segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O CARNEIRO E CARNEIRO






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O CARNEIRO E CARNEIRO
Madrugada. O hospital, a exemplo de Natal, dorme. Parte de Natal e parte do hospital, quero dizer. Digo assim, porque parte do hospital está gemendo. E parte de Natal está sendo assaltada. E parte assaltando, por óbvio.
Vejo diante de mim um carneiro malhado. Penso que estou sonhando. Bom sonho, vou jogar do primeiro ao quinto. Veio mesmo na hora. Ando com tanta prestação atrasada, meu Deus.
O carneiro olha-me fixamente.
Está bem, amigão. Agora pode ir bordejar. Depois você volta, sim?
Sério, o carneiro não se mexe.
Vai, carneirinho, vai. Seja camarada. Preciso sonhar outras coisas. É a única hora em que sou dono de tudo, entende?
O animal chega-se mais perto de mim, roça-me o braço. Sentindo-lhe o cheiro, noto que é de verdade. Recuo.
Essa não! Que é que você veio fazer aqui, criatura? Dê o fora, vamos.
Repilo-o com jeito manso, mas o carneiro não se mexe, encarando-me sempre.
Aiaiai! Bonito. Desculpe, mas a senhor tem de sair com urgência, isto aqui é um estabelecimento público. (Achei pouco satisfatória a razão.) Bem, se é público devia ser para todos, mas o senhor compreende… (Empurro-o docemente para fora, e volto à cadeira.)
O quê? Voltou? Mas isso é hora de me visitar? Está sem sono? Que é que há? Gosto muito de criação, mas aqui no hospital, antes do dia clarear… (Acaricio-lhe o pescoço.) Que é isso! Você está molhado? Essa coisa pegajosa… O quê: sangue?! Por que não me disse logo, carneirinho de Deus? Por que ficou me olhando assim feito bobo? Tem razão: eu é que não entendi, devia ter morado logo. E como vai ser? Os doutores daqui são dez, mas carneiro é diferente. Não sei se eles topam. Sabe de uma coisa? Eu mesmo vou te operar!
Corro à sala de cirurgia, pego