sábado, 18 de fevereiro de 2017

SENHORAS E SENHORES, ACACINHO






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SENHORAS E SENHORES, ACACINHO!

Ih, esquecemos de pegar a alimentação das ofídias, amada Socorro.
Mesmo, Acacinho. Vou pegar ovo. É só o que teve ter aqui pra cobra. Se você não tivesse se esquecido dos ratos...
Nós, querida consorte. Eu e você esquecemos de acomodar os roedores na mudança. Pegue os ovais. Amanhã elaboraremos o cronograma alimentício delas.
Conversavam alto, já que Socorro encontrava-se na área externa dos caixas e Acacinho falava da fila. Da maior, pois gostava de conversar: não lhe convinha filas menores de caixas preferenciais. Na fila há cinco minutos, Acacinho já panfletava impaciência. Não pela fila não andar, mas sim por andar depressa. E ser muda. O panfleteiro caçava empatia, mas pegava apenas dedos bulindo em celular. Certo que o diálogo com a esposa fizera dedos repousarem e lábios soltarem sorrisinhos, mas logo os dedos voltaram aos celulares. Exceto os de um jovem casal. Para a alegria de Acacinho, o casal segurou a atenção. Como um alpinista desesperado, Acacinho apoiou-se na altura da voz:
O ser humano é assaz convencido de superioridade, meu jovem casal. Vive prenhe de jactância, julga-se infalível. Se fosse eu teria feito assim, no lugar dele eu faria isso. Apesar de jovens, já devem ter ouvido essas sentenças soberbosas, não? Viram a minha senhora? Deslembramos os roedores, eu e ela, a incumbência era compartilhada, mas toda a paternidade nociva ela impingiu a esta indefesa criatura. Ora, num evento a dois, de responsabilidade comum, louros e desditas devem ser repartidos igualitariamente e não se achar alguém no direito de aquinhoar-se do doce e empurrar o amargo para o sócio.  
Desculpem não ter me apresentado, meus jovens. Meu nome é Acácio de Queiroz e

sábado, 4 de fevereiro de 2017

NO QUARTO DA VALDIRENE




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NO QUARTO DA VALDIRENE

Mal ele entrou em casa, a mulher o tomou pelas mãos, ansiosa:
– Estava aflita para você chegar.
E sussurrou, apontando dramaticamente para os lados da cozinha:
– Tem um homem no quarto da Valdirene.
Sacudiu a cabeça com irritação:
– Desde o primeiro dia eu achei que essa menina não era boa coisa. Ela nunca me enganou.
Valdirene, a jovem empregada, uma mulata de olhos grandes, não faria feio num palco.
– Como é que você sabe? – perguntou ele, para ganhar tempo. Não partilhava da opinião da mulher: desde o primeiro dia achou que a Valdirene era ótima.
– Sei porque vi. Escutei um ruído qualquer aí fora no corredor, olhei pelo olho mágico, e vi quando ela punha ele para dentro pela porta de serviço.
– Ele quem?
– O homem. Não sei quem é, só sei que é um homem. Deve ser o namorado dela, ou o amante, tanto faz. O certo é que os dois estão trancados lá no quarto faz um tempão.
– Vai ver que já saiu.
– Não saiu não, que eu não sou boba, fiquei de olho. Está lá dentro com ela até agora.
– E o que é que você quer que eu faça?
– Quero que bote ele pra fora, essa é boa.
– Por quê?
Ela botou as mãos na cintura:
– Por quê? Você ainda pergunta por que? Então tem cabimento