segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

ANO NOVO




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ANO NOVO

E aí, pessoal,
Faz um tempão que o Pocilga não publica nada. Inventei de fazer uma reforma aqui em casa, então o bicho pegou: o blá-blá-blá de marteletes, furadeiras, martelos e aparentados não deixa cristão algum ficar em paz. Fofoca demais essa galera, gente. Como deram uma trégua, aproveito-a para lhes desejar um 2019 cheio de realizações. Que seus sonhos se realizem, meus nobres e minhas nobres (ninguém nunca falou isso).
A fim de fugir um pouquinho da formalidade, escrevi uns microcontos em alusão a 2019. Pra descontrair, certo?
Microconto, sabem todos, é um conto pixototinho. A ideia é que com o mínimo de palavras seja apresentado um contexto ficcional incomum. Embora o microconto não seja reconhecido como gênero literário específico, fica manifesto que as suas características são diferentes das de um "conto simplesmente pequeno". No microconto o essencial é sugerir. A intenção é convocar o leitor para ser cúmplice do autor, atribuindo-lhe a tarefa de rechear o textinho com a sua vivência. O conto vive mandando o microconto se enxergar, deixar de se amostrar, mas o bicho não toma jeito. Aqui, acolá aparece um metido a lhe fazer afago.
O microconto requer leveza, concisão, precisão, originalidade, impacto, inteligência. Exige, pois, tudo de que não sou capaz. Mas como sou metido...
Agora, não resta dúvida de que "bolar" um microconto é agradável exercício de percepção. Espero de você, leitor, tão afetuosa atividade. Mande-me seu microconto (pelo blogue ou por imeio) que terei a satisfação de publicá-lo.
        Vejam como sou metido. Viva 2019.

1)      NA PRESTAÇÃO DE CONTAS
Oito – Fizeram tudo no meu 8, em 8 minutos, no maior blá-blá-blá. Do amor bolaram a paixão, jogaram um balde daquela calda quente em cima de mim e se danaram a rir, Senhor. Senhor – Você não falou nada, seu bundão redonda? Oito - Como, Senhor? Imobilizado pela chave de braço, pelo mata-leão, pelo jogo de pernas, pela falta de ar? Só me restava gemer, Senhor: Ai... Ai... Ai... (TC).

2)      NO NASCIMENTO
Ufa! Até que enfim! Que solzão é um, meu Deus! Será que as cotoveladas valerão a pena? Espero não me arrepender. Droga! Já? (TC)

3NA PASSAGEM  
            Olhem! Nossa! O que o 9 traz naquele cabeção, vô? – Esperança, minha filha – Tomara que esperança não vire lambança, vô. (TC)

4)      NOS PREPARATIVOS
a)      Faço amor em caldas. Embalo em bisnaga. Alugo e vendo. Sobra do 8. É pegar ou largar. (TC).
b)      Gritava e se sacudia. Queria o quê? Se um ferro lhe espetava a barriga! – Que o churrasqueiro fosse mais cuidadoso, ué! (TC).

      5) NA VIRADA
a)      Virou-se e anteviu o fracasso. Ficou com pena. E com uma raiva! (TC).
      b)  Enfim adormeceu. Mas ela não arredou pé dali. (TC).
          c) Brigaram tanto
que morreram ensanguentados, porém abraçados. – Verdade? - Mentira, meu! Tás nessa! Daí a um tempinho, já em 2019, voltaram pro agarra-agarra. (TC).

6) PELA MANHÃ
a)      A coitada se achava... Posava de superior achando que era amada. Mal sabia que a educação que não tinha, os outros usavam para suportá-la. (Pontos de vista, Leila, Canto do Escritor).
    c) Lembrou-se da noite anterior, lembrou-se que ele se foi e disse pra imagem refletida: o amor acabou... Então, pensou... Às favas com ele!   Eu me sou e eu me basto. Pensou mais um pouquinho e resmungou... Só falta eu me convencer disto. E começou a escovar os dentes. (Olhou-se no espelho, Zélia Maria Freire, Recanto das Letras).
   d)  Entendi. Mas, bom, é. Enfim...

 Último dia do surpreendente 2018,
TC