo, senhora, mas o último período é falacioso. Sempre lhe dei o meu melhor. À senhora e à sua irmã, a Ké. Não seja injusta.

Meu consolo é que o excremento, o tal Toinho, Seu Danado! não será lido. Contratei cinco catimbozeiros a fim de deixar fechada a sua apostilha pornográfica. Ninguém o lerá, moço. Daí que fique conformado quando seu computador travar, ou os imeios voltarem com delivery to the, e a expectativa de leituras cair por terra. A indiferença literária vai bater palmas pro senhor. Aguarde!
Ah, antes que eu me esqueça. O moço do prefácio também é safadinho, viu? Um tremendo “prefacista”.
Vá se ferrar, Seu Toinho!
O senhor é um bucéfalo.
            - Vou chorar se ninguém me ler! A senhora e a irmã terem me lido já está de bom tamanho. Reviveram as emoções, não reviveram? A senhora é muito sonsa, sabia?
Ah, antes que eu me esqueça. Bucéfalo, não, Sra. Kílvia.
Bucelário, sim. Escudeiro, sem dúvida.
A senhora sabe o que bucelário?
A senhora, sim, é uma grande bucéfala.
A gente se vê.
            Beijos de seu autor preferido,
            Toinho Silva
           
Obs. Adquira Toinho, Seu Danado! (tcarneirosilva@gmail.com)
           
Março/16
            TC