sexta-feira, 10 de maio de 2019

JANTAR DOS DEUSES





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Imagem Google



Oi, pessoal,
Há quanto tempo, hein! Disse pra vocês que estava escrevendo um romance, lembram? Pois então. Tô focado nele. Aí fica complicado mentir noutra prosa. Bom, a fim de que não esqueçam o blogue, vou postar um excerto do romance. Acabei de redigir o trecho. Vou dar o título de JANTAR DOS DEUSES, embora o deus Irjá e o deus Ovalu não tenham jantado com a deusa Sylvia.
Boa janta,

Tião




JANTAR DOS DEUSES

Fato é que às sete horas da noite estávamos bebendo vinho e jantando. Janta dos deuses, diga-se. Antes, contudo, fui exemplarmente repreendido. Ocorre que eu estava de bermuda e boné. Achava que não tinha problema jantar assim. Só janta se trocar de roupa, diziam elas. Sylvia, então, foi categórica: vá se arrumar, Antônio. E volte sem esse horroroso caspento na cabeça. Ela tachava de horroroso caspento o boné-avião, o presente de aniversário dado a mim pela própria. Trocava de roupa e matutava o quanto alguns homens são displicentes. Eu estava sendo um extremado sem noção. As moças arrumadíssimas, jantar de festa, e eu ali em trajes de apagar fogo. Sylvia, de vestes novas, estava lindíssima. Sou arredio à certas locuções, mas ela estava simplesmente deslumbrante.
Jantávamos, eu de frente para a Sylvia, a Manuela frente a frente com a Mariana, brincadeiras indo e voltando, louvores culinários a mil, eu não tirando os olhos da Sylvia. Parece que a estava vendo pela primeira vez. Com o rabo do olho, fiquei dando uma corujada na Mariana a fim de saber se ela também mirava a Sylvia. Olhava com certa insistência, sim. Natural, pois a linda atrai olhares, magnetizada que é. A perseguição dos meus olhos fez a Sylvia prosear:
Que foi? Nunca me viu não, amor?
A dupla interrogação deixou-me agitado. Bolei a arte em segundos. E, à medida que a admirava, cúmplices palavras juntavam-se a mim. Forcei-me a uma fisiologia de contrariedade, fixei-me no rosto dela e falei:
Que foi, que foi, que foi. Você ainda pergunta, Sylvia? Pare com isso, menina.
O garfo dela ficou suspenso. Não apenas o dela. Garfos e copos a caminhos de bocas ficaram no ar. Entreolhavam-se e me encaravam. Porra, exagerei na fisiologia.
Sylvia retrucou, a cara por acolá:
O que deu em você, Antônio? Mal começamos a jantar e você já quebra os pratos com semelhante patada. Não mereço isso, ainda que venha a comer demais, a exemplo do café da manhã. Estou... Estou, não. Estamos surpresas com tamanha grosseria, Antônio. Veja só...
Não estou falando de comida, Sylvia. Sabem, meninas, falei, passeando o olhar entre a Manuela e a Mariana. Hoje, trinta de abril de 2010, faz dois anos que vi essa moça pela primeira vez. Vi e conheci. Mais ou menos por essa hora, num hotel peruano, em Lima, nossos corpos entravam em sintonia com o Platão e experimentavam um delírio divino, uma dança sagrada, conduzida num fluir tranquilo e suave, numa ondulação interminável, por meio do qual faziam apenas o que devia ser feito um para ou outro, levando-nos além da fronteira do êxtase e na direção do plano sutil da experiência mística.
Naquele momento, garotas, tinha a certeza de que a Sylvia era a mulher mais linda da Colômbia. Agora, aqui, passados dois anos, não tenho dúvida de que estou frente a frente com a mulher mais linda do mundo.
Fiz consciente pausa. Via bocas se abrindo e olhos se fechando em mim. Prossegui, mudando o olhar pra Sylvia:
Se aos vinte e seis aninhos você já transborda feminilidade, já tem excesso de beleza, já derrama charme, já verte encanto e já despeja formosura, imaginem, Manuela e Mariana, essa moça chegando aos trinta e dois, trinta e três, trinta e quatro anos, idade em que a mulher atinge o auge da beleza. Não é difícil prever o futuro. Por isso, rogo-lhe, Sylvia: