terça-feira, 22 de outubro de 2019

OUTRAS IDAS E VINDAS




Resultado de imagem para imagens de idas e vindas
Imagem Google



Olá, gente.
Três meses sem dar as caras, resolvi postar um excerto do que se tornará meu livro, o culpado desse hiato. Escritórios da Mente será o nome do presunçoso romance. Botecos, costumes, sexo. Tem tudo disso lá. Apenas historinhas, né, pessoal?
Dei ao excerto o título de Outras Idas e Vindas.
Vamos nessa? É curtinha? Conheçam o TS e a Sylvia.

OUTRAS IDAS E VINDAS

Não diria que seja aquela coisa de perder o sono. Não. Não é. Mas vez ou outra a vontade chega outra vez. Principalmente quando estou aqui, no Boteco 891. Foi aqui que tudo começou. Começou entre um copo e outro de cerveja, em que idas e vindas de copos se intrometiam entre vindas e idas de nosso olhar. Olhar e outros gestos existentes desde que o mundo é mundo.
Noutro dia, vejo-a numa pizzaria de shopping, caminho em sua direção, mas desisto de cumprimentá-la em razão da intimidade de um chopp escuro com os lábios dela. Vejo a cena e, vejam só a infantilidade, vejo-me enciumado, pode? Falo com ela noutra oportunidade, penso. Penso, mas vou prum canto da pizzaria e fico de mutuca na vergonhosa pegação. Ela usava calça de academia, mostrava as sem funções alcinhas azuis e mudara o corte do cabelo.
Está simplesmente, diria eu noutros tempos. Aí ela fazia aquele ar de sapeca, sorria, e perguntava o que eu queria dizer com simplesmente.
Será que está usando aquele perfume que me deixava louco?
Vez por outra a Sylvia ficava com a taça de chopp nos lábios, olhava distante, em idas e vindas de pensamento. Será que está pensando em mim, em nossas primeiras idas e vindas de olhar? Ou pensa em nas nossas vindas e idas da vida? Será que está indo ou vindo da academia? Nisso um diabinho sacana e alcoviteiro me assopra:
Tás vendo, idiota? Se não tivestes deletado o número dela era só ligar e pronto.
Idiota é você. Não preciso de memória de celular pra iligar pra ela não, cara.
Noutros momentos, a minha voz vazava quando pensava nela. Mas nunca naquela intensidade. A ruivaça quase vizinha de mesa me olhou - olhar guloso, achei -, mas me fiz de idiota e não dei bola para aqueles olhos verdes. Não dei bola, mas percebi que era friorenta, denunciava-lhe o casaco protetor, e tinha um sorriso sexy. Esperava o namorado, talvez.
A Sylvia me expulsou das redes sociais, deletei seu número, é verdade, providência inútil, porém, já que seria capaz de discar o número dela mesmo de olhos fechados. Aqui tilintou a ficha: quem vai pra academia