terça-feira, 8 de março de 2016

OPERAÇÃO ALETHEIA - ORIGEM DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER (MULHER, ADJETIVO FEMININO PLURAL)

Resultado de imagem para figura de adãoOla, pessoal, escrevi o texto abaixo há coisa de quatro anos. Por não ter sido lido, o danado desapareceu do blogue. 
Boa leitura.


OPERAÇÃO ALETHEIA -  ORIGEM DO DIA INTERNACIONAL DA 
MULHER (MULHER, ADJETIVO FEMININO PLURAL)


Podem me dar dois dedinhos de atenção? Quero me congratular com as mulheres pelo festivo oito de março, o Internacional Dia Delas. Mas, para o tributo ser autêntico, preciso a elas revelar um velho segredo nosso. Peço-lhes vênia para falar a respeito do milenar e mesquinho acordo instituído pelo companheiro Adão.
Serei tachado de traíra pelo homem de vocês, minhas nobres, mas já passou do tempo de conhecerem a verdade. Pouco me importam que me chamem de delator. Meu prêmio é a verdade. Daí viver vasculhando as versões noticiosas. Aqui, acolá as pego de calças curtas.
Bom, sabiam que o Dia Internacional da Mulher se originou de vergonhosa baixaria? A baixaria tem nome: inveja. Inveja, eis a palavrinha símbolo do pacto milenar. Vejam:
O presidente de nossa confraria, o Adão, convocou uma assembleia para discutir absurdo prenúncio de independência organizado pelas mulheres. Após exaustiva avaliação de conjuntura, Adão anunciou a safadeza:
- Sabem, colegas, tenho como modelo a líder delas, a minha senhora, a Eva. A Eva é danada de inteligente. Ontem, enquanto conversávamos, ela fazia a relação das compras, divertia-se com as brincadeiras da sobrinha e encantava-se com o cabelo de uma caminhante. Alguém aqui consegue fazer três coisas ao mesmo tempo? Ninguém, companheiros. Dar cordas a pessoas desse tipo é pedir que das cordas elas se apropriem e aprisionem o nosso braço-de-ferro.
O modo de vida da Eva é distinto do nosso. A Eva sente as coisas, compromete-se, apaixona-se. Alguém aqui age assim? Ninguém, companheiros. Devemos sentir inveja da Eva, pessoal. Precisamos puni-la. Punição que sirva de exemplo às possíveis lideradas.
O plano é este. Na próxima terça-feira, oito de março, internaremos a Eva no manicômio do Dr. Frankenstein. A missão é sua, Enoque. Tome a ordem de coerção. Primeiro você a convida a ir ao consultório. Caso ela se mostre uma jararaca raivosa, você apresenta a carta coercitiva, ok? Já acertei tudo com o Fran. Só lhes peço, companheiros, que a visitem pelo menos uma vez ao ano. Não se esqueçam de levar flores vermelhas. A Eva adora flores. Terça-feira, cada homem terá de levar um buquê, certo? Podem apanhá-lo na secretaria.
É isso, gente! Está encerrada a assembleia. Amanhã, Matusalém, você prega a ata na portaria.
Viram a que ponto chegou a inveja dos homens? Mas Eva passou longe do hospital. Aconteceu o seguinte, minhas nobres:
Matusalém, com infeliz ressaca, confiou a missão de fazer a ata ao companheiro Noé. Noé pegou o rascunho de Matusalém e leu este garrancho: terça-feira, oito de março, dia da internação da mulher de Adão. O desastrado Noé, igualmente ressacado, passou o garrancho a limpo, prendeu a ata na portaria da associação e destacou a principal deliberação dos associados: Terça-feira, oito de março, Dia Internacional da Mulher de Adão.
Eva, grata a Noé pela homenagem, chama as colegas para festejar o dia dela. Os homens também são convidados, é lógico. Vão, putos da vida com Noé, mas vão. Por sugestão da esposa de Noé, D. Noéma, conhecida por Noêmia, vão fazer a festança na casa de praia da família (presente do Enoque, diga-se). Começam a tomar vinho (presente do velho Baco, diga-se também), então, minhas nobres, vocês sabem o que é bebida, não sabem? Lá pras tantas, todo mundo melado, D. Noêmia faz a cabeça do marido, Noé, no sentido de que ele denomine aquela data como o dia de todas as mulheres. Noé, à revelia de Adão, sobe num tamborete e proclama o Dia Internacional da Mulher. Sem saída, Adão manda pegar as flores e dá um buquê a cada mulher.
Vou aproveitar o contexto e relatar profano episódio ocorrido na comemoração. A molecagem ocorre quando chegam o Sem, o Cam (filhos do Noé), o Caim e a irmã gêmea, a Avan (filhos do Adão), que também é mulher do Caim. Embriagados,
a Avan cisma de tomar banho de mar e aproveita para conhecer a barca do Noé. A Avan volta e faz um comentário a respeito da embarcação:
“Bacana a nau do Noé”, Caim. Caim, que não era flor que se cheirasse, junta bacana com nau e convida a turma para o bacanau do Noé. A festa termina na bacana nau. Na nau e nus.
Foi assim - da confusão vocabular do Noé - que surgiu o Dia Internacional da Mulher.
Mas inadequações vocabulares acontecem. Algumas resultam benéficas; outras, maléficas. Enquanto da displicência do Noé adveio a alegria, da gramática nasceu a disfunção. É clamoroso erro a gramática ter classificado “mulher” de substantivo, embora substantivadas e substanciosas sejam. Mulher é adjetivo de primeira linhagem. Adjetivo é algo acrescentador, modificador, qualificador. Carinhosa é acrescentador de carinho, beleza é modificador de bela, elegância é qualificador de atitude. E quem é carinhosa, bela e elegante?
Homem algum elogia as mulheres com apenas um adjetivo. Usa, no mínimo, dois: bela e capaz, elegante e competente, linda e sensual. Portanto, a mulher é uma criatura pluralizada. Corrija-se a gramática. Mulher é adjetivo plural, sim.
               
                Março/16
        TC