segunda-feira, 28 de agosto de 2017

CARTA DE ESTIMA – ESCRITA SEM O “E” DE ESTIMA





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CARTA DE ESTIMA – ESCRITA SEM O “E” DE ESTIMA

Continuando...
O continuando é dirigido aos quatros leitores que estão acompanho a criação de meu livro. Recomendo aos novatos que leiam o post Parteirinhas, de 20/7, e o Cartas de Amor Escrita sem o “A”, de 27/7.  Como não vão ler, direi o seguinte. Trata-se de certo blogue, cujo autor está sendo obrigado por duas leitoras a escrever 19 textos amalucados. Elas dizem que o cara perdeu o tino da escrita depois que conheceu as duas e por elas se apaixonou. Pois bem, como castigo, e a fim de amolar os neurônios, as aluadas exigiram que começasse a punição escrevendo cinco textos sem as vogais. O primeiro, o sem o “A”, já postei. Este é o sem o ”E”. Leiam. Leiam, mas relevem sutis senões, porquanto escrever sem “E” também é coisa de pirado.
É isso.
Um abraço,
TC

Carinhosos abraços, musas amadas,
Musas, pois simbolizam doçura, candura, brandura. Prolixo, por unir abraços a carinhosos? Não! Carinhosos, sim, visto abraço, por si só, não mostrar a força do carinho. Difuso por vincular amadas a musas? Pois diga! Amadas, sim, posto musa, assim isolada, não traduzir a paixão incondicional. Musas, sim, porquanto dotadas do conjunto físico inspirador da minha procura lasciva. Não só da minha, musas amadas. Linhas tão sinuosas obrigam a turma masculina a virar a cachola coçando o bolso, haja vista a variação pra cima dos pontos gráficos da procura. Contudo, as arriscadas curvas não caminham na solidão, amorosas musas. Suas incitadoras fisionomias nos dão sinais mundanos: as ambicionadas curvas andam coladinhas à atributos implícitos, íntimos, como líbidos, luxúrias, volúpias, viços. Tudo a jogar nas alturas a pulsação cardíaca dos analistas da formosura mamária.
Bom, só ficamos
cara a cara no último domingo, o do incomum carão linguístico, acompanhado da insólita solicitação gramatical. Cara a cara no barzinho 891, mas a troca das figurinhas após o ponto final dos contos já havia finalizado muitos álbuns. No fundo, nosso blog, o Pocilga, não passava dum babão vanguardista. As figurinhas, musas amadas, colavam sonhos na minha porção impudica. Sonhava, sonhava, sonhava...
Conto fantástico, bicho. Introdução maravilhosa. Solução magnífica. Lirismo coçando a cútis. Prosa tirana para os falsos moralistas. O sono foi pras cucuias. Corri pra cama, TC. Procurava socorro no amigo pontual, o comichão imaginativo, lídimo substituto dos atritos carnais.
Palavras assim, nuas, voluptuosas, dirigidas a mim no final dos posts, ora por ti, Silvinha, ora por ti, Silvana, abriam, ato contínuo, o protocolo da... Ah, Silvana danada. Faço minhas as suas palavras, amiga: procurava socorro no comichão imaginativo. Ui... Os pontinhos falam tudo, suponho. Sonhos lúbricos? Sim, sonhos lúbricos. Conquanto acordado, mas mil sonhos lúbricos, Silvinha.
Bom, saímos do cara na cara para o olho no olho. Do virtual para o barzinho 891, sítio das copadas, do riso solto, dos compromissos da ocasião.
Olá, oi, voz carnal, abraços balsâmicos, corpos convidativos, lábios nos rostos, tapinhas nas costas, sorrisos. Todos os atributos batiam com os sonhos, Silvinha. Babando, imaginando coisas, logo corri para a posição conquistadora. Mirava-as, Silvana: via olhar obstinado, ouvia sons monossilábicos, captava ruídos outros, suportava unhadas, sofria com arrochos. Saí da ficção jogando caro, lindas. Variava as apostas, como notaram, imagino. Pus fichas na voz bajuladora, nas palavras puxa-sacos, nos cuidados baba-ovos, no romantismo barato.
O brutal cinismo, contudo, acabou com a conquista cobiçada. Os olhos zanzavam, Silvinha: ora avistava uma, ora avistava outra. Mas ambas com o fura-bolo apontadão pra mim: infantil, idiota, babaca, cínico, galinha, promíscuo, tarado, matuto.
Apostas furadas, TC, falou a voz íntima, doutora na tradução dos sinais do corpo. Nisso, por via do importuno discurso, acolhi a crítica parcial, acompanhada dum “mas” tranquilizador, mas avalizada por injusta punição:
Ouça, TC. Ficou inútil o colírio pingado nos contos do blog, o Pocilga. O antigo santo não mais proporciona a cassação do lugar comum. Sua vista ficou viscosa. O virtuosismo dos contos limpos virou água, TC. Aguada, a nutrição criativa ruiu. O blog virou monturo, local favorito dos gulosos urubus. Mas fica tranquilo. Vou indicar um milagroso colírio, TC. Ponha-o nos rabiscos, absorva o instinto dos graciosos contos, faça-nos um mimo mostrando a trilha das boas histórias. Falou assim, Silvana, listando a loucura abaixo simplificada:
Componha histórias abrindo mão das vogais. Fuja dos qualificativos buchudos do nada. Componha-as assim, assim, assim, TC. Vazias disso, disso, disso.
Fugi da loucura, por óbvio. Pirado, pomposo, bombástico? Não sou nada disso, musas amadas. Aí, Silvinha, a nossa amiga Silvana, piscando os olhos, riu um riso irônico pra mim, falando duma bonificação. Vi logo o sarcasmo, viu, Silvana? Vou ficar na minha, matutava. Mas o impulso curioso ganhou: Bonificação? Ganharia uma bonificação, Silvana?
Ganharia, sim. Ganharia um corpo, TC. Corpo com unhas pintadas, mamas durinhas, coxas carnudas.  Corpo vivo. Corpo moldado aguardando o corpo do amigo. Corpo farto das coisinhas: libido, luxúria, volúpia. Corpo pronto para arranhar o corpo amigo, o arranhado avançando no compasso do vigor das suas prosas. Assim, ó: vigor chupado, prosa ruim, digamos...
A bonificação, TC, o badalado corpo, fala contigo agora. Ou acompanha o diálogo. Optas por qual das duas? A opção ambas não conta. Aprovas qual? Silvana ou Silvinha, TC?
Bom, vigor chupado, TC, prosa ruim, digamos, o fraquinho contista usufrui por trinta minutos do corpo aprovado. 
Conto não ruim, mas banal, o caro contista prova da fruta por bucólica noitada. Prosa boa...
Agora, na prosa boa o usufruto durará dias, TC. O caro autor mastigará frutos, salivará branquinhos líquidos fisiológicos, ocupará a garganta com sofisticados vinhos, subirá na balsa íntima, dormirá na varanda lasciva, avaliará a força dos caninos nos saborosos coquinhos duros. Na prosa boa, afinal, o caríssimo autor vai vibrar com o divino gosto. Sim, sim. Do corpo votado, TC! O lugar do amasso? Caso faça jus ao amasso, não? Ora, ora. Um sítio gostoso, TC. No ar puro da praia do Gostoso, caro contista. Vários sóis com luas na aflitiva angústia, moço.
Silvana ou Silvinha, TC?

Ufa! Minha opção? Por mim...
Uma cosquinha no colo, Silvinha.
Uma cosquinha no colo, Silvana.
Agosto/17

TC