sexta-feira, 30 de junho de 2017

BETH, A DESLIGADA






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BETH, A DESLIGADA

Cadê a minha mãe?
Não sei. Deu uma saidinha. Então o bar é de uma mulher! Você é filha dela?
É claro. Não acabei de falar? Como assim o bar é de uma mulher? O senhor não conhece a minha mãe? Quem é o senhor? Cadê ela? Há quanto tempo o senhor está aqui? O senhor...
Calma, moça. Faça o seguinte...
Como ter calma, senhor? Chego ao bar de minha mãe, encontro um desconhecido por dono do bar, cheio de gente bebendo, o estranho não conhece a minha mãe, mas fala de uma saidinha dela, e esse, esse, essa, essa pessoa ainda me pede calma quando quero saber dela. Misericórdia.
Ele é namorado da vovó, mamãe?
Júlio!
É seu filho? Nossa! Teve filho muito novinha, hein? Faça o seguinte. Ligue pra sua mãe.
Tô ligando, não tá vendo? Só faz chamar. Agora me fale. O senhor chegou aqui e...
Não chore não. Perco o raciocínio quando vejo alguém chorando. Escute. Gosto muito de bar de calçada, então, ia passando, achei criativo o nome do bar e...
Me poupe dos detalhes. O senhor chegou e...
Esse é o problema dos jovens. São apressadinhos, detestam detalhes, viram as costas para contextos. Resultado: a comunicação fica capenga. Diga-me uma coisa. Sua mãe tem desafetos, assuntos amorosos, passionais, digamos assim.
Não. Minha mãe é bem resolvida nesses assuntos.
Realmente é preocupante. Bom, procure saber dos vizinhos se notaram algo estranho, se viram sua mãe sair. Enfim, dê uma pesquisada na rua. Enquanto isso, dê-me o número dela. Talvez o meu celular tenha mais sorte.
E teve.
Espere, volte. Está chamando. Tive sorte. Vou botar no viva-voz.
Uma voz limpa e destemida deu o alô:
Alô. Quem é?

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Sétimo Arraiá da Família Buscapé






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Olá, pessoal.
Vou postar uma brincadeira que costumo fazer com amigos e familiares aqui em casa. Curto as festas juninas, gente. Coisa de raiz, de nordestino matuto.
Um abraço.

Sétimo Arraiá da Família Buscapé

Bom minha graça é mião carneiro e fui o saruê mais caçula da família carneiro; o último saruê; o fim de rama é o coroné tião; pois muito bem; o pade e professor sirvo mandou eu e os outro aluno dele, a santana de dona francisca de santana do mato, nenete de joão pacaia e severino de ceição de são rafael e uelton de marinete e jean de dona eliete escrever essa fala como prova da escola da gente pros cumilão e cumilona do arraial; pois muito bem; o pade sirvo passou a prova pra gente e acunhou pra roma pra fazer um cuço de missa de córpulas presente e me incubiu de ler pra voces e pra voces dizer a nota da gente; acho que agente vai tirar um dez; porque agente só tem sobrosso porcausa não ter certeza donde botar o ponto ou a virgula; por isso botamos logo em todo canto o dois sujeitos junto pro mode num errar nunca; o pade sirvo deixou uns recados, vou dar logo os pestes; despois eu falo o discuço; recado pra dona neide beata de valdi pintor; neide o menino de recado da paroqia agora é o alcolotra edilson; aquele que não é casado mas as mulherada nele manda; então avise ao alcolotra que avise aos vigarista da paroqia da vez da semana que porcausa da maldita reforma na igreja eles precisa avisar aos infies que tem filhos e não sabe que agora a sala dos moleque é na copa; avise também pra edilson avisar aos vigarista que ainda porcausa da infeliz reforma o cuço de oração e jejum tá suspenso; vamo orar pra ver se vorta no mês de santana; mas quando vortar o lanche não será mais de graça não; avise tambem as carola tania e vitoria que a escola da fe não tem data pra vortar; os fies tão muito pra baixo; vamo esperar eles e elas se animar mais; o coroné tião também avisou tres aviso; que avise ao povo do arraial que as vezes a garage da quadrilha chove e tambem aparece catita e sapo cururu por  aqui; entonce pra não ter tumuto de correria as dama deve se aliviar por dentro da casa do coroné e os cavaleiro deve evacuar fazendo fila pelo beco do jardim; outro aviso

sábado, 17 de junho de 2017

JULGAMENTO NO TSE – PALAVRAS AO VENTO





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JULGAMENTO NO TSE – PALAVRAS AO VENTO
 O objeto desta questão é muito sensível e não se equipara com qualquer outro, porque tem como ethos, como pano de fundo, a soberania popular. No entanto, o voto de Vossa Excelência, eminente relator, exibiu revoltante desrespeito a tal soberania. Quando votou em algo ausente na petição, Vossa Excelência, além de constranger seus pares, golpeou a sociedade. Golpeou, sim, já que ela foge do desfecho apregoado por Vossa Excelência. Ao votar favoravelmente à parte autora, o eminente relator exagera no fermento sobreposto à palavra central do pedido. Estamos encantados em ouvi-lo, mas suas falácias já nos deixam cansados. Diria que essa fermentação fez do voto de Vossa Excelência um gigantesco bolo, o que me leva a imaginar que a intenção era realmente jogá-lo para a plateia. Palavras ao vento, eminente relator.
Vossa Excelência precisa conhecer o exato valor da palavra numa petição jurídica. Não pode ir além da palavra chave do pedido. Aqui a palavra não tem alma, como a tem na mentalização do poeta. Aqui o “dos” que liga rosa a ventos é tão somente um conectivo e não o elo entre a mulher amorosa e invencível. Aqui a palavra sol ilumina, a palavra chuva molha, a palavra terra é firme, a palavra irmão é carnal, a palavra juro é verdadeira. Em suma, eminente relator, no Direito, a palavra diz. Está casada com ele. Não vive de namorico com o vento.
Na presente demanda judicial, a palavra cronista é cronista, mesmo. Jamais será contista ou romancista. Aqui a palavra chave do pedido