sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

A SECRETÁRIA DO CAÇÃO




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E aí, pessoal, tudo nos conformes?
Sabe quem deu as caras por aqui ontem? O Bião. Chegou com um saco de ressacas, duas tiras de mentiras e três bisacos de bizarrices. Mostrei-lhe os originais de meu livro... Ah, mudei o nome do livro, galera. Não será mais Escritórios da Mente e sim Por Uma Taça de Vinho. Bom, o Bião ficou uns minutinhos olhando os originais, fez cara de aborrecido e me deu uma folha de papel.
Último texto do Veríssimo. Mas acrescentei alguns detalhes, a exemplo do que fiz no Sebo, disse ele. Leia, Tião.
Mentira das grandes, gente. O Bião vive dizendo que é amigo de Luís Fernando Veríssimo, que toca saxofone com ele e coisa e tal, tudo para se amostrar, como se da rima talento fingimento resultasse autêntico. Ri da desfaçatez do disfarçado, até porque acabara de ler “Direta/Esquerda” no Estadão, a última prosa do Veríssimo. Mas vou ler o conto do tapeador Bião, vivida na pele de um tal Cação.

A SECRETÁRIA DO CAÇÃO

Meu nome de batismo é Edu, mas todo o mundo me conhece por Cação. Sou da família dos Ãos. Sou ene neto do Abraão. Todos os varões de nossa família têm um nome oficial e um histórico. O oficial do Bião, por exemplo, é Ebu. O do Tião é Evu. O meu, Cação, veio duma sacanagem do Tião, e significa homem imprestável.
Rapaz usado - tenho sessentinha -, sou romancista. Romancista milionário, acrescento. Mas não em virtude de direitos autorais. Sou milionário em razão da sorte, já que há anos ganhei uma bolada na Mega Sena. Mas ninguém sabe que fico mangando do tempo por causa disso. A fim de justificar a riqueza, fico espalhando que sou mais vendido no exterior do que Paulo Coelho.
Estou terminando de escrever o livro nº 5. Acontece que a história deu um nó cego. Por isso joguei nas redes sociais um “precisa-se de secretária”.
Bom, nove horas, eu estava na expectativa da moreninha. A campainha tocou. Pela câmara da calçada, vi logo que era linda. Fui recebê-la no portão. Não me segurei:
Como você é linda. Nossa. Minha vontade é ir ao lugar comum dos clichês, pôr quatro no cocuruto e sair gritando que você possui estonteante beleza, tem lambível pele aveludada, usa orgástica voz de mel e é dona de excitante rosto angelical. Você tem excesso de beleza e carência de antipatia, Educarda.
Eduarda, senhor. Obrigada, Sr. Edu.
Eduarda, desculpe. Não sei de onde tirei esse “c”. Vamos pro escritório. É ali, naquela cobertura. Deve estar estranhando