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LUIZINHO, O FOFO TERRORISTA NA RIO/16
- Tudo
certo, Luizinho. Se ligue e faça o que os outros fizerem. Pode ir. O embarque
tá fecha não fecha e o serviço de som já avisou que o avião tá num pé e noutro
pra sair. Ligue quando chegar.
Quem fala assim é Rafael, filho da
sobrinha de Luizinho, na manhã da sexta-feira, 5 do 8 de 16. Estão no Aeroporto
Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, a 24 quilômetros do centro de Natal.
Há motivos para o “tudo certo” de
Rafael: além de ser a primeira vez que viaja de avião, Luizinho se embaralha
todo na hora de juntar letras. Daí Rafael ter cumprido os procedimentos de embarque
e ter fechado a orientação com o “Tudo certo e faça o que os outros fizerem”. Luizinho
vai para o Rio de Janeiro assistir às olimpíadas. Luizinho é...
Luizinho é solteiro. Rapaz usado.
Bastante rodado, diga-se. É pescador, pintor e pedreiro. E segurança, aqui,
acolá. Mas está “encostado” pelo INSS. Mora em São Rafael, sertão do Rio Grande
do Norte. Luizinho recebeu uns atrasados do Instituto, caiu na guerra de
algumas sobrinhas, principalmente da sapeca Kítia, e acabou decidindo viajar
para o Rio de Janeiro:
Vai, Urubu. Aproveite essa grana. A
gente só lucra o que goza, homem. Nunca saísse daqui. Mais com dormida de
graça. O Rio de Janeiro é lindo, Urubu. Ah se eu pudesse.
Com pequenas oscilações, esse era o
discurso das sobrinhas de Urubu, o estranho apelido de Luizinho. Por que Urubu?