quinta-feira, 30 de abril de 2020

DE JOGO E ANIVERSÁRIO





Mensagens de aniversário e parabéns para amigo, família e colegas 🎂
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DE JOGO E ANIVERSÁRIO

De rombo - 30! De número – 4! De rombo – 70!
        É a boa!
Batesse, vovô? Ganhasse o quê?
Quem chama as pedras é a avó Tânia. Quem faz as perguntas é a neta, Beatriz. Influenciada, por certo, pela algazarra dos parabéns pra você devido a chamada da última pedra.
Trinta e dois meses de mundo, e a menina mais bela do planeta já sabe o que é ganhar. Compartilha a exaltação da vitória, pois já entende que viver é jogar. Percebe que tudo na vida é jogo ou tem noção de jogo. No mais das vezes divertido. Mas, não raro, dolorido. Beatriz, aliás, assim como nós, é uma campeã. Não começamos a caminhada nocauteando os  concorrentes ao fazer da barriga da mãe um ringue? Pois! Erguemos os punhos quando, no primeiro solzão, recebemos do Criador a dádiva do dom divino do dia a dia.
Ganhei o quê? Vivo ganhando, Beatriz. Sou milionário. Meu patrimônio é afeto. Tenho três famílias: a nuclear, a consanguínea, a anexada. Partes dessas famílias você está vendo pelas janelas da modernidade. Bote o dedo no bolo e lhes ofereça uma lambida virtual. Isso. Acabou de jogar uma pedra de afeição, Beatriz.
Beijos virtuais, abraços remotos, palmas eletrônicas. E é assim sabe por quê? Em razão do jogo sujo de um de assassino da pior espécie: um coroa de nome Corona. O engenheiro do Apocalipse inventou funesto jogo de nome pega-pega-pandemia e saiu pelo mundo a jogar dor e morte. O tirano fica se escondendo em  todos os lugares pensando em nos dar o bote, Beatriz. O covarde começou nos impingindo apreensão, em seguida angústia e por fim medo. Há sempre ansiedade, insônia, censuras e disfarces entre os involuntários jogadores. O escatológico ataca a mente antes de entrar no físico. Não é fácil. Perguntas nos perseguem. É difícil agasalhar ponderação e perturbação na mente? Mas quem disse que é fácil viver sob virulências?
Por causa da covardia do execrável é que nos escondemos em casa a fim de fugir dele. Quem pode ficar, né, Beatriz? Entendeu a razão de estar vendo esse povo feio por essas janelinhas?
Pode enfiar o dedinho no bolo, Beatriz. Não sou o JB, mas quem manda aqui sou eu. Em resumo, minha nobre, o coisa-ruim fica jogando fichas de distração na nossa prevenção. Agora, Beatriz, tenho que admitir. Muito a contragosto, é certo, mas tenho que admitir. O virulento é bom de estratégia, viu? Jogou como ninguém o ICC. ICC, Beatriz, são as iniciais das três palavras de cujos significados os humanos vivem. Tudo no mundo, absolutamente tudo, tudo absolutamente, aqui, ali e alhures, passa pela combinação do conceito delas três. Que carinha é essa? Acha que estou exagerando, é? Quando estiver mais taluda eu explico. Minha frustração é que o verdugo encaminhou os conceitos na direção da morte. Mas gostei dessa carinha de cética, Beatriz. Carinha de jogadora, historiadora, escritora.
Falar em escritora e verdugo, lembrei-me do amigo Ernest, renomado escritor norte-americano. Dizia-me ele, coçando o cabelo:
Entenda, Carneiro, nunca me pergunte por quem os sinos dobram. Eles dobram por nós. Porque, quando morre um homem, Carneiro, morremos todos, pois somos parte da humanidade. Então...
Estou aborrecendo você, Beatriz?
Tá, vovô.
Misericórdia, Beatriz. Bote o dedo no bolo de novo.
Bom, deixe-me falar só mais uma coisinha, já que uma coisa puxa outra. Isso aqui pra nós, Beatriz, mas dizem, dizem, né, que o coroa do Corona, o engenheiro do mal, está em Brasília. Vive jogando lero-lero com o presidente. Dizem que o malvado é unha e carne com o presidente, Beatriz. Ficam trocando cafunés. Acredita, Beatriz? Dizem, né, que os dois são gerentes da esquelética e desdentada dama da foice. Dizem que a função do papa-figo de véio é amolar a foice e a do presidente é a ele indicar quem deve ser degolado. Dizem, né, Beatriz. Mas, isso aqui pra nós de novo, estou propenso a acreditar na coisa. Veja a lógica.
O presidente é fã de discórdias, é ruim de jogo bom. É intolerante, insensível, indiferente... É arengueiro, enfezado, entediado... Na Saúde, em plena pandemia, fala e age diferente do que o povo e especialistas dizem que é o certo. O homem não esboça nem sequer um pingo de liderança, de empatia. Diz que tudo não passa de uma gripezinha. Aí, anteontem, uma repórter achou de falar pra ele que o Brasil acabava de ultrapassar a China em número de mortes. Sabe o que presidente respondeu, Beatriz? Você não vai acreditar. Segure-se na sela, minha amiga:
E daí? Sou coveiro, por acaso? E ainda pensou: "Vida que cessa".
Tás vendo, Beatriz? Sei não, viu? Pior, Beatriz, ele jogou pra Saúde um rapaz que tem uma cara de alma penada que chega a dar dó. Parece um crupiê de...
Ei, criatura, já vai? Quer mais furar o bolo, não?
Kelo não. Não kelo, não kelo, vovô. Tu fala demais, vovô.
É o quê? Tá certo, tá certo. Mas daqui a anos você vai chamar o bingo, OK? Vai chamar assim, ó:

De rombo – 80!

30 de abril de 2020,
Tião Carneiro (TC)







domingo, 12 de abril de 2020

CORONAVÍRUS – POR QUEM OS SINOS DOBRAM (Descoberto o tocador de sinos)




CINZAS QUE CHORAM: As bênçãos do toque do sino
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CORONAVÍRUS – POR QUEM OS SINOS DOBRAM
(Descoberto o tocador de sinos)

“Quando morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade”
Ernest Hemingway


Olá, pessoal.
Colo, abaixo, amabilíssima cartinha do amigo Ernesto. (oito minutos de leitura)

Oi, Eugênio,
Dispenso-me de lhe perguntar se está bem. Como todos daí, deve estar orando a fim de tanger o tal do coronavírus para as profundezas do inferno. Orando e torcendo pelos acertos das autoridades, como humano de boa-fé que você é. Todos e autoridades daí, vírgulas, já que uma das desumanas autoridades, o Sr. Jair, não está nem aí para o sofrimento dos conterrâneos. Releve a ruma de “aqui” e “aí” e a rima com o Jair, tá, Eugênio? Esta missiva, aliás, tem tudo a ver com o Sr. Jair. Sucede o seguinte, meu nobre.
Não aguento mais a ordem desses quatro aqui: escreva para o Eugênio, Ernesto, escreva para o Eugênio, Ernesto. Eles pensam, Tião, que o seu nome é Eugênio. Desconhecem que o trato por Eugênio em razão de sua intimidade com o adjetivo de som análogo. Bom, eles estão putos com esse Jair. Ser contra o distanciamento social é coisa de..., de..., de..., dizem, os olhos cuspindo fogo.
Sabe, Eugênio, estou de espinhaço sangrando e de ouças arrombadas só de ficar me mexendo com os dobrados dos sinos daí que ressoam aqui. Se o repique não bastasse, o Raul fica dizendo que não vai ficar aqui com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar. O Bandeira, então, dá dó, Eugênio: a mesa não estava posta, Senhor. Vou-me embora pra Parságada. Lá não existe baderna. O cara não troca o disco, Eugênio. E o Drummond? Põe-se a recitar de mãos na cachola: tem uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho tem uma pedra. Tem uma pedra. Tem. Uma pedra. Uma pedra. Uma pedra. E conclui aos gritos: REMOVAM-NA. Ah, Eugênio, sei que está confuso. Vou explicar tudo.
Veja, meu nobre”:
Chegou um médico brasileiro aqui e nos contou o que está acontecendo com vocês. Não acreditamos, Eugênio. Fomos bater aí. Saíamos da nave e já fomos vendo escabroso casal aos beijos caminhando pra gente. O medo e a angústia queriam nos abraçar, Eugênio. Vão pra lá, coisas-ruins, esbravejei, pedindo calma ao Drummond. Eu, o Raul, o Drummond e o Bandeira queríamos passar a coisa a limpo, entendeu? Descobrir, sobretudo, quem

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

A SECRETÁRIA DO CAÇÃO




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E aí, pessoal, tudo nos conformes?
Sabe quem deu as caras por aqui ontem? O Bião. Chegou com um saco de ressacas, duas tiras de mentiras e três bisacos de bizarrices. Mostrei-lhe os originais de meu livro... Ah, mudei o nome do livro, galera. Não será mais Escritórios da Mente e sim Por Uma Taça de Vinho. Bom, o Bião ficou uns minutinhos olhando os originais, fez cara de aborrecido e me deu uma folha de papel.
Último texto do Veríssimo. Mas acrescentei alguns detalhes, a exemplo do que fiz no Sebo, disse ele. Leia, Tião.
Mentira das grandes, gente. O Bião vive dizendo que é amigo de Luís Fernando Veríssimo, que toca saxofone com ele e coisa e tal, tudo para se amostrar, como se da rima talento fingimento resultasse autêntico. Ri da desfaçatez do disfarçado, até porque acabara de ler “Direta/Esquerda” no Estadão, a última prosa do Veríssimo. Mas vou ler o conto do tapeador Bião, vivida na pele de um tal Cação.

A SECRETÁRIA DO CAÇÃO

Meu nome de batismo é Edu, mas todo o mundo me conhece por Cação. Sou da família dos Ãos. Sou ene neto do Abraão. Todos os varões de nossa família têm um nome oficial e um histórico. O oficial do Bião, por exemplo, é Ebu. O do Tião é Evu. O meu, Cação, veio duma sacanagem do Tião, e significa homem imprestável.
Rapaz usado - tenho sessentinha -, sou romancista. Romancista milionário, acrescento. Mas não em virtude de direitos autorais. Sou milionário em razão da sorte, já que há anos ganhei uma bolada na Mega Sena. Mas ninguém sabe que fico mangando do tempo por causa disso. A fim de justificar a riqueza, fico espalhando que sou mais vendido no exterior do que Paulo Coelho.
Estou terminando de escrever o livro nº 5. Acontece que a história deu um nó cego. Por isso joguei nas redes sociais um “precisa-se de secretária”.
Bom, nove horas, eu estava na expectativa da moreninha. A campainha tocou. Pela câmara da calçada, vi logo que era linda. Fui recebê-la no portão. Não me segurei:
Como você é linda. Nossa. Minha vontade é ir ao lugar comum dos clichês, pôr quatro no cocuruto e sair gritando que você possui estonteante beleza, tem lambível pele aveludada, usa orgástica voz de mel e é dona de excitante rosto angelical. Você tem excesso de beleza e carência de antipatia, Educarda.
Eduarda, senhor. Obrigada, Sr. Edu.
Eduarda, desculpe. Não sei de onde tirei esse “c”. Vamos pro escritório. É ali, naquela cobertura. Deve estar estranhando