sábado, 31 de dezembro de 2016

O BOBO DA CORTE






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O BOBO DA CORTE

É claro que me chateei com os risinhos, autênticos cantos de carroceria na autoestima. Emburrei, servi-me duma largona de cachaça e fiz o tira-gosto com as trombetas dos bem-te-vis. Passavam minutos das quatro horas da manhã. Abelhudos brilhos rompiam as nuvens e flagravam os sobejos noturnos, como se a vida íntima da noite fosse da conta deles.
Estávamos na garagem de minha casa, despedíamos de 2016. Jogávamos conversa fora e bebida dentro. Em dado momento, a Neneta nos diz que tinha visitado o apartamento de meu cunhado. “Beleza de vista o apartamento de Dedé. Dá pra ver até o Forte dos Reis Magos”.
“Oh, Neneta, não fale nisso não, menina. Derramei muito suor na construção daquele Forte”.
O Forte, gente boa, é uma edificação militar. Foi construído pela Coroa portuguesa a fim de proteger parte do litoral brasileiro. Fica aqui em Natal, no lado direito da barra do Rio Potengi. É que os piratas franceses, pessoal, queriam levar todo o nosso pau-brasil.
“Eu era alveneiro, Neneta”.
Foi essa sentença que me condenou: desenharam o risinho, olharam um pro outro, trocaram caneladas. Só família e amigos, gente. Dói, viu?
Foi Jean, um coroa careca metido a moço cabeludo, quem me tirou a carranca:
Até onde sei, o Forte tem uns quatrocentos anos. Mas isso não importa. Você tem cara de veinho mesmo, Bastião. Mas diga aí. Que diabo é alveneiro no jogo do bicho?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

BAR-TE-PAPO DE NATAL






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Microcontos

1. Molhada de autoestima, provocou: quem me reveste de paixão? Choveu guarda-chuva.

2. Adormeci, acordei, adormeci, acordei... E ela lá.

 

3. Pedi caranguejo. Tânia me deu. “É siri! Não quero”.  “Amor, siri é caranguejo melhorado. Coma!”


4. Por que não me abraçam, não riem pra mim, não me chamam pra mesa? Só porque tô descalço nem trouxe presente? Ninguém merece.

BAR-TE-PAPO DE NATAL

Cheguei ao Boteco 891 pensando em praticar meu esporte preferido. Pensaram em levantamento de copo e arremesso de piúba? Maldosos, não? Meu esporte predileto é observar. Conjugado a alguns levantamentos, naturalmente. Naturalmente que geladamente. Porque certos levantamentos, quando quentes, nunca descem redondos.
O 891 é excelente ponto de observação. Gatos e gatas abundam por lá. Cachorros e cachorras também. Alojados nas castanholas, bem-te-vis, galos-de-campina e pardais brindam os clientes com verdadeiras sinfonias.
Acomodo-me numa mesinha

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

VOZES DA IMAGINAÇÃO – FESTANÇA E CIÚME


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VOZES DA IMAGINAÇÃO – FESTANÇA E CIÚME

Topei na hora. E fui além: “Sinto-me honrado com a missão, VA”, disse, explodindo-me de satisfação.
Terminei no xilindró, mas cristão algum seria capaz de antever tamanho vandalismo daquela gente. Inconcebível no mais desatarraxado quengo ficcional. Vamos aos fatos.
VA, Vozes da Imaginação, é um site de literatura. Tem entre cinco e seis meses. Criação de maluco - ou malucos -, pois não sabemos se há um ou mais mantenedores. Não sabemos, sequer, de qual lugar vem a Imaginativa Voz. A camisa de força é visível na apresentação: publica apenas conto. Quem diabo quer ler contos no Brasil, meu Deus do céu? Afora ele - ou eles -, só me vem à cachola os colaboradores do próprio site, porquanto tão malucos quanto. Ou quantos. Ih, tenho dois contos lá!
Pois bem,

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A PRELEÇÃO COM O TIME DE CHAPÉU






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A PRELEÇÃO COM O TIME DE CHAPÉU

 “A vida é um jogo. Levante o dedo quem ainda não ouviu ou pronunciou essa frase. E não sem motivos, meu anjo, pois ela espelha o dia a dia dos humanos por meio da principal característica dos jogos: a competição proveniente de interesses antagônicos”.
Dia a dia dos humanos? A humanidade toda? Não está exagerando não, minha alma?
Não, meu anjo. Veja.
Nesse ponto, minha alma costuma me dar um escrito. Leio-o e damos início às rotineiras discussões. Leia o escrito e a gozação dela pra cima de mim:
Santa mãe! Até que enfim! Tô só o molambo. Que solzão é um, meu Deus? Será que as cotoveladas valerão a pena?
Dá para perceber, meu anjo, que há mais guerra que amor na fecundação? Sabia que, na base de pontapés e cotoveladas, você estava derrotando, por baixo, 200 milhões de concorrentes? Vive consciente de que, ao sentir aquele solzão, você acabava de vencer o mais duro desafio que a existência haveria de lhe propor? Cabrinha de sorte, viu, meu anjo?
       Foram aos berros competitivos que os humanos viram o solzão, meu anjo. Então não tem essa de exagero. A competição - e por decorrência as estratégias do jogo – vive no DNA de vocês, sim. O que é bom, já que os livra da acomodação. Se as cotoveladas valeram, estão valendo ou valerão a pena? Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Viva a vida, meu anjo!
   Ainda bem que você não é pequena. Pensei em soltar a brincadeira, mas desisti, pois minha alma apartou-se de mim e ajoelhou-se no pé da cama. Participava de rotineiro jogo metafísico, fazia certa oração diária.
Minha alma adora jogo, gente. É imbatível no jogo das palavras, usa a dez nos jogos transcendentais, bate um bolão num campo de futebol.
Falar em futebol, minha alma só torce por times verdes. Palmeiras em São Paulo e Alecrim em Natal, por exemplo. Exceção é a Seleção Brasileira, já que