sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

DETERMINADOS




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DETERMINADOS

Segundo Drummond, foi o rapaz do posto de gasolina quem primeiro viu os três vultos.  Caminhavam a pé, sem pressa, no leito dos carros, indiferentes ao risco. Motoristas jogavam-lhes palavrões, sem que eles se importassem. Estavam vestidos de maneira inabitual: um de vermelho, outro de verde, outro de roxo. As roupas se assemelhavam a túnicas e usavam boinas amarelas, pontiagudas, aparentando coroas. Pareciam personagens de filmes históricos.
       Os estranhos estavam a quinze metros do posto. O rapaz teve vontade de se antecipar e perguntar o que desejavam. Mas deteve-se. Eram três homens, ele estava desarmado, não sabia que espécie de gente era aquela.
O mais alto deles ficava ainda mais esguio olhando para o céu, como quem indaga o tempo. Os outros miravam um ponto vago, esperando decerto que ele comunicasse o resultado da inspeção. Não houve palavras, entretanto. O homem comprido baixou a cabeça e fitou os companheiros. Entendiam-se pelo olhar. Não careciam de palavras, ou temiam empregá-las. Tratava-se, realmente, de indivíduos suspeitos.
Mas a suspeição foi logo embora. O rapaz do posto — já é tempo de chamá-lo Levi, pois assim fora batizado e registrado, embora os colegas o chamassem de coletor — imaginara no primeiro instante que fossem ladrões. Depois, pela excentricidade dos trajes, supusera-os simplesmente loucos. Decidiu-se e foi ao encontro deles:
Oi, posso ajudar em alguma coisa?
Deram calado como resposta.
Falam não, é? Tão com medo da chuva? O céu tá limpo.
        Outra resposta calada.
Ah, malucos mesmos.
Levi deu de ombros, fez uma selfie e postou no grupo do futebol: “Apareceram do nada. Acho que saíram do mar. Não falam, não escutam, não têm medo de carro”.
Estão imaginando, minhas lindas, no que deu a postagem do Levi? Isso mesmo. Deu no que deu.
     Bom, os estranhos deixaram

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

CARANGUEJOS NÃO PRECONCEITUOSOS




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CARANGUEJOS NÃO PRECONCEITUOSOS

É evidente, não?  Preconceito é coisa de humanos, daí que é pura lambança esse título. Por que, então... Ora por que? Porque eu queria que você fizesse um pré-conceito do texto: prosa brincalhona, legal. Vou lê-la. Negócio de escrevinhador besta, entendeu? Não? Pois diga! Quer o desenho? Veja os traços:
Estava no banheiro quando ouvi a risada do peste. Bião é assim. Vive rindo de tudo. E também de nada.
Cadê seu marido, Tânia?
Tá no banheiro. O que tem nessa sacola, Bião? Um presente pra mim, é?
Decápodes de pernas cabeludas, minha querida. É pra você, sim. Pra você botar no fogo que é pra gente comer com cachaça. Eu e seu marido.
Saí do banheiro e fiquei escondidinho, brechando. Imaginava os tais decápodes no piso da garagem e antevia o barraco. Bião tirava duas cordas de caranguejos da sacola.
Quê? Caranguejo? Tô fora. Deus me livre guarde de maltratar bichinhos tão alegres. Botem no fogo vocês. Por que logo eu, Bião?
Porque é serviço de mulher, ora bolas!
Deixa de ser babaca, Bião.
Iniciada a resenha, fui