sábado, 11 de junho de 2016

A VERDADE SOBRE O DIA DOS NAMORADOS





Resultado de imagem para imagem de namorados
A VERDADE SOBRE O DIA DOS NAMORADOS

“Não sou de festejar o simbolismo de certas datas. Mas tem a minha aprovação quem delas tira proveito para atingir estados mentais de excelência. Se o filho se torna mais feliz ao abraçar a mãe e o pai no dia deles, tenho mais é que aplaudir o gesto. Se beijos e abraços catalisam o primitivo êxtase em determinado dia, não vejo por que ficar indiferente. Daí a torcida para que os enamorados façam bom proveito deste 12 do 6, Dia dos Namorados. Recebam uma beijoca e o conselho de irem com calma, pois o dia é longo. E a noite comprida”.
Preciso justificar as aspas acima. Sucede que fui ao MPBar, ontem à noite, 10 do 6, a fim de entregar meu livro, o Toinho, Seu Danado, aos colegas Genílson e Blidenor. Acompanhavam a dupla Roberto e Marcelo. Ficamos jogando conversa fora e líquido dentro. Barzinho cheio, casais chegando, lembrei-me que no domingo, 12 do 6, seria o Dia dos Namorados. Vou escrever alguma coisa sobre namorados, pensei. Pensei e mentalmente rascunhei algo parecido com o aspeado ali de cima. Coisa de maluco? Verdade. A introdução de meus textos sempre é escrita antes de digitada. Depois as palavras começam a se paquerar, dão-se as mãos, abraçam-se e terminam no leito contextual.
Muito bem, quitado o protocolo etílico, venho pra casa, de carona com Blidenor. Chego ao portão, escuto umas pisadas. Viro-me. Quase tenho um troço, pessoal. Um cara esquisitão, de batinazona verde, sorria pra mim:
“Não tenha medo, Tião. Sou do bem. Quero falar com você, preciso de grande favor seu”.
- Que susto, homem. Quem é o senhor? Vamos entrar.
“Sou o Valetim, seu criado”, apresentou-se ele, estirando-me a magra manzorra direita.
- Em que posso servi-lo, Seu Valetim.
“Veja, Tião. Eu era bispo no velho mundo. Fazia casamentos e mais casamentos em Roma. Até que um dia, o imperador Cláudio, sob a alegação de que os solteiros eram mais dispostos pra guerra, proibiu-me de fazer casamentos. Não dei bolas e continuei casando escondido. Resultado. Descobriram e me prenderam. Fui condenado à morte. Mas, enquanto esperava o dia fatal, acabei me apaixonando pela filha do carcereiro. Ela não enxergava, Tião. Nascia ali a verdade de que o amor é cego. Mas tão forte era a nossa paixão que ela voltou a enxergar, acredita?
Bom, marcaram a minha execução para 14 de fevereiro. Quando me botaram a corda no pescoço, botei um papel na nesta. Estava escrito: Te amo, linda. Seu namorado.
O episódio correu o mundo, 14 de fevereiro ficou conhecido como o Dia dos Namorados e passei a ser chamado de o maior corta-jaca do universo. Não conto os casamentos que já agendei. Alguns com extremo trabalho. O seu, inclusive. Você era feiinho de doer, Tião. E sua namorada, linda de curar. Falar nisso, como vai D. Tânia”?
- Está bem. Muito obrigado pela força, Seu Valetim. Aqui no Brasil o Dia dos Namorados é 12 de junho, véspera de Santo Antônio. Então a história está...
“Errada, Tião. O autêntico Dia dos Namorados é 14 de fevereiro. Antônio foi brilhante intelectual lisbonense. Só isso. Mas gostava de elaborar discursos amorosos, é verdade. A fama de santo casamenteiro vem daquelas palavras, entendeu? Sofisma puro. Agora, quem faz as aproximações entre os casais, arruma encontros, trabalha nos bastidores, enfim, sou euzinho aqui”.
- Compreendo. O senhor disse
que precisava de um favor meu. Mas, pensando bem, preciso de um favorzinho seu também. É o seguinte, aqui, na minha comunidade, nas vizinhanças, sabe, moram quatro amigas que muito lhe agradeceriam se o senhor desse uma mãozinha...
“Estou ligado. Há tempos trabalho nisso. Mas, confesso, uma das quatro é caso perdido. Estou procurando um apelido pra elas, Tião. Apelidos consomem enorme energia, sabe, mas abrem veredas libidinosas. Suei para encontrar um tal de Drééé e um tal de Mozão, viu? Agora, essas meninas não sabem namorar. Esse é o problema. Nunca as vi batendo as pestanas pra ninguém, Tião. Encarar alguém batendo as pestanas é o primeiro sinal de que está a fim de bater outras coisas, entendeu”?
- Entendi. Direi isso a elas. Bom, o que é que o senhor quer de mim, Seu Valentim?
“Que restabeleça a verdade. Que escreva uma prosa pondo os pontos nos is. Que o Dia dos Namorados é 14 de fevereiro e não 12 de junho. Que sou o santo casamenteiro e não o golpista Antônio. Que o 12 de junho foi invenção dum coxinha paulista, o Dória. Que ele bolou o embuste para vender flores, postais etc., já que em junho não havia data comemorativa. Que e que e que... Ah, o senhor sabe, visto ser metido a escrevinhador”.
- Tá bem, Seu Valentim. Direi a verdade. O senhor promete que vai dar uma caprichada na situação de minhas amigas?
“Prometo. Diga pra elas baterem as pestanas que em breve terão novidades. Agora dê-me um abraço de despedida, Tião”.
Seu Valentim me abraçou e sumiu.
- Quem são as quatros, Bastião? Tô no meio, tô? Se eu falar dessa conversa, ninguém vai acreditar. Mas se duvidarem de você, pode contar comigo.
- Tás no meio, Neneta. Ora se tá! Tu tava escondida escutando o papo da gente, era? Amanhã tu vai pro olho da rua. Não digo nem a pau quem são as outras três não.

Beijos nas quatro amigas e em todos os namorados do mundo. E nos encalhados e encalhadas, é evidente.

Junho namorador de 16,

TC